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Alojamentos vagos para venda ou arrendamento não são suficientes para dar resposta ao aumento da procura, diz BdP

Alojamentos vagos para venda ou arrendamento não são suficientes para dar resposta ao aumento da procura, diz BdP

Em 72 municípios, os alojamentos vagos para venda ou arrendamento não são suficientes para dar resposta ao aumento da procura por residências habituais. Quem o diz é uma publicação do Banco de Portugal numa análise que abrange o período 2021–2024.
A análise explica o desequilíbrio entre a oferta e a procura de casas em Portugal  e faz parte da rubrica semanal “Economia numa imagem” que apresenta um gráfico e uma breve análise de economistas sobre um tema específico da economia portuguesa ou da área do Euro, usando visualizações de dados para explicar conceitos complexos de forma acessível. Esta foi preparada por Sónia Costa, Carlos Santos e Carla Soares e são opiniões que podem não coincidir necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.
Segundo esta análise em cerca de metade dos municípios portugueses, localizados maioritariamente no litoral, o aumento da procura por residências habituais, dado pela variação das famílias residentes, foi superior ao da oferta de alojamentos familiares. Este diferencial foi acomodado por uma redução do número de alojamentos vagos ou de residências secundárias.
Embora a nível nacional o número total de casas vagas pareça elevado (cerca de 723 mil), a distribuição é muito desigual. Em 72 municípios específicos — maioritariamente nos grandes centros urbanos e litoral — o stock de casas vagas disponíveis para venda ou arrendamento não consegue absorver o aumento da procura por residência habitual verificado nos últimos 15 anos.
A pressão nestes 72 municípios foi alimentada por novos padrões demográficos, nomeadamente a diminuição da dimensão média das famílias (mais famílias a precisar de casa individualmente); por fluxos migratórios, nomeadamente o aumento da imigração, que se concentra onde há mais emprego; pela escassez de construção nova, pois o ritmo de licenciamento e construção de novas casas tem sido insuficiente para compensar a falta de stock disponível nestas zonas de alta pressão.
Na análise é dito que em 2021, praticamente todos os municípios tinham alojamentos vagos suficientes para acomodar o crescimento da procura até 2024 não satisfeito pela nova oferta e manter um funcionamento adequado do mercado, segundo o documento.
“Considerando apenas os alojamentos vagos para venda ou arrendamento, o número de alojamentos vagos parece insuficiente para dar resposta às pressões da procura em 72 dos 308 municípios, localizados maioritariamente na Área Metropolitana do Porto, na Grande Lisboa, no Oeste, na Região de Aveiro e na Península de Setúbal”, refere o estudo subordinado ao  tema intitulado “Mercado da habitação em Portugal: uma quantificação das pressões demográficas”, divulgado no Boletim Económico do Banco de Portugal de dezembro de 2025.
Em suma, o BdP conclui que, nestas regiões específicas, a solução não passa apenas por mobilizar o que já existe, mas sim por aumentar a oferta de nova habitação e agilizar licenciamentos.
 
 

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