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CAP alerta que investimento de cinco mil milhões na Água que Une não está claro no Orçamento

CAP alerta que investimento de cinco mil milhões na Água que Une não está claro no Orçamento

A estratégia Água que Une é uma oportunidade para mudar estruturalmente a agricultura portuguesa, aumentar a produção e reforçar a capacidade exportadora do país. Mas, para que esse potencial se concretize, é necessário garantir o financiamento e assegurar que os projetos avançam no terreno. O alerta foi deixado por Álvaro Mendonça e Moura, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), na conferência do Jornal Económico e da EY, que teve lugar na quarta-feira, 21 de outubro, em Lisboa.
O responsável elogiou a iniciativa do Governo, considerando que representa uma verdadeira reforma estrutural. “Esta é uma verdadeira reforma estrutural que pode alterar a prazo a dimensão da agricultura portuguesa e a nossa capacidade competitiva”, afirmou.
A preocupação da CAP está, contudo, na execução do plano. O Governo anunciou que pretende investir cinco mil milhões de euros nesta estratégia até 2030, mas Álvaro Mendonça e Moura diz não conseguir identificar no Orçamento do Estado os montantes necessários para atingir esse objetivo.
“Posso estar enganado, mas confesso que não consigo ali ver como é que se chegam aos cinco mil milhões”, afirmou, sublinhando que a existência de financiamento é uma condição essencial para concretizar a estratégia.
Além das verbas, o presidente da CAP aponta o funcionamento da máquina do Estado como outro dos principais riscos. Os processos de licenciamento, a regulamentação e os recursos judiciais podem atrasar a execução dos projetos e comprometer os resultados esperados.
Álvaro Mendonça e Moura referiu, a este propósito, ter ouvido o responsável pela empresa criada para implementar a estratégia Água que Une, integrada no grupo Águas de Portugal, admitir que a concretização do plano poderá acabar por ser discutida nos tribunais.
“Se a estratégia for decidida nos tribunais, é porque aqueles que eu escolhi para meus representantes não tomaram a montante as medidas necessárias para que isto não termine em tribunal”, afirmou, atribuindo aos responsáveis políticos a responsabilidade de criar condições para que os projetos possam avançar.
Para a CAP, o acesso à água é determinante para aumentar a capacidade produtiva da agricultura portuguesa e aproveitar oportunidades em culturas com elevado potencial exportador. Durante a intervenção, o presidente da confederação deu como exemplo os pequenos frutos, cujas exportações atingem cerca de 400 milhões de euros anuais, mas que ocupam atualmente apenas cinco mil hectares.
Na sua perspetiva, a expansão da produção exige condições para investir e ultrapassar os entraves administrativos que impedem o crescimento de projetos agrícolas.
A estratégia tem também uma dimensão territorial. Uma agricultura mais produtiva pode ajudar a fixar população nas zonas rurais e a combater o abandono do território, que o responsável relacionou com o aumento do risco de incêndios.
“A estratégia Água que Une tem todas estas vertentes”, afirmou, defendendo que a sua concretização é essencial para reforçar a soberania alimentar e contribuir para um país mais equilibrado.
Apesar de se mostrar confiante de que o plano avançará, Álvaro Mendonça e Moura deixou uma exigência clara: que o Governo identifique os recursos necessários e garanta que a estratégia não fica limitada ao anúncio. “Continuarei a perguntar onde é que está a verba que permitirá levar isso para a frente”, concluiu.
 

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