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Riedel cresce a dois dígitos e CEO diz que “a indústria do vinho precisa de educar a próxima geração”

Riedel cresce a dois dígitos e CEO diz que “a indústria do vinho precisa de educar a próxima geração”

A austríaca Riedel, produtora de copos de vinho há 270 anos e hoje na 11.ª geração familiar, está a crescer cerca de 10% este ano e projeta um “futuro muito brilhante”, afirmou o CEO Maximilian J. Riedel ao Jornal Económico durante uma passagem por Lisboa.
A empresa, que produz 60 milhões de copos por ano e está presente em mais de 130 países, reforçou a aposta em Portugal com uma edição especial da Riedel Wine Glass Experience na Estufa Tazte Secret Spot. O evento serviu também para apresentar a coleção Superleggero, linha que combina produção automatizada de precisão com design manual e inclui oito formatos, entre eles copos para Sauvignon Blanc e espirituosas.
“Só os jovens educados bebem vinho”
Em declarações ao Jornal Económico, Maximilian J. Riedel rejeitou a ideia de que as novas gerações estão a abandonar o vinho. “Isso não é verdade. Só os jovens educados bebem vinho. O vinho precisa de ser educado. E acho que esse é o maior erro da indústria do vinho: não investir mais tempo para educar a próxima geração”, disse.
O CEO reconheceu que a quebra de consumo global está ligada à China: “A China foi uma das maiores importadoras de vinho da Europa. A China não está bem economicamente, não está a consumir nem a comprar vinho. Esse extra de vinho está a ficar connosco na Europa. É por isso que vemos nos números que o consumo desceu”. Ainda assim, sublinha: “Quando olho para mim, para os meus amigos, estamos a beber mais vinho do que nunca. Mas não conseguimos compensar o consumo da China”.
Para Riedel, outro entrave é o preço. “Acho que o vinho se tornou muito caro. Precisamos de vinhos novos, diferentes. Vinhos menos caros. Não gosto da palavra ‘barato’, mas é onde estamos agora”.
Sobre a função do copo na indústria, foi direto: “O copo está na indústria do vinho. É por isso que estamos aqui hoje. Estive ontem em Brasília, amanhã vou estar em Lyon, porque há muito interesse nos nossos copos”. E descreve o produto como um amplificador: “É como um bom microfone para o vinho. O copo de vinho Riedel suporta o prazer do vinho. Comunica muito mais em profundidade tudo o que o vinho tem para dar. É o palco. Aumenta as vendas e o consumo de vinho, porque mostra, quando o usas, o melhor vinho”.
O CEO criticou ainda “desinformação” nas redes sociais sobre álcool e vinho e impacto na saúde. “Não sou médico e não tenho provas. Mas discordo. Se alguém gosta de um copo de vinho com a família, não chamo isso de alcoólico. Ouvimos mensagens misturadas da medicina. O que não acreditamos são influenciadores que não têm formação e, só porque tiveram uma má experiência, dizem que o vinho é mau. Ninguém tem prova de que o vinho dá cancro. Absolutamente não. A indústria tem de fazer melhor trabalho de casa, pesquisa e provar que essas pessoas estão erradas. Está a fazer muito pouco em comunicação e educação adequada. Essa é a falha da indústria”.
Portugal no mapa há 30-40 anos
Apesar de esta não ser a primeira visita a Lisboa, Riedel destacou a longevidade da marca no país. “Estamos em Portugal, diria, há 30 a 40 anos. Atualmente somos importados pela Portfolio, nosso parceiro, a família Symington”. A distribuição em Portugal é feita desde 2019 pela Portfolio Vinhos, do universo Symington Family Estates, com “crescimento sustentado” no mercado nacional.
Maximilian J. Riedel é casado com uma brasileira e por isso os seus filhos falam português, e diz que uma forte ligação a Portugal.
Empresa 100% familiar, sem dívida
Sobre números, Maximilian J. Riedel recusou detalhar valores porque a empresa não é cotada, mas deu indicadores: “Somos 100% privados, não temos empréstimos bancários, somos independentes. Somos 100% empresa familiar. Não quero adiantar números. O que posso dizer é que somos distribuídos em mais de 130 países. Crescemos nos últimos 20 anos, ano após ano. Estamos a crescer este ano cerca de 10%, portanto a dois dígitos. E vejo um futuro muito brilhante. Mas dá muito trabalho. O sucesso não vem por acaso”.
O CEO diz que o segredo está no contacto direto: “Estamos a engajar com o consumidor. Tentamos trazê-los para bordo. Ensinamos muito sobre por que os nossos copos fazem um trabalho melhor. Viajo 260 dias por ano. Estive nesta mesma sala há 3 anos, aqui com a Portfolio. E quando olhas para o meu Instagram, @maxiriedel, sou o maior influenciador de vinho do mundo, com mais de 640 mil seguidores. Tenho a certeza que muitas pessoas que vêm hoje me seguem”.
Fundada em 1756, a Riedel foi pioneira ao demonstrar que o formato do copo influencia a experiência de degustação, criando o conceito de copos específicos por casta. A coleção Superleggero, lançada em 2015 e agora reinventada, homenageia a linha Sommeliers de 1973 e aposta em paredes ultrafinas, leveza e bases de grande diâmetro para estabilidade.
A empresa mantém unidades industriais na Áustria e Alemanha e é liderada por Georg J. Riedel, 10.ª geração, e Maximilian J. Riedel, 11.ª geração. A estratégia passa por eventos sensoriais globais e educação do consumidor, num momento em que o segmento premium de vinhos e acessórios ganha tração no canal horeca em Portugal.
Inovação industrial na linha Superleggero
A austríaca Riedel, líder mundial em copos de vinho e a mais antiga empresa familiar do setor, trouxe a Lisboa o CEO Maximilian J. Riedel para apresentar a coleção Superleggero. A marca, distribuída em Portugal pela Portfolio Vinhos desde 2019, aponta para crescimento sustentado no mercado nacional.
A Riedel, multinacional austríaca fundada em 1756 e que produz cerca de 60 milhões de copos por ano, reforçou a sua estratégia de proximidade ao mercado português com uma edição especial da Riedel Wine Glass Experience. O evento foi conduzido em Lisboa por Maximilian J. Riedel, CEO e representante da 11.ª geração da família, na Estufa Tazte Secret Spot.
A iniciativa reuniu profissionais do setor e wine lovers para demonstrar, na prática, como o formato do copo impacta a perceção sensorial do vinho. Durante a prova, os participantes compararam um mesmo vinho monocasta servido em copos específicos da casta e em modelos desenhados para outras variedades. O objetivo: evidenciar que fatores como formato, volume e diâmetro do rebordo alteram a concentração aromática e a perceção de acidez, álcool e taninos.
 

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