Apenas metade dos viajantes permite que a Inteligência Artificial faça reservas de voos ou hotéis em seu nome
Durante décadas, planear uma viagem significava seguir um percurso relativamente previsível: imaginar um destino, pesquisar opções, comparar preços, fazer uma reserva e viajar. Mas o mais recente estudo da consultora McKinsey baseado num inquérito a mais de 1.000 viajantes norte-americanos indica que a inteligência artificial veio mudar por completo a forma como viajamos. Se por um lado, 62% dos viajantes afirmam que as ferramentas de IA facilitaram o planeamento de uma viagem, por outro, apenas metade permite que a Inteligência Artificial faça reservas de voos ou hotéis em seu nome, sendo que 86% dos inquiridos assumem que preferem efetuar a reserva final pessoalmente.
Os dados indicam que 62% dos viajantes afirmam que as ferramentas de IA tornaram o planeamento de viagens mais fácil, enquanto mais de metade espera utilizá-las ainda mais nos próximos 12 meses.
De resto, as ferramentas de IA já são usadas por 34% dos viajantes durante a fase de pesquisa, sendo este o momento de todo o processo da marcação de uma viagem em que a sua utilização é mais elevada, diminuíndo à medida em que este processo avança.
No entanto, a adoção da IA não significa que os consumidores estejam preparados para entregar todas as decisões às máquinas. Segundo o estudo, 71% dos viajantes sentem-se confortáveis em utilizar IA para gerar ideias iniciais e 67% aceitam que esta compare e reduza as opções.
Contudo, a confiança dos utilizadores diminui quando chega o momento de autorizar uma reserva, dado que este passo significa comprometer dinheiro, datas, condições de cancelamento e decisões que podem afetar toda a viagem.
O estudo aponta que 78% dos viajantes afirmam continuar a planear e pesquisar depois de efetuarem uma reserva. Apenas 18% dizem parar quando as principais reservas estão concluídas. Depois de efetuarem a reserva, 68% continuam a pesquisar restaurantes, atividades e experiências, enquanto 64% continuam a consumir conteúdos nas redes sociais sobre o destino. Além disso, 48% partilham os seus planos ou pedem recomendações a amigos e às suas redes sociais.
Toda esta transformação representa simultaneamente uma oportunidade económica e um desafio estratégico para o turismo. Como tal, não será certamente uma coincidência que esta segunda-feira, 28 de setembro, o setor em Portugal celebre o seu dia mundial (que acontece a 27 de setembro), tendo a Organização das Nações Unidas (ONU) definido como tema para a celebração da data a nível mundial, a “Agenda Digital e Inteligência Artificial para redesenhar o turismo”.
Em entrevista à agência Lusa, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) diz que o setor do turismo está saudável, mas que, dada a conjuntura nacional e internacional, é hora de deixar de ter como prioridade o número de turistas e focar na criação de valor.
“O estado de saúde do turismo continua bom. Os crescimentos não têm sido, de facto, os do passado, mas os recordes continuam-se a bater. Temos que contextualizar bem o que é que estamos a falar. De 2009 a 2019, os turistas em Portugal dobraram. Crescimento de 100%. É evidente que quando já estamos a falar de milhões de turistas, milhões de dormidas, não podemos continuar com esta senda de crescimento. De qualquer maneira, os últimos dados disponíveis que temos são os dados a julho de 2026 e continuamos a crescer e, portanto, quer dizer que isto comprova que a saúde do turismo continua boa”, afirmou Francisco Calheiros.
Os proveitos totais do turismo atingiram os 923,7 milhões de euros em julho, o que significou tanto um crescimento homólogo, como em relação a junho de 4,9%. Já os proveitos de aposento observaram também um aumento de 4,9% para 734,4 milhões de euros e de 4,8% face ao mês anterior, segundo os dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no dia 31 de agosto.
O Algarve concentrou a maior parcela dos proveitos (35,0% dos proveitos totais e 35,1% dos proveitos de aposento), seguindo-se a Grande Lisboa (21,2% e 21,9%, pela mesma ordem) e o Norte (14,1% e 14,2%, respetivamente).
Os proveitos aumentaram em todas as regiões, com exceção da Grande Lisboa, onde os proveitos totais diminuíram (-2,0% nos proveitos totais e -2,2% nos de aposento). Os maiores crescimentos foram observados no Alentejo (+19,8% nos proveitos totais e +19,7% nos de aposento) e na Península de Setúbal (+10,9% e +10,6%, pela mesma ordem).
No mês em análise verificaram-se 3,4 milhões de hóspedes (+1%) e 9,6 milhões de dormidas (+2,1%), enquanto em relação a junho os aumentos foram de 0,8% e 0,7%, respetivamente. As dormidas de residentes atingiram os 3,1 milhões, refletindo um crescimento de 5,1% (+3,7% em junho), enquanto as dormidas de não residentes ascenderam a 6,6 milhões e aumentaram 0,7%, retomando a trajetória de crescimento após a diminuição registada em junho (-0,5%).
Nas dormidas de não residentes, a evolução foi maioritariamente positiva nas diferentes regiões. O Norte registou o maior aumento (+5,1%), seguido da Península de Setúbal (+4,4%). Em sentido contrário, os maiores decréscimos ocorreram no Centro (-9,1%) e no este e Vale do Tejo (-5,3%,).
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