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CLIA: Indústria de navios cruzeiros acelera adoção de combustíveis alternativos e práticas de sustentabilidade

CLIA: Indústria de navios cruzeiros acelera adoção de combustíveis alternativos e práticas de sustentabilidade

O relatório anual da CLIA – Associação Internacional das Companhias de Cruzeiros, intitulado Tecnologias e Práticas Ambientais (ETP), revela que está a verificar-se um aumento no uso de combustíveis alternativos ao fuelóleo pesado a que se junta também progressos na disponibilização de ligações elétricas em terra, tratamento avançado de águas residuais, produção de água doce a bordo, flexibilidade de combustíveis e sistemas de eficiência energética.
O relatório é publicado desde 2018 e é a única fonte da indústria que monitoriza de forma abrangente e consistente, ano após ano, dados da frota relativamente à adoção de tecnologias e práticas ambientais em mais de 90% dos navios de cruzeiro de oceano a nível mundial, salienta a associação.
“Ano após ano, os dados demonstram que as companhias de cruzeiros continuam a investir nas tecnologias, combustíveis e capacidades operacionais que estão a tornar a frota global de cruzeiros mais eficiente e a prepará-la para o futuro. O progresso refletido neste relatório é o resultado do investimento e inovação sustentados pelas companhias de cruzeiros mundiais — desde navios mais eficientes e motores multifuel, até capacidade de fornecimento de ligações elétricas em terra e sistemas ambientais avançados”, disse o presidente e CEO da CLIA, Bud Darr.
Bud Darr acrescentou que as companhias de cruzeiros “continuam a apostar” no cumprimento de objetivos ambiciosos de descarbonização, construindo navios capazes de utilizar novas fontes de energia com menores emissões juntamente com uma série de outras tecnologias e práticas ambientais. “Maximizar todo o potencial desses investimentos exigirá que produtores de combustíveis, governos, portos, fornecedores de energia e outras partes interessadas contribuam para criar as condições necessárias para que combustíveis renováveis e de menores emissões seguros sejam competitivos e estejam disponíveis em escala, apoiados pela infraestrutura necessária”, acrescentou.
O relatório revela, ao nível do perfil da frota, que a partir de agosto de 2026, as 45 companhias de cruzeiros de oceano membros da CLIA operam um total de 327 navios com 692 mil lugares de capacidade base, o que representa mais de 90% da capacidade mundial de navios de cruzeiro de oceano.
“O relatório deste ano reflete as tecnologias ambientais em vigor nos navios das companhias de cruzeiros membros da CLIA em operação durante 2025, num total de 297 navios de oceano, que representam 96% dos navios membros da CLIA e 98% da capacidade global dos membros da CLIA durante o ano”, salienta.
A análise da frota atual de companhias de cruzeiros membros da CLIA indica que a maioria dos navios de cruzeiro de oceano — 72% — são navios de pequena e média dimensão (<3.000 de capacidade base). “Prevê-se que a percentagem de navios por tamanho se mantenha relativamente equilibrada até 2039 (de acordo com os dados da carteira de encomendas atual)”, acrescenta.

