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Luce: o primeiro elétrico da Ferrari vai custar 550 mil euros

Luce: o primeiro elétrico da Ferrari vai custar 550 mil euros

Enquanto vários fabricantes de automóveis de luxo têm vindo a travar a aposta na eletrificação, a Ferrari avança com a estreia do seu primeiro modelo 100% elétrico: Luce. O automóvel terá quatro portas, velocidade máxima de 310 quilómetros por hora e preço a rondar os 550 mil euros. Este modelo tem menos ecrãs táteis e mais comandos físicos. O volante, o painel de bordo e a consola central recorrem a botões, manípulos e interruptores com referências aos modelos clássicos da marca, enquanto a instrumentação digital imita a aparência dos tradicionais mostradores analógicos. Com produção global estritamente limitada, mesmo algumas centenas de unidades por ano poderão ter um impacto relevante no preço médio de venda e nas receitas de personalização através do programa Tailor Made da Ferrari.
O lançamento ocorre depois de a empresa ter registado, no primeiro trimestre, 1,85 mil milhões de euros de receita e 722 milhões de euros de EBITDA (+4% em termos homólogos), com uma margem EBITDA sólida de 39,1%, superando as estimativas de Wall Street. “O impacto do Luce nas contas da empresa vai muito além do preço de tabela. Um veículo elétrico a este nível de preço reforça o posicionamento da marca no segmento de ultra-luxo, o que tende a elevar o valor percecionado de toda a gama, incluindo os modelos de combustão”, explicam os analistas da XTB.
Do ponto de vista da tecnologia, a Ferrari registou mais de 60 patentes relacionadas com a arquitetura do motor e tecnologia do Luce. Este investimento em propriedade intelectual poderá gerar receitas de licenciamento a longo prazo e serve também como barreira à entrada de concorrentes no segmento de desportivos elétricos de ultra-luxo.  No entanto, alertam os analistas da XTB, a grande questão será perceber se o Luce consegue ter um impacto nas receitas da empresa que seja visível nos “earnings” dos próximos trimestres.
Apesar das perspetivas animadoras sobre o potencial de vendas que o novo modelo 100% elétrico pode gerar, há riscos que devem ser tomados em consideração: as tarifas norte-americanas de 25% sobre automóveis europeus, dado que os EUA representam um dos maiores mercados da Ferrari; movimentos cambiais adversos já afetaram o crescimento no primeiro trimestre; a concorrente Lamborghini abandonou os seus planos de veículo elétrico para 2030, citando que a procura por desportivos de luxo elétricos é baixa.
“A Ferrari é conhecida pelos seus carros de alta performance, mas também pela sua performance financeira que tem conquistado os investidores. Tem uma dívida líquida de apenas 1,30 mil milhões de dólares, o que a torna resiliente mesmo que as taxas de juro venham a subir significativamente (um risco que tem aumentado devido à situação dos preços da energia que ameaçam trazer novamente níveis de inflação altos). Se compararmos a Ferrari com as empresas automóveis de gama alta, mais uma vez, não há simplesmente concorrência”, concluem os analistas da XTB.

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