Tecnológicas destruíram 156 mil empregos no semestre
O que começou como uma correção do ‘boom’ de contratação do tempo da pandemia transformou-se numa nova forma como as empresas tecnológicas reestruturaram departamentos, adotando fluxos de trabalho baseados em IA e otimizaram os níveis de pessoal para melhorar a eficiência e reduzir custos. O balanço do primeiro semestre indica que se perderam mais de 156 mil empregos – com grande destaque para os Estados Unidos. Se este ritmo, 2026 fechará com a perda de mais de 290 mil empregos no setor, acima dos 245 mil perdidos em 2025.
A consultora TradingPlatforms baseou-se nos dados da TrueUp, TechCrunch e de múltiplos bancos de dados oficiais para chegar àquele valor, para concluir que Estados Unidos continuam a ser o mercado que mais empregos destruiu: 128.170 cortes em 152 empresas desde o início de janeiro, cerca de 81,8% do total global de 156.975.
A Oracle é a empresa com o maior número de demissões, tendo cortado mais de 25 mil empregos como parte de uma reestruturação impulsionada pela introdução massiva de IA. A Amazon surge em segundo lugar, com aproximadamente 16.600 demissões.
Uma das ‘ondas’ mais significativas de demissões deste ano vem da empresa de consultoria e terceirização de tecnologia da informação Cognizant. Só em m abril, foram despedidas quatro mil pessoas, num total do semestre entre 12 mil e 15 mil empregados.
A Meta também continuou a reduzir a força de trabalho, eliminando cerca de 10.400 empregos. Os cortes começaram em janeiro.
No resto do mundo
Fora dos Estados Unidos, a Austrália ocupa um distante segundo lugar, com 4.561 demissões. WiseTech Global, Atlassian e Telstra destacaram-se nesta matéria.
Empresas que funcionam na cloud e de computação são responsáveis pelo maior número de despedimentos, 37.440 no total, seguidas do comércio eletrónico (22.511) e serviços de TI (16.756).
Na Europa, as demissões são mais fragmentadas, mas ainda assim significativas. Os Países Baixos (2.580), Suécia (2.158) e Áustria (dois mil) são os mercados com mais demissões no setor, seguidas pelo Reino Unido (1.421) e Alemanha (1.296). Segundo estudo, pressões na fabricação de semicondutores, telecomunicações e serviços de TI, a precisarem de ajustes estruturais contínuos nos explicam estas demissões.
Na Ásia e no Médio Oriente, a redução da força de trabalho está distribuída por centros de inovação de topo, com Israel (3.641) a registar o maior número de demissões, seguido pela Índia (2.697) e Singapura (1.289). Os cortes abrangem uma ampla gama de setores, incluindo startups de IA, plataformas de e-commerce e empresas de cibersegurança. Uma parcela crescente dessas demissões está ligada à automação e à adoção de IA, especialmente em Israel e Singapura, reforçando a rápida mudança da região para modelos operacionais mais suportados por tecnologia.
Várias empresas europeias realizaram rondas de demissões importantes. A AMRAM, sediada na Áustria, suprimiu cerca de dois mil empregos como parte de um esforço para melhorar margens como resposta à diminuição da procura de semicondutores. Na Suécia, a Ericsson anunciou aproximadamente 1.900 demissões, em grande parte ligadas a iniciativas de corte de custos em resposta ao crescimento mais lento do setor global de 5G. A líder neerlandesa de equipamentos de fabricação de chips, a ASML reduziu a força de trabalho em cerca de 1.700 empregos, principalmente em cargos de gestão e técnicos.
Malefícios da IA
A Inteligência Artificial emergiu como um dos principais motores da mudança de processos e, por osmose, dos despedimentos. Até meados de julho de 2026, quase 60% de todas as demissões globais estavam ligadas a reestruturações impulsionadas pela utilização crescente de IA. O impacto não se limita já a funções de apoio ou operacionais; equipas de engenharia, alta liderança e até divisões inteiras de produto estão a ser reorganizadas em torno da expectativa de que a IA possa assumir uma parcela crescente do trabalho.
No entanto, refere o estudo, a realidade por trás desses números é mais subtil. Embora as empresas apresentem a IA como um motor de eficiência, relativamente poucas possuem sistemas de IA totalmente operacionais capazes de assumir cargas de trabalho significativas. Enão estão a usar esses sistemas em larga escala. Ou seja, muitas demissões parecem ser medidas preventivas de corte de custos para financiar infraestrutura de IA, e não o resultado direto da automação. O que sugere que algumas perdas de empregos relacionadas com a IA podem eventualmente ser compensadas pela recontratação, muitas vezes em regiões de salários mais baixos, assim que a implementação acompanhar as expectativas.
Ao mesmo tempo, o cenário de contratação mostra uma mudança direcionada, em vez de uma contração total. A procura de especialistas em IA continua a crescer, mesmo com a queda geral do emprego em tecnologia, sinalizando um setor que se consolida em torno de especificidades altamente especializadas. Se essa transformação acabará por criar tantas oportunidades de emprego como aquelas que eliminou, ainda é incerto. Talvez o ano de 2027 traga a resposta a essa dúvida. Todo o estudo em https://www.tradingplatforms.co.uk/research/tech-sector-layoffs/
Share this content:



Publicar comentário