A carregar agora

Cacau: melhores perspetivas de produção fazem preço cair após máximo de três meses e meio

Cacau: melhores perspetivas de produção fazem preço cair após máximo de três meses e meio

O preço do cacau caiu esta segunda-feira abaixo da barreira dos quatro mil dólares por tonelada (3.435 euros à taxa de câmbio atual), para os 3.812 dólares por tonelada (3.270 euros), uma quebra de 18,8%, face ao máximo de três meses e meio atingido a 11 de maio, quando cotava acima dos 4.700 dólares por tonelada (4.037 euros).
A subida deveu-se aos receios dos efeitos que a tempestade El Niño poderia ter nas plantações de cacau no continente africano, uma região crucial na produção desta matéria-prima.
E a descida no preço do cacau deveu-se às perspetivas de uma maior produção da Costa do Marfim, que é o maior produtor mundial, que foram avançadas na semana passada.
África possui o primeiro e segundo maiores produtores mundiais de cacau na Costa do Marfim (1,8 milhões de toneladas) e no Gana (600 mil a 700 mil toneladas), de acordo com os dados da Organização Internacional do Cacau. O top 3 é fechado pela América do Sul com o Equador que teve uma produção de 515 mil toneladas. O top 5 é fechado por mais dois países do continente africano em concreto os Camarões (superior a 300 mil toneladas) e a Nigéria (240 mil a 270 mil toneladas). Os dados são referentes a 2025.
A projeção para a época de 2025-2026 apontam para valores mais elevados de produção em alguns dos maiores produtores mundiais. É o caso da Costa do Marfim que na semana passada reviu em alta a sua produção para a época de 2025-2026 do intervalo entre 1,8 e 1,9 milhões de toneladas para 2,2 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura norte-americano previa que o Gana tivesse uma produção 750 mil toneladas, mais 25% face à época anterior (tendo como referência as 600 mil toneladas). Nos Camarões a expetativa é de uma produção a se manter na região das 300 mil toneladas.
A época nigeriana do cacau divide-se em dois períodos. O primeiro vai de abril a junho e o segundo período, que é o principal, constituindo 70% da produção total, decorre entre outubro e dezembro. Para o primeiro período a expetativa é de uma subida de 5%, face ao ano anterior, conforme disse o presidente da Associação de Agricultores Nigerianos de Cacau, Adeola Adegoke, ao Business Day.
A plataforma Kodgav, especializada no setor alimentar, sustentando-se em dados da StoneX, empresa de análise de matérias-primas, projetou um excedente global de cacau de 287 mil toneladas métricas para a campanha de 2025-2026, e um excedente adicional de 267 mil toneladas métricas para 2026-2027. Os stocks de cacau situaram-se em 1,1 milhões de toneladas, em janeiro, mais 4% face ao período homólogo, de acordo com a Organização Internacional de Cacau.
O preço do cacau tem mostrado uma volatilidade assinalável. Só no último mês a matéria-prima subiu 12% e nos últimos 12 meses está com uma quebra de 65%.
Consequências do El Niño podem prolongar-se até final do ano 
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) coloca uma probabilidade de 61% de que a tempestade El Niño possa surgir entre maio e julho (em plena época de produção de cacau) e as suas consequências se prolonguem até final do ano, salientou a publicação Barchart, existindo ainda uma probabilidade de 25% de que  possa existir um Super El Niño.
Chocolate e cacau afetados por inflação elevada na última páscoa
Além disso, o consumidor foi também afetado pelo efeito inflacionário que atingiu o chocolate e o cacau na última páscoa. De acordo com os dados reportados pela Euronews os preços destes dois itens aumentaram mais de 15% na União Europeia antes da Páscoa face a uma inflação geral que se ficou em 2,3%, como resultado da quebra na cadeia de abastecimento de cacau devido às condições meteorológicas em África.
Mas os efeitos inflacionários ao nível do cacau e do chocolate em pó tiveram impacto diferenciados consoante o país. Os dados transcritos pelo Euronews referem que os maiores impactos foram sentidos na Dinamarca e na Lituânia com aumentos de 30% em dezembro de 2025. Acima dos 25% estiveram Áustria, a Roménia, a Noruega e a Suécia. Em Portugal a inflação ficou pelos 3,6%. E a média da União Europeia ficou pelos 15%.

Share this content:

Publicar comentário