Dívida pública de Moçambique passa 75% do PIB até junho e chega a 15,2 mil milhões de euros
A dívida pública moçambicana cresceu no segundo trimestre para 1,146 biliões de meticais (15,2 mil milhões de euros), mais de 75% do PIB, impulsionada pelo aumento da dívida interna e pelo financiamento do banco central.
No boletim trimestral da Dívida Pública referente ao segundo trimestre de 2026, o Ministério das Finanças sustenta que o ‘stock’ da Dívida Pública e Garantida de Moçambique registou um aumento nominal na ordem de 153,41 milhões de dólares [130,1 milhões de euros] em comparação com o trimestre anterior.
Esse volume passou de 17.774,43 milhões de dólares (15,1 mil milhões de euros) para 17.927,84 milhões de dólares (15,2 mil milhões de euros), correspondente a 1.145.588,51 milhões de meticais e 75,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Refere ainda que “o crescimento da dívida do Governo Central foi influenciado maioritariamente pelo incremento da dívida interna, que aumentou 3% no período, em resultado das novas emissões no âmbito da Facilidade de Crédito do Banco Central e pela rolagem de juros das Obrigações do Tesouro”.
Só a dívida do Governo central atingiu 1.110.985,56 milhões de meticais (14,8 mil milhões de euros) no final de junho, equivalentes a 17.386,32 milhões de dólares, correspondendo a 73,6% do PIB, refere o documento.
Acrescenta que a dívida interna aumentou de 529.837,81 milhões de meticais (7,1 mil milhões de euros) para 545.406,67 milhões de meticais (7,3 mil milhões de euros), representando já 49,1% do total da dívida do Governo central.
Já a dívida externa recuou 0,8%, para 8.851 milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros) no segundo trimestre.
Entre as componentes da dívida interna destacam-se as Obrigações do Tesouro, que totalizavam 201.094,36 milhões de meticais (2,7 mil milhões de euros) até junho, equivalentes a 37% do ‘stock’ da dívida interna, e os financiamentos junto do Banco de Moçambique, que ascenderam a 159.052,78 milhões de meticais (2,1 mil milhões de euros).
O aumento do endividamento doméstico refletiu-se igualmente no serviço da dívida, situando-se em junho em 133,29 mil milhões de meticais (1,78 mil milhões de euros), dos quais 120,68 mil milhões de meticais [1,61 mil milhões de euros] correspondem à amortização do capital e 12,60 mil milhões de meticais [168 milhões de euros] ao pagamento de juros.
O Ministério das Finanças refere ainda que o aumento do serviço da dívida interna correspondeu a 22,24 mil milhões de meticais (297 milhões de euros), ou 20% face ao trimestre anterior, “decorrente da rolagem de Bilhetes do Tesouro, dos leilões de troca e do pagamento de juros de Obrigações do Tesouro”.
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