Há destinos que até de olhos fechados nos fazem sonhar
No final do século XV, a marinha portuguesa já tinha explorado a maior parte da costa africana virada ao Atlântico. Avançar para oriente implicava perceber onde terminava essa linha de costa e se era ou não possível ligar-se ao Índico por mar. A confirmação desta possibilidade poderia abrir as portas para uma nova rota comercial entre a Europa e a Ásia. Bartolomeu Dias, supostamente enviado ao encontro do Prestes João, conseguiu realizar essa missão, dobrando o Cabo das Tormentas, mais tarde nomeado Cabo da Boa Esperança, corria o ano de 1488. Situado a sul da Cidade do Cabo, na África do Sul, faz parte da nossa mitologia literária e da história. Portuguesa e mundial. E se invocamos uma imagem marítima para embarcar num comboio, é porque Rohan Vos, não sendo navegador, foi pioneiro sobre carris uns séculos depois.
Tudo começou em 1986, quando Vos, um comerciante sul-africano abastado – o seu negócio era a venda de peças automóveis – decidiu comprar umas automotoras para momentos de lazer. Como assim? Desde sempre que era um apaixonado por comboios, por isso, pareceu-lhe natural comprar vagões para restaurar. Um dia, pensou em fazer uma surpresa à mulher, Anthea Vos, e aos quatro filhos, sem esquecer os quatro cães da família. Contactou a Spoornet, a principal empresa ferroviária da África do Sul, e perguntou se podia alugar uma locomotiva. Reza a história que o funcionário que lhe deu as informações não era especialmente simpático. E quando a determinação de Vos embateu no preço, a sua reposta foi contundente. “Pode sempre levar passageiros que paguem pela viagem”, terá dito. O expectável seria Vos descartar o seu desejo. Errado. Tomou um banho de imersão e, uns copos de rum depois (reza a história), nascia a Rovos Rail, que se tornou a principal companhia de caminhos de ferro de luxo em África.
Montanhas, cataratas e lagoas
Não vamos desconstruir o mito fundador – ou a mais pura verdade – sobre o nascimento da Rovos Rail. Mais importante é o que se seguiu e que dá continuidade a uma tradição de grandes comboios na África do Sul. Consolidado o nome, sinónimo de conforto e serviço de qualidade, a Rovos começou a expandir as suas rotas. Primeiro dentro de portas, depois, fora da África do Sul, país onde as viagens de comboio ocupam um lugar muito especial.
Soa a marketing mas não é. E o que propõe a Rovos Rail? Um conjunto de itinerários que duram desde poucos dias a mais de duas semanas, das vastas planícies do Karoo às Cataratas Vitória, suspensas a 108 metros de altura entre a Zâmbia e o Zimbabué. O rugir das águas, especialmente em junho, quando o caudal está no seu expoente máximo, é inesquecível. Assim como a bruma e os constantes arco-íris a pintar o céu entre a vegetação. Não admira que o seu nome ancestral seja Mosi-oa-Tunya, literalmente “fumaça trovejante”. Majestosas de todos os ângulos, as cataratas estão inscritas como Património da Humanidade_da UNESCO e são, também, uma das Sete Maravilhas do Mundo Natural. Mas tergiversamos e os carris chamam por nós.
Se escolher o Southern Cross, que liga Pretória, na África do Sul, a Victoria Falls, no Zimbabué, ou vice-versa, prepare-se para 12 dias do outro mundo. Graskop, Parque Kruger (dispensa apresentações), Maputo (sim, Moçambique), Eswatini (o mais pequeno reino do mundo), Kapama (a maior reserva privada da África do Sul dedicada à conservação da vida selvagem), vale do Limpopo, o segundo maior rio da África austral, Parque Nacional de Matobo, no Zimbabué, património da UNESCO_e um dos segredos mais bem guardados do país. E eis que o combóio chega ao destino: Vitória. Um dos plus deste programa é poder sobrevoar as cataratas de helicóptero. Tentador… Mas a oferta não fica por aqui. Também pode escolher o Blue Train, ideal para uma escapadinha de duas noites numa rota que revela a diversidade das paisagens sul-africanas, desde os planaltos do interior até às planícies semiáridas do Karoo, sem esquecer a belíssima Lagoa de Knysna, uma importante reserva marinha protegida por dois promontórios. E o que têm em comum estas duas sugestões, para não falar nos outros programas da Rovos? A lógica de slow travel.
Consulte todos os detalhes e datas para 2026 e 2027 em rovos.com
Share this content:



Publicar comentário