EUA: democratas exigem transparência sobre a capacidade nuclear de Israel
Um grupo de democratas no Congresso dos Estados Unidos pediu ao Departamento de Estado que acabe com um silêncio de longa data da administração de Washington sobre a capacidade nuclear de Israel. Em uma carta enviada ao secretário de Estado Marco Rubio, os democratas apontaram a guerra EUA-Israel contra o Irão como motivo urgente para que haja mais clareza sobre a matéria.
Está claro para uma parte do mundo que Israel possui armas nucleares desde a década de 1960, mas mantém “uma política de opacidade nuclear, nunca confirmando oficialmente a existência do seu programa e arsenal de armas nucleares”, segundo a Nuclear Threat Initiative, sediada em Washington. O país não é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), ao contrário do que sucede, por exemplo, com o Irão. Três países que se supõe terem armas nucleares não assinaram o tratado: para além de Israel, Índia e Paquistão – e também a Coreia do Norte, que aderiu em 1985, mas retirou-se em 2003.
A Casa Branca mantém há muito tempo ambiguidade sobre o assunto, apesar de algumas confissões superficiais. Também a rede da diplomacia israelita serve de ‘tampão’: questionado sobre a matéria pelo JE na altura em que Israel tomou Gaza de assalto, o então embaixador de Israel em Portugal, Dor Shapira, recusou responder diretamente: “deixemos isso para outra altura”, afirmou.
Vários congressistas norte-americanos lançaram esforços públicos coordenados para uma maior transparência face ao apoio bipartidário a Israel. “O Congresso tem a responsabilidade constitucional de ser plenamente informado sobre o equilíbrio nuclear no Médio Oriente”, dizia a carta, assinada por 30 membros do Congresso. “Acreditamos não ter recebido informação” necessária e suficiente.
“Uma política de ambiguidade oficial sobre a capacidade nuclear de uma das partes deste conflito torna impossível uma política coerente de não proliferação no Médio Oriente”, diz a carta, citada pela ‘Al Jazeera’. Na carta, datada de 4 de maio, os congressistas perguntam claramente a Rubio que capacidade nuclear Israel possui e exigem informações claras sobre suas ogivas e lançadores. E focaram-se especialmente no Centro de Pesquisa Nuclear do Negev, em Dimona, há muito considerado o núcleo do programa nuclear israelense. “Israel possui atualmente capacidades de enriquecimento, e em que nível?” perguntam.
“A administração recebeu alguma garantia de Israel de que armas nucleares não serão usadas? Houve alguma indicação de que Israel planeia usar ou implantar armas nucleares no recente conflito no Irão ou em outros conflitos? O que se sabe sobre o programa nuclear de Israel?”. São algumas das perguntas da carta.
Vários ex-funcionários federais dos Estados Unidos e documentos de inteligência não classificados vêm há décadas lançando luz sobre o suposto programa nuclear de Israel. Documentos mostram que, em 1968, a CIA disse ao então presidente dos EUA, Lyndon B Johnson, que Israel desenvolvera ou era capaz de desenvolver uma arma nuclear. O presidente Richard Nixon teria feito um acordo com a primeira-ministra israelita Golda Meir, através do qual Israel concordou em não reconhecer ou testar o seu arsenal nuclear e Washington acabou com as pressões de supervisão.
Na carta a Rubio, os congressistas observaram que “o registo público apoia forte e consistentemente a conclusão de que Israel possui armas nucleares”.
Share this content:


Publicar comentário