Exportações. Máquinas e carros não levantam voo, mas ganham quota
O ano passado foi positivo para os setores das máquinas e do material de transporte, que o Eurostat agrega num só. As contas do Jornal Económico, com base nos dados do gabinete de estatísticas europeu, mostram que o peso desta categoria no total das exportações portuguesas cresceu 1,2 pontos percentuais (p.p). Pode não parecer muito, mas foi a terceira maior subida de quota em toda a União Europeia, a seguir ao Luxemburgo e à Croácia, num contexto em que 16 países registaram uma quebra, incluindo Alemanha, Espanha e Itália. A mais acentuada de todas teve lugar no Chipre (-18 p.p.), seguida de Malta (-4 p.p).
Se tivermos em conta o período do pós-pandemia (de 2022 a 2025), houve um acréscimo de 2,3 p.p. em quatro anos. É apenas a 16ª maior subida desse período, em que, no geral, houve uma recuperação de quota por toda a Europa (só quatro países tiveram quedas).
Se, no entanto, a comparação for feita a 10 anos, Portugal volta a estar em destaque: mais uma vez, a terceira maior subida, com 2,1 p.p, num contexto em que, mais uma vez, 16 Estados-membros viram as máquinas e o material de transporte perder importância. Na Alemanha, que tem vindo a sofrer com a concorrência da China, estes setores representaram no ano passado menos 3,3 p.p. nas suas exportações do que em 2016. Em França, essa quebra aumenta para 4,4 p.p. E em Espanha para 6,1 p.p. O pior desempenho é do Chipre (-27%), enquanto o melhor pertence à Chéquia (+2,7%), não muito acima de Portugal.
As ‘mid-caps’ alemãs
Portugal sobe no ranking por mérito próprio, sublinha Rafael Campos Pereira ao Jornal Económico. Mas o vice-presidente executivo da AIMMAP, (associação da metalurgia e metalomecânica) também aponta para a Alemanha, que “está constipada” e cuja indústria automóvel é a principal compradora de muitos países da Europa Central e de Leste. Se Berlim espirra, há contágio direto.
Portugal, porém, também exporta muito para a economia germânica. Qual é a diferença? É que, afirma Rafael Campos Pereira, há “uma crescente confiança do mercado alemão nas empresas portuguesas”. Já não só as grandes marcas alemãs, como a Bosch ou a Volkswagen, que “há muito tempo compram a Portugal”, mas também “as ‘mid-caps’ alemãs, que aqui seriam grandes empresas”. Se antes “não conheciam tão bem o país, agora estão a conhecer”. A motor alemão, “estando em crise, importa menos de outras paragens”, mas “Portugal resiste”.
Nem a meio da tabela
Claro que também muito depende do ponto de partida. Quanto é que valem as máquinas, automóveis e afins nas exportações em cada país? Estes setores, que representavam 26,7% de todas as vendas nacionais para o exterior, passaram para 28,8% em 2025, permitindo dar um salto de dois lugares na tabela europeia, de 19.º para 17.º Apesar de tudo, Portugal ainda está na parte inferior da tabela entre os 27.
São os países do centro da Europa e de Leste que se destacam neste ranking. No topo, está a Eslováquia com quase dois terços (61,5%), seguida da Chéquia e da Hungria (na casa dos 50%). Alemanha e Roménia (na casa dos 40%), Suécia, Áustria, Polónia, França e Malta (entre 35 e 38%) fecham o top 10. Espanha está em 16º, imediatamente acima de Portugal.
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