Irão: Trump anuncia “guerra económica” inédita contra Teerão
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira 19 de agosto uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a “operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país”.
Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.
O líder norte-americano precisou que a medida contempla cortar as vias utilizadas para evitar as sanções e manter os fluxos financeiros para o Irão, entre as quais o contrabando de petróleo, as linhas de câmbio de divisas, as transferências de dinheiro vivo, as casas de câmbio, os registos de navios e as empresas-fantasma.
Trump exigiu que todas estas operações “parem AGORA” e avisou que Washington vigiará os países e entidades que permitam a sua manutenção, apresentando a iniciativa como uma nova fase da pressão norte-americana sobre Teerão, após assegurar que as Forças Armadas iranianas ficaram gravemente debilitadas depois dos recentes confrontos e que a sua economia se encontra à beira do colapso.
“Isto será um DIA D económico”, afirmou, ao pedir aos aliados dos Estados Unidos que se juntem ao isolamento do Irão e ao reiterar que o seu Governo impedirá que o país obtenha uma arma nuclear.
Anteriormente, Trump tinha indicado que “talvez a qualquer altura” Washington e Teerão possam retomar negociações para pôr fim à guerra, embora tenha assinalado que a atual situação no estreito de Ormuz “é muito boa” e que muitos petroleiros o estão a atravessar sem problemas.
“Talvez em algum momento, embora neste preciso momento ache que a situação [no estreito de Ormuz] é muito boa. Mas sim, talvez em algum momento”, respondeu Trump na Casa Branca ao ser questionado sobre o estado das conversações depois de o cessar-fogo bilateral assinado em junho ter expirado esta última segunda-feira.
Após o ataque israelo-americano contra o Irão a 28 de fevereiro, Teerão retaliou com ataques aos países vizinhos aliados de Washington e bloqueou o estreito de Ormuz, uma via de trânsito estratégica para os hidrocarbonetos. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Apesar de uma diminuição recente das hostilidades, as tensões na região permanecem elevadas no sexto mês de conflito, com as negociações diplomáticas num impasse.
“Nenhuma conversa ou discussão está a ter lugar neste momento nem está programada com a República Islâmica do Irão”, declarou Donald Trump na terça-feira.
Segundo uma fonte americana contactada pela agência France-Presse, as conversações foram suspensas e Donald Trump pediu à sua equipa para não retomar o diálogo enquanto Teerão não se aproximar das posições americanas.
Contudo Teerão deu poucos sinais nesse sentido, com o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, a declarar que o estreito não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo de acordo assinado em junho.
Esse texto, que estabelecia uma trégua de sessenta dias com vista a uma resolução duradoura, ficou sem efeito com a retoma das hostilidades em julho.
Mohammad Bagher Ghalibaf, em visita a Bagdad esta quarta-feira, denunciou também a “ingerência estrangeira”, num momento em que Washington pressiona o Iraque a desarmar potentes fações armadas apoiadas por Teerão, e apelou ao “reforço regional”.
Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países limítrofes do estreito de Ormuz, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem.
O Irão, que ataca navios que tentam atravessar o estreito sem pedir autorização, pretende impor taxas de navegação pelos serviços prestados aos navios em trânsito, algo que os Estados Unidos e alguns países da região recusam terminantemente.
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