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Índices europeus arrasados pela guerra do Irão. Stoxx 600 recua 2% e aproxima-se de correção de 10% desde máximo do ano

Índices europeus arrasados pela guerra do Irão. Stoxx 600 recua 2% e aproxima-se de correção de 10% desde máximo do ano

A generalidade dos ativos cotados estão a sofrer quedas muito expressivas esta segunda-feira, com os investidores a reagirem às perspetivas de uma guerra prolongada no Médio Oriente. O mercado teme que um choque energético sem precedentes coloque a economia global numa situação de estagflação que obrigue a múltiplas subidas de juros por parte dos bancos centrais, como destaca a BA&N Unit Research.
Trump disse na noite de sexta-feira que iria abrandar a guerra e cabia aos outros países a responsabilidade de garantir a reabertura do Estreito de Ormuz. Mas no sábado lançou um ultimato ao Irão para abrir a passagem marítima no espaço de 48 horas, caso contrário iria “obliterar” centrais elétricas do país. O Irão respondeu com ameaças mais intensas, admitindo fechar o Estreito de Ormuz indefinidamente.
Em reação o Stoxx600 agrava as perdas depois de ter cedido 9,6% nas primeiras três semanas de guerra, pelo que está a caminho de fechar hoje em território de correção (queda de 10% desde máximos).
O Stoxx 600 cai 2,15% e o EuroStoxx 50 perde 1,97% esta manhã.
O Stoxx 600 acumula uma queda acumulada relevante em março de cerca de 11% no mês, com três semanas consecutivas de perdas. A pressão é transversal (todos os setores negativos).
O EuroStoxx 50 regista uma queda de 11,73% nos últimos 30 dias. O índice que se concentra nas 50 maiores blue chips da zona euro cai hoje quase 2%
Até final de fevereiro, ambos os índices estavam positivos (STOXX 600 +7,2% YTD e Euro Stoxx 50 +6,2% em dados de fim de fevereiro).
Um arranque forte no início do ano e uma correção significativa mais recente (março). Isso aplica-se tanto ao Stoxx Europe 600 como ao EuroStoxx 50.
Os futuros também apontam para uma abertura de negativa carregado em Wall Street, depois do S&P500 já ter fechado em mínimos de seis meses.
A XTB destaca que os maiores movimentos no mercado estão a ser registados nos metais preciosos, especificamente no ouro e na prata. O ouro registou uma queda de 4% e desceu para 4.320 dólares por onça, enquanto a prata registou uma queda de 5,6% e está a ser negociada perto dos 65 dólares. O ouro e a prata já estiveram a marcar perdas de dois dígitos.
“A descida nos preços destes metais pode dever-se, em parte, à contínua valorização do dólar americano, que historicamente tem demonstrado uma forte correlação inversa com movimentos acentuados no mercado do ouro”, revela a corretora.
Os contratos de futuros sobre índices norte-americanos e europeus apontam para quedas nos preços das ações das empresas dessas regiões durante a sessão de negociação desta segunda-feira, aponta a XTB.
Apesar do petróleo até estar a negociar relativamente estável (Brent sobe 1% para 113 dólares), os investidores estão a fugir das obrigações, descontando já três subidas de juros do BCE e quatro do Banco de Inglaterra este ano. A yield das obrigações alemãs a 10 anos avança para 3,05%, o nível mais elevado desde 2011, enquanto a taxa dos títulos dos EUA está em máximos de julho.
O índice do dólar acumula uma valorização superior a 2% desde o início da guerra no Irão e os investidores estão a apostar num reforço da tendência positiva da divisa norte-americana, com a guerra no Irão a motivar esta reviravolta substancial de posicionamento no mercado de divisas.
O Barclays e o JPMorgan esperam agora três subidas de juros do BCE em 2026. Os analistas dos bancos de investimento estão a rever em forte alta as suas expetativas para a evolução da política monetária do BCE, reagindo ao impacto da subida dos preços do petróleo e às declarações dos responsáveis do banco central sobre intenção firme de combater pressões inflacionistas. Apontam para aumentos de 25 pontos base em Abril, junho e julho.
O Morgan Stanley também reviu em alta, mas espera uma resposta menos agressiva, com subidas de juros em junho e setembro. Mas também há bancos, como é o caso do UBS, a estimar que o BCE vai optar por deixar as taxas de juro estáveis ao longo do ano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, lançou um ultimato de 48 horas ao Irão, exigindo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto, sob pena de possíveis ataques a infraestruturas essenciais e o prazo expira na segunda-feira à noite, razão pela qual os mercados permanecem em alerta máximo, caso o conflito se agrave ainda mais. O Irão respondeu com firmeza, alertando que quaisquer ações desse tipo desencadeariam ataques de retaliação contra instalações energéticas em toda a região do Golfo Pérsico, bem como contra estações de dessalinização e centrais nucleares nos países vizinhos do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
Guerra danificou mais de 40 infraestruturas energéticas no Médio Oriente.
O diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que o conflito no Irão poderá causar a “pior crise energética das últimas décadas”, e revelou que pelo menos 40 infraestruturas energéticas foram “gravemente ou muito gravemente danificadas” devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
“O mundo poderá enfrentar a pior crise energética das últimas décadas em consequência da guerra no Médio Oriente, uma ameaça maior para a economia mundial”, alertou Birol, acrescentando que “até ao momento, perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises petrolíferas juntas”.
 

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