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Indústria do aço e metais prepara protesto em Bruxelas contra a importação “desleal”

Indústria do aço e metais prepara protesto em Bruxelas contra a importação “desleal”

A indústria europeia do metal está a preparar um protesto para o dia 7 de setembro e que levará a Bruxelas um comboio de camiões com o objetivo de realçar a pressão crescente sobre as cadeias de valor do aço e do metal no continente europeu e chamar a atenção para “a concorrência desleal, o rápido aumento de produtos importados com uso intensivo de aço, a fuga de carbono a jusante e o risco de declínio industrial em toda a Europa”.
A Eurometal, organismo que reúne as principais associações de empresas de distribuição europeia de aço, tubos e metais alerta que os derivados de aço e os bens manufaturados com uso intensivo de aço ainda podem entrar no mercado europeu sem obrigações comerciais, de origem, de carbono e regulamentares equivalentes. “O que poderá colocar em risco os empregos europeus, o investimento, a capacidade de fabrico e a autonomia estratégica”.
“O comboio não é contra a Europa; é pela indústria europeia, pelo emprego europeu, pelo comércio justo, pela credibilidade climática e por cadeias de valor resilientes”, refere a Eurometal num comunicado e acrescenta, “a Europa não pode ter um Pacto Ecológico credível, autonomia estratégica ou cadeias de abastecimento seguras se a base industrial necessária para os concretizar for autorizada a desaparecer.
De acordo com o documento de base da Eurometal, a lista restrita de derivados de aço críticos analisados aumentou de 3,774 milhões de toneladas em 2010 para 8,050 milhões de toneladas em 2024. Isto representa um crescimento de 213%. Um crescimento especialmente dinâmico é visível na tecnologia ferroviária, maquinaria eléctrica, componentes automóveis, mobiliário metálico e construções pré-fabricadas.
Segundo a Eurometal o que está em jogo vai além das siderurgias, “a distribuição de aço, os centros de serviço, os transformadores e as indústrias a jusante formam a infra-estrutura industrial concreta da Europa. De acordo com a organização, exisem cerca de 10o mil empregos directos ao comércio e distribuição de aço, cerca de 300 mil empregos directos à produção de aço, e cerca de 13,6 milhões de empregos nas indústrias a jusante a cadeias de valor europeias competitivas de aço e metais”, indica a organização.
De salientar que o negócio da metalurgia e da metalomecânica terá superado os 44 mil milhões de euros e empregado 260 mil pessoas, no ano passado. Na Europa, segundo dados de 2023, o setor era composto por 863 mil empresas, que empregavam 13,5 milhões de trabalhadores e tinham um volume de negócios de 4,1 biliões de euros.
Redução de 47% das quotas de importação
A União Europeia (UE) vai reduzir em 47% as quotas de importação de aço isentas de tarifas para 18,3 milhões de toneladas anuais, e duplicar a taxa aduaneira às importações acima da quota e aos produtos siderúrgicos, para 50%.
A proposta foi feita pela Comissão Europeia (CE), já passou pelo Parlamento Europeu (PE), onde foi aprovada no Comité do Comércio Internacional, e seguirá rapidamente para o trílogo, a negociação tripartida que inclui CE, PE e o Conselho Europeu.
O português Paulo Sousa, presidente da Metal Packaging Europe e CEO da Colep Packaging, tem alertado para o problema e indicado que a indústria europeia “está a operar num contexto cada vez mais assimétrico face a outras regiões do mundo. “Custos de energia persistentemente elevados, incerteza regulatória e falta de apoio ao comércio global justo e melhoria de acesso ao financiamento estão a minar a capacidade de investimento e inovação das empresas industriais na Europa”.
“Este debate não é apenas europeu e tem impacto direto em países como Portugal, onde a indústria é determinante para o emprego, as exportações e o crescimento económico”, refere Paulo Sousa. 
“Percebemos que a Europa tenha razões estratégicas e geopolíticas para produzir aço, mas não pode ser penalizando toda a indústria transformadora a jusante”, diz Vítor Neves, presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP).
Em 2024, as exportações portuguesas de bens totalizaram 79,3 mil milhões de euros (fonte AICEP). Neste contexto, a indústria transformadora do metal destaca-se como um dos principais pilares da base exportadora nacional, particularmente exposta aos custos energéticos e à competitividade internacional.
Em Portugal, o negócio do setor da metalurgia e metalomecânica terá superado os 44 mil milhões de euros e empregado 260 mil pessoas, no ano passado.

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