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Trump novamente desmentido: Irão está a negociar, mas com Omã

Trump novamente desmentido: Irão está a negociar, mas com Omã

O dia começou – tendo-se em vista o horário de Washington – com uma declaração do Donald Trump segundo a qual havia decidido suspender os ataques ao Irão para dar lugar o regresso das negociações entre os dois países. Pouco depois, veio o já tradicional desmentido da parte de Teerão: o Irão está em negociações com Omã sobre transporte marítimo no Estreito de Ormuz, mas as negociações com os Estados Unidos estão suspensas.
O regime anunciou que está em negociações com Omã sobre a criação de uma nova rota temporária pelo Estreito de Ormuz que permitirá o regresso da navegação comercial, mas ainda não retomou as conversas com os Estados, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Teerão esta segunda-feira. Esmail Baghaei respondia assim às declarações de Donald Trump de que as negociações entre os dois lados, abrangendo todas as principais divergências, poderiam ser retomadas exatamente esta segunda-feira. “Não estamos negociando com os Estados Unidos neste momento”, afirmou.
Trump indicara que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, lhe tinha telefonado para pedir o regresso do diálogo diplomático. Segundo uma contagem que surge nas agências internacionais, terá sido a 12.ª vez que Trump cancelou ataques ao Irão com base na convicção que as negociações iriam ser reiniciadas.
Mais tarde ainda esta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos chamou a liderança iraniana de “incrivelmente dissimulada”. “Eles pedem uma reunião, alguns diriam ‘imploram’, as conversas começam, com mais agendadas para o futuro próximo, e eles dizem, abertamente e com orgulho, que não estão a ter nenhuma discussão, que nada está a ser discutido, e que estão lidando apenas com ‘Omã’. Em seguida, começam com o seu discurso habitual, dizendo que o Estreito de Ormuz será operado por eles, quando já está completamente controlado pela Marinha dos Estados Unidos e pelo nosso ‘bloqueio’”, escreveu Trump nas redes sociais.
 
Em Ormuz
Uma das propostas que Irão e Omã estão a debater será a criação de uma empresa conjunta omanita-iraniana que ofereceria todos os serviços que as seguradoras costumavam fornecer a custos elevados, mas a preços mais baixos e com tarifas preferenciais para alguns países.
Na semana passada, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que o Irão exige que os navios que entrassem no estreito seguissem uma rota ao norte, próxima do Irão, mas que alguns navios poderiam usar uma rota ao sul. O Irão rejeitou a ideia de que o tráfego fosse dividido igualmente entre as duas rotas, bem como a possibilidade de um terceiro país iniciar a desminagem das vias.
Baghaei declarou em conferência de imprensa em Teerão que “estamos a falar de um corredor que terá uma rota de ida e volta, não duas ou três rotas separadas. Essa rota será usada temporariamente até que seja tomada uma decisão sobre uma rota fixa”. Baghaei enfatizou que as conversas com Omã foram bilaterais e não envolveram os Estados Unidos. “Estamos focados em chegar a um entendimento sobre uma rota que garanta a segurança do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. O nosso esforço é para determinar uma rota o mais brevemente possível, com a consulta e cooperação de Omã”. E recordou que um acordo sobre uma rota navegável para o comércio mundial não resolveria todos os problemas, uma vez que, disse, o bloqueio naval contínuo dos Estados Unidos aos portos iranianos impede uma melhora significativa na situação no estreito.
“Regra geral, em qualquer entendimento sobre o tráfego marítimo entre dois Estados, todas as questões relacionadas com a soberania e aos direitos dos dois países, bem como questões de segurança nacional, interesses nacionais e outras relacionadas com os serviços marítimos, são consideradas e examinadas”. Ou seja, das palavras do porta-voz fica a convicção de que os dois Estados estão a levar o debate sobre o tema para lá do cenário de guerra – ou dito de outra forma: a passagem comercial no Estreito de Ormuz não vai voltar à situação existente até 28 de fevereiro passado, quando o ataque ao Irão teve início.
No fecho do mercado, o petróleo brent estava a negociar ligeiramente abaixo dos 84 dólares por barril, menos cerca de 4,7% em relação à cotação de abertura do mercado esta segunda-feira. Ao contrário, o preço do gás natural aumentou mais de 0,5% durante o dia.
 
Entretanto, em Gaza
Por outro lado, a iniciativa diplomática do presidente dos Estados Unidos para desarmar o Hamas enfrenta dificuldades, com a resistência política em Israel e os desacordos com o Hamas sobre a implementação, lançando dúvidas sobre a possibilidade de o plano alguma vez avançar.
Na semana passada, Trump elogiou o acordo como um “passo monumental” que deixou Israel “muito feliz”, mas evitou perguntas importantes sobre a reação interna no Estado hebraico. Israel insiste que o Hamas deve ser desarmado completamente antes de qualquer retirada, enquanto o Hamas afirma que Israel deve cessar os ataques e retirar as suas forças antes de entregar as armas. Um impasse que ninguém consegue desenvencilhar.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ainda não manifestou um acordo definitivo sobre o plano, uma vez que está a enfrentar uma mais que previsível pressão da parte extremista da sua coligação. Com a aproximação das eleições, a extrema-direita está ainda menos disponível para admitir qualquer tipo de entendimento com o Hamas, por muito que a pressão dos Estados Unidos vá nesse sentido. Será de recordar que os extremistas políticos e religiosos acantonados na instável maioria que gere o país disseram sempre que em nenhuma circunstância Israel deveria abrir qualquer frente de diálogo com o Hamas, a Jihad Islâmica ou qualquer outro grupo armado.
Os ataques aéreos israelitas a Gaza continuaram este domingo, matando pelo menos 18 palestinianos, lançando ainda mais pressão sobre um acordo que a maioria dos analistas considera ser de implementação impossível.

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