Categoria de navios
% de navios: 2026
% de navios: 2039

Navios Pequenos (<1,000 capacidade)
34.5%
33.6%

Navios médios(1,000 to 3,000 capacidade)
37.2%
34.6%

Navios grandes  (>3,000 capacidade)
28.3%
31.8%

 
O relatório mostra ainda a adoção cada vez maior de motores multifuel (motores capazes de alternar entre combustíveis convencionais e combustível de emissões zero e próximas de zero tanto em porto como em mar). O número de navios membros da CLIA com motores multifuel passou de apenas um em 2018 para 30 na atualidade.
“Com base na carteira de encomendas à data de agosto de 2026, estão previstos entrar ao serviço 31 navios membros da CLIA com motores multifuel até ao final de 2026, e mais 56 navios até ao final de 2030. Até 2039, estão previstos 69 navios membros da CLIA multifuel, incluindo os 30 navios já existentes e mais 39 novos navios agendados para entrega”, refere.
É ainda referido que as companhias de cruzeiros “continuam a reduzir a dependência” do fuelóleo pesado à medida que surgem opções de combustíveis de baixo teor de enxofre e com menores emissões. “Estes resultados são o reflexo de navios mais eficientes, melhorias operacionais, planeamento de itinerários e investimento contínuo em flexibilidade de combustíveis, e sublinham a necessidade de disponibilização de combustíveis marítimos de emissões zero e próximas de zero em escola e se forma segura”, acrescentou.
Os dados comunicados à Organização Marítima Internacional (IMO) por navios de passageiros de cruzeiro, o uso de fuelóleo pesado por parte das companhias de cruzeiro de oceano desceu de 74,2% em 2019 para 60,6% em 2024, enquanto o uso combinado de combustíveis alternativos ao fuelóleo pesado — incluindo gasóleo marítimo, fuelóleo de teor muito baixo e ultra-baixo de enxofre, GNL e outros tipos de combustíveis comunicados — subiu de 25,8% para 39,4%.
“Os dados da IMO são em grande medida coerentes com os do estudo da CLIA ao nível dos combustíveis alternativos ao fuelóleo pesado, que situam as suas companhias de cruzeiros membros em 40,3% em 2025. Uma análise dos dados mais recentes comunicados à Agência Europeia de Segurança Marítima através da base de dados UE THETIS-MRV demonstra melhorias nos indicadores de eficiência média por navio para navios de cruzeiros a navegar na Europa. De 2018 a 2025, o consumo médio de combustível por navio diminuiu aproximadamente 18,5% e as emissões médias de CO₂ por navio diminuíram aproximadamente 19,4%”, acrescentou.
Tem existido também uma evolução assinalável ao nível da tecnologia Ligação Elétrica em Terra (OPS). Esta permite aos navios desligar os seus motores nos portos, sempre que exista uma infraestrutura necessária disponível para navios de cruzeiro, e permite “reduzir significativamente” as emissões ao cais dependendo da combinação de fontes de energia. “A redução das emissões pode ser ir até 98%, com todas as emissões cobertas, de acordo com estudos conduzidos por diversos portos mundiais e agências regulatórias, incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA”, salienta a CLIA.
O número de navios das companhias de cruzeiros membros da CLIA com capacidade de elétrica em Terra (OPS) mais do que triplicou desde 2018, aumentando de 55 navios em 2018 (representando 25,0% dos navios e 27,9% da capacidade) para 193 navios atualmente (representando 65% dos navios e 72,5% da capacidade), salienta o relatório.
Está previsto que 47 navios sejam remodelados com sistemas de OPS, e 39 novos navios serão também equipados com esta tecnologia. “Atualmente, 40 portos a nível mundial — menos de 3% — têm pelo menos um cais de cruzeiro com OPS. Estas projeções realçam que, apesar do investimento contínuo da indústria de cruzeiros para estar preparada para o sistema OPS, a exploração de todo o potencial de redução de emissões proveniente do sistema OPS dependerá também do investimento contínuo em infraestrutura portuária e energética compatível nos locais onde navios de cruzeiro atracam”, acrescenta.
“Como parte das regulações de descarbonização da UE, até 2030 os principais portos da Europa serão obrigados a ter sistema OPS, o que deverá acelerar ainda mais o investimento em infraestrutura portuária nessa região”, salienta a associação.
Os navios estão também a adotar em maior número a Tecnologia de Redução Catalítica Seletiva (SCR). Os sistemas de SCR reduzem as emissões de partículas e óxidos de azoto, ajudando os navios a cumprir os padrões Tier III da IMO para emissões de óxidos de nitrogénio. “O número de navios das companhias de cruzeiros membros da CLIA equipados com sistemas SCR aumentou significativamente, de sete navios em 2018, representando 3,2% da capacidade, para 96 navios em 2026, representando 32,3% dos navios e 27,6% da capacidade”, adianta.
A isto juntam-se os Sistemas de Produção de Água Doce e Tratamento de Águas Residuais. Na produção de água potável já estão disponíveis sistemas com tecnologia de ponta que permitem aos navios produzir a maioria das suas necessidade de água a bordo em vez de a retirar de portos e destinos onde os recursos podem ser limitados.
Ao nível da frota de navios aderente à CLIA 293 navios, representando 98,7% dos navios e 99,9% da capacidade, têm capacidade de produzir água potável a bordo. “Deste total, 218 navios, (73,4% de todos os navios e 83,3% da capacidade, têm capacidade de produzir 100% das suas necessidades de água potável a bordo, o que significa que podem teoricamente operar sem reabastecer água”, acrescenta.
Todos os navios membros da CLIA que estão a navegar possuem sistemas de tratamento de águas residuais a bordo, e a maioria utiliza Sistemas Avançados de Tratamento de Águas Residuais, que têm capacidade de exceder os requisitos do Anexo IV da MARPOL. “Adicionalmente, como parte do seu foco de sustentabilidade, os membros das companhias de cruzeiros CLIA comprometeram-se a não lançar águas residuais não tratadas em nenhuma parte do mundo durante operações normais”, salienta o relatório.
“Entre a frota de membros das companhias de cruzeiros CLIA, 249 navios, representando 83,8% do total da frota e 86,2% da sua capacidade, estão equipados com AWTS aprovados, utilizados e com capacidade de cumprir ou exceder os padrões de descarga do Anexo IV MARPOL da IMO. Isto representa um aumento de 136 navios em 2018 para 249 navios em 2026, refletindo investimento contínuo em tecnologia avançada de tratamento de águas residuais em toda a frota. Deste total, 124 navios com AWTS têm capacidade de cumprir os padrões mais rigorosos de águas residuais da Área Especial do Mar Báltico do Anexo IV MARPOL da IMO, comparado com 16 navios em 2018”, acrescenta.
A indústria está também a adotar tecnologias de gestão de resíduos a bordo e práticas concebidas para reduzir resíduos na fonte, aumentar reciclagem e reutilização, e reduzir o volume de resíduos enviado para aterro. “Alguns navios têm agora capacidade de reciclar ou reutilizar praticamente todos os resíduos gerados a bordo”, adianta.
A associação refere que a gaseificação de conversão de resíduos em energia “permanece uma tecnologia emergente” de gestão de resíduos a bordo na frota de cruzeiros. “Atualmente em uso em sete navios, representando uma capacidade de 12.276 lugares, ou 1,8% da capacidade total, estes sistemas convertem resíduos em energia utilizável para apoiar operações do navio e compensar parte da utilização de energia a bordo”, explica.
Digestores microbianos para resíduos alimentares estão atualmente em uso em 137 navios. Representam 46,1% da frota total e 51,3% da capacidade total, os digestores microbianos “ajudam a processar e reduzir o volume de resíduos alimentares a bordo, apoiando uma gestão de resíduos mais eficiente. Em 2022 apenas 103 navios tinha esta tecnologia disponível”.

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