Envelhecimento, fenómenos climáticos e tecnologia trazem mudança
O envelhecimento da população é uma tendência global em desenvolvimento, que afeta a generalidade dos continentes, com exceção de África. É um risco, pelo impacto que tem nas sociedades e na economia. Os fenómenos climáticos também são elencados como uma preocupação transversal. Os inquéritos aos líderes empresariais mostram isso, porque os fenómenos têm-se multiplicado e a sua intensidade também. Depois, a revolução tecnológica que vivemos tem de ser observada de perto. É um risco, que para algumas organizações pode ser existencial.
Três grandes riscos, movimentos intensos com implicações que não podem ser totalmente percebidas, mas com impacto garantido. Este foi o alerta de Nuno Arruda, CEO da WTW, no encerramento da Seguros Summit, traduzidos no estudo, “o fator humano do risco – como novas vulnerabilidades estão a redefinir a resiliência”.
As alterações climáticas destacam-se, porque os efeitos já são visíveis. Portugal sentiu-o este ano. A temperatura global ter aumentado 1,55 graus em relação ao período industrial, com efeitos muito concreto. Em 2024, foram deslocadas 42 milhões de pessoas devido a fenómenos climáticos extremos.
“Na Europa morreram mais de 60 mil pessoas”, apontou Nuno Arruda. “Tudo isto provoca vulnerabilidades sociais e económicas, na saúde física e mental, na educação e o emprego”, referiu.
Já sobre a revolução tecnológica, o CEO da WTW colocou o foco na inteligência artificial (IA) e de como esta não poderá ser uma substituta da vertente humana. “Retirar a inovação e imaginação humana de todos os processos do mundo em que vivemos, acarreta riscos, desde logo económicos”, realçou.
Até porque, considera que os impactos da Inteligência Artificial são profundamente humanos. “É importante termos uma perceção clara de como a queremos implementar. É inevitável os desafios sob o ponto de vista moral e ético. O bem-estar humano neste momento está condicionado por um futuro que desconhece”, sublinhou.
Duplo risco
Acresce, ainda, o risco do envelhecimento. Há mais idosos, estamos a envelhecer. Regista-se que 21,6% da população europeia tem atualmente mais de 66 anos, sendo que em Portugal essa percentagem aumenta para 24,6%.
“Quando as pessoas chegarem à reforma não vão ter um seguro de saúde, mas muitas delas ainda vão estar a pagar empréstimos. Isto coloca stress sobre as economias, população e estados”, avisou Arruda, sinalizando que esta tem de ser uma preocupação do setor, porventura acima das restantes.
“Uma sociedade envelhecida é uma sociedade mais vulnerável aos choques”, apontou. Ou seja, trata-se de um duplo risco, porque diminui a capacidade da sociedade para enfrentar outros.
Pensar o longo prazo
A Seguros Summit juntou 15 decisores do setor segurador para discutir questões de longo prazo, além da pressão diária, mais ainda quando o contexto é marcado pela instabilidade.
O tema escolhido foi o da longevidade, nas suas diferentes dimensões, os seus efeitos na sociedade. Falou-se de saúde, claro, mas tambémd e poupança, que é determinante, e de tecnologia. E nas formas como deve ser abordada a questão central por todos os agentes da sociedade.
A Seguros SUmmit reuniu mais de 120 pessoas no Hotel D. Pedro, em Lisboa.
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