Empresas não usam IA para gerar receita direta
Operíodo de brincar com a Inteligência Artificial (IA) terminou e deu lugar à necessidade urgente de industrialização e integração massiva nas organizações”, indica Nuno Costal, Strategic Value Principal Director da NTT DATA Portugal, referindo um estudo que a empresa realizou em 2025. Na apresentação que fez no Seguros Summit 2026, o responsável apresentou dados mais atualizados relativos ao Global AI Report 2026, onde é revelado que apenas 15% das organizações mundiais são atualmente consideradas líderes na implementação da IA. De acordo com Nuno Costal, este grupo restrito de empresas destaca-se por integrar a tecnologia de forma nativa na sua estratégia central e por obter retornos financeiros significativamente superiores aos dos seus concorrentes diretos. Segundo os dados recolhidos junto de mais de dois mil e trezentos decisores em 34 mercados, os líderes tecnológicos têm uma probabilidade duas vezes e meia superior de registar um crescimento de receita acima dos 10%. A eficiência operacional também se manifesta de forma clara nas margens de lucro, uma vez que estas empresas são três vezes e meia mais propensas a atingir margens iguais ou superiores a quinze por cento através do uso destas ferramentas.
Segundo o estudo, o panorama em Portugal apresenta particularidades relevantes e alguns desafios face à média internacional. O estudo da NTT Data indica que 54% por cento das empresas nacionais possuem uma estratégia de IA bem definida ou em curso, o que contrasta com os 74% registados na amostra global. O relatório identifica que existe um paradoxo no mercado português, onde se verifica uma forte aposta na otimização de processos internos de apoio mas uma relativa negligência na aplicação da tecnologia em áreas que geram receita direta e interação com o cliente. Apesar de a quase totalidade das organizações globais planear reforçar o investimento nesta área, Portugal demonstra atualmente uma maior contenção orçamental. O nível de investimento significativo planeado para os próximos dois anos no país fixa-se nos 31%, um valor que se situa inclusivamente abaixo dos 45% apresentados pelas empresas tecnologicamente menos avançadas a nível mundial. A gestão da mudança organizacional é apontada pelo estudo como um fator crítico para o sucesso de qualquer implementação tecnológica. Em Portugal, existe uma base emocional favorável, uma vez que 78% dos colaboradores demonstram um sentimento positivo e de confiança perante a inteligência artificial. O documento sublinha que os líderes de sucesso utilizam estas ferramentas para amplificar o impacto de profissionais experientes e altamente qualificados em vez de optarem pela sua substituição.No setor específico das seguradoras, observa-se uma tendência clara de evolução da automação básica para a fase da agentificação. Estes novos sistemas inteligentes conseguem interpretar contextos e tomar decisões autónomas em processos complexos que abrangem desde a gestão de sinistros até à avaliação de risco em tempo real. De acordo com Nuno Costal, no início o setor focou-se na automação de tarefas repetitivas, evoluindo depois para a fase dos copilotos, onde a IA apoia a decisão humana para aumentar a produtividade. Atualmente, a tendência central é a agentification, na qual os agentes de IA interpretam contextos e agem de forma autónoma, orquestrando processos de negócio completos em vez de apenas tarefas isoladas.
Share this content:



Publicar comentário