Regras de capital do UBS enfrentam novo obstáculo no Parlamento suíço
Um grupo de deputados suíços apoia uma moção para devolver ao Governo a decisão sobre as novas regras de capital aplicáveis ao UBS, antes de uma votação prevista para quinta-feira na câmara alta do Parlamento sobre o acordo relativo ao projeto de lei, negociado no mês passado.
A proposta surge no âmbito da reforma da regulamentação bancária suíça, lançada após o colapso do Credit Suisse em 2023 e a sua posterior aquisição pelo UBS. O processo coloca em confronto as exigências do Governo suíço e as preocupações do UBS sobre o impacto das novas regras na sua posição face aos concorrentes internacionais.
O Conselho Federal suíço pretende que o UBS seja obrigada a cobrir integralmente, com capital de base de nível 1 (CET1), as suas unidades no estrangeiro. Segundo o Governo, o conjunto das medidas propostas obrigaria o maior banco suíço a reforçar o seu capital CET1 em cerca de 20 mil milhões de dólares.
O UBS considera que essa exigência é excessiva e defende que colocaria o banco em desvantagem face aos seus rivais internacionais.
Um comité da Câmara dos Cantões aprovou no mês passado um compromisso que permitiria à UBS utilizar até 13 mil milhões de dólares em capital adicional de nível 1 (AT1) para cobrir as suas unidades estrangeiras, reduzindo assim a necessidade de capital CET1.
O deputado Andrea Caroni, do Partido Liberal Radical (FDP), apresentou na segunda-feira uma moção para devolver a legislação ao Conselho Federal, defendendo que cabe ao Governo decidir sobre os requisitos de capital.
“O Conselho Federal é o órgão certo para decidir sobre os requisitos de capital”, disse Caroni à Reuters, acrescentando esperar que a moção seja aprovada, embora tenha reconhecido que “a situação é muito fluída”.
Caso seja aprovada pela Câmara dos Cantões, a moção terá ainda de passar pela Câmara Nacional, a câmara baixa do Parlamento suíço. Se avançar, poderá abrir caminho para que o Governo introduza diretamente requisitos de capital mais rigorosos para o UBS.
A ministra das Finanças suíça, Karin Keller-Sutter, também do FDP, defende que as exigências mais apertadas são necessárias para evitar que os contribuintes tenham de suportar os custos de um eventual futuro colapso bancário, na sequência da crise do Credit Suisse.
Ainda não é claro se a moção de Caroni conseguirá reunir uma maioria na Câmara dos Cantões, composta por 46 membros. O próprio FDP encontra-se dividido quanto à melhor forma de reformar as regras aplicáveis ao UBS.
Fabio Regazzi, deputado do Partido do Centro, que constitui o maior grupo parlamentar na Câmara dos Cantões, afirmou que continuam em aberto vários desfechos possíveis.
Os sociais-democratas, por sua vez, já indicaram que irão lançar uma campanha para um referendo caso o Parlamento aprove uma redução das exigências do Governo e permita que a UBS não tenha de financiar com 100% de capital CET1 as suas subsidiárias estrangeiras.
A reforma da regulamentação bancária suíça constitui uma das principais respostas políticas ao colapso do Credit Suisse, cuja aquisição pelo UBS foi concluída em 2023.
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