Deepwater Management coloca chance de fusão entre Tesla e SpaceX nos 90%
A empresa de consultoria de investimento Deepwater Management colocou em 90% a chance de uma fusão entre a Tesla e a SpaceX. As cotadas em bolsa são lideradas por Elon Musk.
“Antes da conferência [de apresentação de resultados da Tesla que aconteceu na quarta-feira], acreditava que havia 80% de hipóteses da Tesla (fabricante de veículos elétricos) e da SpaceX (empresa de foguetões, satélites, e inteligência artificial) se unirem nos próximos anos. Estou a aumentar essa probabilidade para 90%”, disse o managing partner e co-fundador da Deepwater Management, Gene Munster, na rede social X.
Em declarações transcritas pela publicação financeira Investing, Gene Munster disse estar surpreendido com o facto de uma pergunta sobre uma fusão entre as duas cotadas em bolsa ter sido “simplesmente considerada” durante a apresentação de resultados da Tesla.
Em causa estiveram as declarações de Elon Musk, transcritas pelo Investing, que referiu: “Como podem perceber pelas inúmeras colaborações em tantas frentes com a SpaceX, há cada vez mais sobreposição, especialmente com a Terafab […] Obviamente, não podemos falar sobre a fusão de empresas e coisas do género numa apresentação de resultados. Isso tem de ser feito seguindo o processo adequado”.
Especialistas admitem fusão entre as duas empresas
O banco JP Morgan tinha dito numa nota, divulgada em julho, transcrita pelo Investing, que “a integração operacional entre as duas entidades já é profunda”, referindo que a partilha de recursos humanos, infraestruturas de inteligência artificial (IA), Terafab e a liderança de Elon Musk são fatores que “facilitariam uma eventual fusão”.
Já a Stifel, também transcrita pelo Investing, considerou que “muitos investidores consideram inevitável que Elon Musk acabe por combinar a SpaceX com a Tesla — para eles, a questão não é se, mas quando”.
As duas cotadas já partilham investimento como refere uma análise da Morningstar, divulgada em junho, relativamente à possibilidade de fusão entre a Tesla e a SpaceX.
“A SpaceX compra produtos da Tesla, como células de energia Tesla Megapack no valor de 506 milhões de dólares e Cybertrucks no valor de 130 milhões de dólares para as instalações da SpaceX em 2025. As duas empresas e a Intel estão em parceria no projeto Terafab para conceber, construir e ampliar um novo conjunto de microchips de IA para utilização nos robôs e camiões Optimus da Tesla, bem como nos centros de dados orbitais planeados pela SpaceX. As duas empresas estão a desenvolver aquilo a que chamam a plataforma agéntica Macrohard, que entendemos como a criação de um agente de IA que pode operar um computador de forma autónoma, como um ser humano. Existem algumas outras ligações, mas não são tão relevantes para pensar na lógica ou nas consequências de uma fusão ou outra combinação entre a SpaceX e a Tesla: A SpaceX lançou um Tesla Roadster vermelho para o espaço em 2018.
Ira Ehrenpreis é administrador em ambas as empresas. Os diretores da SpaceX, Antonio Gracias e Steve Jurvetson, são ex-diretores da Tesla. Elon Musk resolveu as acusações de fraude de valores mobiliários apresentadas pela SEC [regulador dos mercados norte-americanos] por ter tweetado sobre a possibilidade de fechar o capital da Tesla em 2018. A Tesla anuncia na rede social X (antigo Twitter). Elon Musk utiliza aeronaves da SpaceX enquanto exerce funções de gestão na Tesla, e as empresas pagam rendas e taxas uma à outra por estes acordos”, descreveu a Morningstar.
Recorde-se que antes da SpaceX, entrar em bolsa, um processo que foi oficializado a 12 de junho, Elon Musk integrou a rede social X na SpaceX.
A Morningstar vê “fortes argumentos comerciais” para uma fusão ou alguma outra estrutura de transação legal que combine as duas empresas. “Como a Tesla e a SpaceX estão a investir fortemente em inteligência artificial e a construir uma cadeia de fornecimento de IA, vemos potencial para que as duas se tornem cada vez mais interligadas nos próximos anos”, acrescentou.
“Por exemplo, o software de condução autónoma completa da Tesla para veículos de passageiros e robotáxis utilizará o Grok (modelo de inteligência artificial da SpaceX) da SpaceX como sistema de IA para interagir com os consumidores. A mesma plataforma irá provavelmente também criar a interface para o Optimus da Tesla interagir com os humanos. Vemos também potencial para que os robotáxis utilizem o Starlink para conectividade. A Tesla é já um grande fornecedor da SpaceX, vendendo baterias, painéis solares e, potencialmente, compartimentos de carga para a nave Starship da SpaceX”, disse a Morningstar.
“Além disso, as empresas têm uma joint venture com a Intel para desenvolver semicondutores especializados em computação de IA, e a Tesla seria provavelmente um parceiro fundamental no desenvolvimento de data centers orbitais, um projeto crucial a longo prazo para a SpaceX”, acrescentou a Morningstar.
Contudo a Morningstar considerou que a razão adicional mais importante para que uma fusão faça sentido é que o CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, quer “consolidar” as suas empresas num único conglomerado. “Isto permitir-lhe-ia gerir todas as operações sob o mesmo teto, sem se deparar com tantos problemas de governação. Por exemplo, Musk poderia transferir os programadores de software ou engenheiros da Tesla para trabalhar em projetos de IA da SpaceX, e vice-versa, ou fazer com que a Tesla e a SpaceX fornecessem produtos uma à outra sem a necessidade de divulgações de transações com partes relacionadas ou o risco de processos judiciais de acionistas alegando que os recursos de uma empresa estão a ser desviados em benefício da outra”, descreveu.
Contudo a Morningstar considera que existem factores que não fazem sentido avançar com a fusão entre Tesla e SpaceX.
A começar por as duas empresas terem objetivos a longo prazo diferentes. “A Tesla pretende fazer a transição do seu negócio, passando da venda primária de automóveis e baterias para a venda de software de condução autónoma (tanto para os proprietários de Tesla como para os clientes de robotáxis) e de robôs humanoides. Embora a SpaceX possa ajudar a Tesla com a xAI e a Starlink, os mesmos resultados poderiam ser alcançados através de joint ventures”, defendeu a Morningstar.
A isto juntam-se questões regulamentares. “A SpaceX é uma grande contratada do governo e das forças armadas dos Estados Unidos, enquanto a Tesla possui importantes operações automóveis e de baterias na China. Isto poderá gerar escrutínio por parte dos organismos reguladores norte-americanos, relacionado com preocupações de segurança nacional na cadeia de abastecimento da empresa”, alerta a Morningstar.
A Morningstar diz ainda que acredita que a proporção da participação acionista de cada empresa na entidade combinada “pode ser um obstáculo suficientemente complexo” para impedir que a fusão seja concretizada.
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