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Portugal faz pontaria a grandes negócios. Valem 10 mil milhões

Portugal faz pontaria a grandes negócios. Valem 10 mil milhões

“O dinheiro nunca dorme”, já dizia o implacável investidor Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas, no filme “Wall Street”. Portugal está a fazer mira a grandes negócios de vendas de empresas que podem atingir os 4,5 mil milhões, que se juntam aos mais de 5,4 mil milhões de euros já fechados este ano. A rentrée promete agora novos negócios: TAP, Logoplaste, Indaqua, Gamalife, DSTelecom e REN são as operações na calha. Tudo junto são mais de 10 mil milhões de euros em grandes negócios.
Começando pela TAP, a posição de 45% à venda está avaliada entre os 800 a mil milhões de euros, o que coloca a companhia a valer entre 1,6 mil milhões a dois mil milhões de euros na sua totalidade, apontam fontes do mercado ao Jornal Económico. O relatório da Parpública a avaliar as propostas da Lufthansa e da Air France-KLM foi entregue ao Governo esta semana, seguindo-se a fase de negociações.
Indaqua o negócio mais avançado
Já na Indaqua, o maior operador privado de concessões municipais de água em Portugal, o negócio encontra-se atualmente em fase de ‘due dilligence’, em que os interessados estão a realizar uma investigação aprofundada sobre a empresa, antes de apresentarem uma proposta vinculativa.
A expetativa é vender acima dos mil milhões de euros com o comprador a ser escolhido ainda este ano, pelo fundo francês Antin Infrastructure Partners. Com as devidas autorizações necessárias, o negócio só deverá ficar totalmente fechado no primeiro trimestre de 2027.
Há três interessados na fase final, sabe o Jornal Económico: a Manila Water, a Igneo, e o fundo de pensões canadiano British Columbia Investment Management Corporation.
Por sua vez, a Logoplaste, produtora de embalagens de plástico, também tem 60% do seu capital à venda, que são detidos pelo fundo de pensões canadiano Ontario Teachers’ Pension Plan (OTPP). Este negócio pode atingir os mil milhões de euros, com a companhia avaliada em 1,7 mil milhões.
Os fundos de private equity KKR e a Apax Partners avançaram com ofertas não vinculativas para comprar a Logoplaste este ano. Mas desde então que o negócio não tem tido evoluções. Segundo apurou o JE, a venda da Logoplaste continua no mercado, mas não há garantias que feche este ano.
DSTelecom pode valer mais de 500 milhões
Outro negócio na calha é a venda da DSTelecom pelo Cube Infrastructure Managers, que é desde 2018 dono de 54% do maior operador grossista de telecomunicações em Portugal. A expetativa é que a venda gere mais de 500 milhões de euros, sabe o JE.
O Vauban Infrastructure Partners chegou a estar mais bem posicionado para a compra da DSTelecom, mas não terá chegado a acordo no preço.
O Natixis, que está a assessorar a operação, voltou então a revisitar todas as propostas, nomeadamente a do fundo KKR, sem, no entanto, deixar cair a proposta da Vauban. Há ainda a Fastfiber que chegou a analisar a operação. Embora os dois primeiros estejam mais bem posicionados.
Outra operação no mercado é a venda da Telcabo, empresa portuguesa de referência nas áreas das telecomunicações e energia e concorrente da Sinalcabo. A operação está na fase de recolha de propostas vinculativas, com fundos internacionais na corrida à compra da companhia. A Telcabo já operou em 29 países ao longo da sua história. Atualmente, mantém uma presença permanente e estruturada em mercados estratégicos, com destaque para o Reino Unido e a Irlanda (através da sua participada Gaeltec Utilities).
Mas há mais. A Apax Partners contratou o UBS e a Nomura para encontrar compradores para a GamaLife, seguradora nascida da transformação da GNB Vida, adquirida ao Novobanco em 2019.
A companhia está avaliada em 600 milhões de euros, segundo avançou a Reuters. Na corrida estão Groupe BPCE, a seguradora Generali (dona da Tranquilidade) e o banco italiano BFF. mas o BPCE está ainda, ao que se sabe, na ‘pole position’ como escreveu o Jornal Económico no final de maio.
No setor da energia, a distribuidora de gás natural Floene também tem 22,5% do capital à venda, depois de o consórcio japonês Marubeni/Toho Gas ter decidido vender a sua participação. A Italgas está agora em conversações exclusivas com a Floene, revelou o “Mergermarket”. Os restantes 75% vão continuar nas mãos dos alemães da Allianz Capital Partners, com uma fatia de 2,5% a ser detida pela Galp, a antiga dona da empresa.
Fusão da Galp e Moeve
Um dos negócios mais noticiados desde o início do ano é a fusão entre a Galp e a Moeve dos seus negócios de vendas de combustíveis e de refinação.
A petrolífera portuguesa prevê fechar a operação com os espanhóis até ao final deste ano, apesar de o prazo inicial ter derrapado, devido à complexidade de realizar o ‘due dilligence’ em diferentes geografias.
A fusão entre a Galp e a Moeve vai dar origem a uma empresa com 3.500 postos de abastecimento em Portugal e Espanha e vai ter a capacidade para processar 700 mil barris diários de petróleo e combustíveis.
Também no setor energético, o Estado português anunciou em agosto a compra de 14% da companhia, por 380 milhões de euros, incluindo um prémio de 55 milhões, a uma sociedade de investimento detida pelo dono da Zara, o galego Amancio Ortega, a Pontegadea Inversiones.
A compra aguarda ainda pela aprovação do Tribunal de Contas. A compra de uma participação na REN pelo Estado foi abordada durante uma visita do Governo português em setembro de 2025, revelou esta semana a ministra do Ambiente e da Energia Maria da Graça Carvalho. A China State Grid é a maior acionista da REN com 25%.

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