BAD divulga hoje projeções económicas de África em reunião de líderes do continente
Líderes africanos reunidos esta semana em Brazaville iniciam hoje os trabalhos dos encontros anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), num dia marcado pela apresentação do relatório das perspetivas económicas de 2026 para o continente.
“O lançamento das Perspetivas Económicas Africanas 2026 proporcionará ao Banco a oportunidade de divulgar as conclusões do seu principal relatório de conhecimento junto de uma vasta audiência mundial e, consequentemente, influenciar o debate político no continente sobre a mobilização eficaz e a utilização eficiente de capital”, frisou o BAD em comunicado.
O lema das reuniões deste ano é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado” e no qual, até sexta-feira, a capital da República do Congo torna-se o centro financeiro de África acolhendo mais de 3.000 mil pessoas de 81 delegações.
Os encontros contam com a presença de vários chefes de Estado e de Governo africanos, juntamente com ministros e governadores de bancos centrais, incluído de países africanos lusófonos, que vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.
Em conferência de imprensa, que antecedeu a reunião anual, responsáveis do BAD admitiram que o continente se encontra num momento crítico de desenvolvimento, “marcado por um crescente défice de financiamento num contexto geopolítico e económico global em rápida transformação” num mundo cada vez “mais fragmentado, que tem contribuído para a redução do financiamento ao desenvolvimento do continente africano”.
Na mesma conferência de imprensa, Kevin Urama, economista-chefe e vice-presidente para a Governação Económica e Gestão do Conhecimento do BAD, recordou que África precisa anualmente de cerca de 400 mil milhões de dólares (345 mil milhões de euros) “para acelerar a sua transformação estrutural”.
As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, anunciou o Banco, que adotou “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas”.
No Aeroporto Internacional Maya-Maya, equipas médicas realizam medições de temperatura e oferecem álcool-gel a todos os passageiros, constatou a Lusa no local, sendo visível no Centro Internacional de Conferências de Kintélé, a preocupação da organização com medidas de segurança sanitárias.
Placares com avisos para lavar as mãos e cuidados com os cumprimentos físicos são vistos um pouco por todo o local, assim como as medições de temperatura e o álcool-gel, para além de haver funcionários de saúde a oferecerem máscaras e a realizarem rastreios nos pontos de entrada.
Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) – que faz fronteira com a República do Congo e também com Angola, entre outros países, – ascendiam já a mais de 900 na segunda-feira, incluindo 101 em que a presença do vírus foi confirmada em laboratório, alertou Organização Mundial da Saúde (OMS).
*** A Lusa viajou a convite do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ***
Share this content:



Publicar comentário