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Nvidia confirma força do investimento em IA, mas próxima fase exige retornos, defende Freedom24

Nvidia confirma força do investimento em IA, mas próxima fase exige retornos, defende Freedom24

Os resultados mais recentes da Nvidia confirmam a força do ciclo de investimento em inteligência artificial (IA), mas apontam também para uma nova fase, em que a procura por capacidade computacional deverá alargar-se às empresas, governos e projetos nacionais, segundo uma análise da Freedom24.
No segundo trimestre do exercício fiscal de 2027, a fabricante de chips registou receitas de 96,2 mil milhões de dólares (82,2 mil milhões de euros), mais 106% do que no mesmo período do ano anterior e 18% face ao trimestre anterior. Para o terceiro trimestre, a Nvidia prevê receitas de cerca de 108 mil milhões de dólares.
O lucro aumentou 126%, para 59,7 mil milhões de dólares, enquanto as receitas do segmento de Data Center, principal motor do negócio, cresceram 117%, para 89 mil milhões de dólares, segundo a análise do especialista de mercado da Freedom24 João Lampreia.
A evolução da composição das receitas mostra, contudo, uma diversificação da procura por infraestrutura de IA.
As receitas provenientes dos grandes fornecedores de serviços de computação em nuvem, os chamados hyperscalers, aumentaram 102%, para 48,7 mil milhões de dólares. Já o segmento que reúne AI Clouds, clientes industriais e empresariais cresceu 139%, para 40,3 mil milhões de dólares.
Segundo a análise, estes números indicam que o investimento em IA está a deixar de estar concentrado num grupo restrito de grandes empresas tecnológicas, com clouds especializadas, empresas industriais, laboratórios de IA e projetos governamentais a assumirem um peso crescente.
“Na prática, a primeira fase do boom da IA foi sobretudo uma corrida das grandes tecnológicas à capacidade de computação. A próxima poderá ser marcada pela expansão dessa infraestrutura a uma parte muito mais abrangente da economia”, refere a análise.
Nvidia procura alargar posição na cadeia de valor
A Nvidia está também a procurar aumentar a sua participação na cadeia de valor da IA, passando das unidades de processamento gráfico (GPUs) para sistemas de computação, CPUs, redes, software, soluções de inferência e infraestruturas para as chamadas “fábricas de IA”.
A plataforma Vera Rubin, sucessora da arquitetura Blackwell, já está em fase de produção e implementação em larga escala, numa estratégia que poderá permitir à empresa captar uma parcela maior do investimento associado a cada novo centro de dados.
Para os investidores, a expansão da infraestrutura de IA poderá beneficiar setores para além dos fabricantes de chips e dos criadores de modelos, nomeadamente energia, centros de dados, sistemas de refrigeração, equipamentos de rede e infraestrutura industrial.
Outro elemento destacado pela Freedom24 é o crescente envolvimento de investidores institucionais no financiamento da infraestrutura de IA.
A Nvidia anunciou, juntamente com grandes gestores de ativos e instituições financeiras, iniciativas destinadas a criar plataformas de financiamento de capacidade computacional de IA capazes de mobilizar mais de 500 mil milhões de dólares de capital de terceiros.
A entrada de fundos de infraestrutura, ‘private equity’ e mercados de crédito poderá reduzir a dependência dos balanços das grandes tecnológicas e acelerar a construção de novos centros de dados.
Apesar do crescimento do setor, a análise alerta para os riscos associados a possíveis estruturas de financiamento circular no ecossistema de IA.
“Tem surgido com mais insistência os receios de algum financiamento circular da Nvidia em todo o ecossistema computacional de IA”, afirma João Lampreia, referindo a possibilidade de a empresa fornecer infraestrutura e, simultaneamente, financiar, ainda que indiretamente, alguns clientes para a utilização dos seus serviços e infraestrutura.
O especialista aponta ainda para participações diretas da Nvidia no capital de empresas suas clientes, como a CoreWeave.
Os críticos destes movimentos, acrescenta, consideram que estas estruturas podem contribuir para elevar artificialmente a procura por infraestrutura de IA, num alinhamento de interesses que amplifica os ganhos enquanto o ambiente de investimento permanece favorável.
Um eventual choque negativo sobre a procura poderia, contudo, expor as fragilidades deste modelo, segundo a análise.
A questão passa, por isso, não apenas pela existência de procura por capacidade computacional, mas pela capacidade dessa infraestrutura gerar retornos económicos suficientes para justificar o investimento realizado.
Rentabilidade passa a ser o próximo teste
A próxima fase do ciclo deverá ser mais exigente para empresas e investidores, com a Nvidia a prever uma redução da margem bruta de 75% para cerca de 74% no trimestre seguinte, ao mesmo tempo que mantém o investimento em novas tecnologias e no desenvolvimento do ecossistema.
Se numa primeira fase a prioridade era garantir acesso aos chips e capacidade computacional, o foco passa agora para a monetização dessa infraestrutura e para o retorno económico dos investimentos, segundo a Freedom24.
A previsão de receitas da Nvidia para o terceiro trimestre, de 108 mil milhões de dólares, não inclui receitas de Data Center Compute na China. A exclusão reduz a exposição imediata da previsão a fatores geopolíticos, embora a China continue a representar simultaneamente uma oportunidade de crescimento e um risco devido às restrições às exportações.
Em bolsa, as ações da Nvidia mantêm uma tendência de longo prazo positiva, embora estejam numa fase de consolidação próxima dos máximos históricos. A análise identifica uma resistência imediata entre 228 e 236 dólares e suportes em torno de 190 e 164 dólares.
Segundo dados da TradingView citados pela Freedom24, o preço-alvo médio a 12 meses dos analistas é de 317,32 dólares, embora exista uma dispersão significativa nas estimativas.
Para a Freedom24, os resultados da Nvidia mostram que o boom da IA continua, mas que o mercado está a entrar numa etapa diferente, marcada pela construção de um ecossistema global de infraestrutura, financiamento e aplicações.
A questão central para os investidores será agora perceber se os níveis recorde de investimento em IA conseguem transformar-se em fluxos de caixa sustentáveis, ganhos de produtividade e retornos económicos suficientes para sustentar a próxima etapa do ciclo.

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