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Europa come mais kiwis, frutos vermelhos e batatas portuguesas à boleia do Lidl

Europa come mais kiwis, frutos vermelhos e batatas portuguesas à boleia do Lidl

Desde 2015 que o Lild Portugal exporta frutas e legumes portugueses para outros países da Europa onde existem supermercados do grupo alemão. E os números não param de aumentar. Em 2025 foram, no total, 28 mil toneladas exportadas, só a pera rocha do Oeste DOC contribuiu com 11 mil toneladas, logo seguido da laranja do Algarve com seis mil toneladas (ver quadro). Mas há novas frutas e legumes portugueses que estão a encher as prateleiras dos supermercados Lidl em vários países europeus, com destaque para a Alemanha – país sede do retalhista do grupo Schwarz. Bruno Pereira, chief commercial officer do Lidl Portugal partilha com o Jornal Económico que essa procura acontece, pelas “características únicas” dos produtos portugueses. “Se da pera rocha não precisamos de falar, porque só se produz em Portugal, a laranja do Algarve é um caso muito interessante”. Explica que não existe exclusividade nacional das laranjas, “não temos uma espécie autóctone em Portugal, são as mesmas variedades que existem em Espanha”, elucida, “mas é o terreno do Algarve com características única que, para além de permitir campanhas agrícolas mais alargadas ao longo do ano, dá laranjas mais doces e com mais sumo, o que agrada ao consumidor e que faz a diferença”. O projeto da laranja do Algarve iniciou-se em janeiro de 2020, meses depois começaram a sair camiões carregados de laranjas do Algarve rumo à Alemanha, chegando, no ano passado, às tais seis mil toneladas.
Mas os pedidos pelos produtos portugueses continuam e estão a diversificar-se. Segundo Bruno Pereira, frutos vermelhos, kiwis e batatas terão “crescimentos fortíssimos nos próximos anos”. A razão é a mesma: “as caraterísticas organolépticas dos produtos”. “Começamos este ano a exportar kiwis, porque o Norte de Portugal tem características únicas na Europa para este fruto. A campanha correu bem, foram exportadas 119 toneladas, e há expectativas que continue a crescer”.
Vinho, azeite e produtos de padaria
Fora do segmento de frutas e legumes, é nos vinhos que está o grosso das exportações do Lidl Portugal. “O produto ‘estrela’ é o vinho do Porto, com cerca de cinco a seis milhões de garrafas por ano”, explica Bruno Pereira. O azeite e os produtos de padaria e pastelaria, conservas de peixe e produtos de charcutaria estão também a contribuir para o crescimento da balança de exportações da sucursal portuguesa do Lidl para os seus congéneres europeus. Os principais mercados são, por ordem de volume, a Alemanha, o Reino Unido e a França, “e ainda o mercado suíço, que é muito importante não só pelo poder de compra, mas pelo mercado da saudade”, explica o responsável.
Todo esse movimento de exportação tem contribuído para uma mudança da percepção dos produtos portugueses na última década. “Estou profundamente convicto disso. O turismo tem contribuído muito para tal, existem muitos potenciais clientes que têm o primeiro contacto com os produtos quando viajam para Portugal. Bebem um vinho do Douro ou Alentejo ou um vinho Verde. Isso tem ajudado realmente ao aumento das exportações, são milhões e milhões de potenciais consumidores para os nossos produtos”
E o negócio?
E quanto ganha o Lidl Portugal com essas exportações? Bruno Pereira diz que o retalhista não ganha nada directamente. “Temos imenso orgulho em ajudar as empresas nacionais a exportarem e a serem mais bem sucedidas e sustentáveis no futuro, mas em termos de ganhos quantitativos para o negócio em Portugal não ganhamos nada”. Contudo, atenta que “pode existir um ganho indirecto com um fornecedores bem preparado que podem conseguir melhores preços, mas não é algo quantificado”. O responsável prefere trazer outros números à conversa, “sabemos que temos um peso de 1,15% no Produto Interno Bruto português, e por cada euro que investimos, geramos 1,78 euros na economia portuguesa”. Presente em Portugal há trinta anos, o Lidl emprega 8000 pessoas e tem quatro centros logísticos, 290 lojas e o objetivo de chegar às 360 lojas no longo prazo, como disse o administrador-delegado, Helder Rocha, numa entrevista ao “Expresso”, em dezembro passado.

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