Antiga sede da Fidelidade em Lisboa vai ser Park Hyatt Hotel
A antiga sede da Fidelidade Seguros, no Calhariz, em Lisboa, vai ser transformada num hotel e em branded residences da marca Park Hyatt, a insígnia de topo e referência de luxo moderno do grupo Hyatt Hotels Corporation, apurou o Jornal Económico.
O acordo para a instalação do Park Hyatt Hotel na antiga sede da seguradora ainda é confidencial, mas já foi estabelecido.
O imóvel foi vendido, em janeiro deste ano, pela Cerberus Capital Management e pela FS Capital ao Arab Bank Switzerland.
O projeto, tal como avançou o Diário Imobiliário em janeiro, prevê a criação de um hotel de cinco estrelas com mais de 150 quartos, cerca de 50 residências de marca hoteleira e uma área comercial no piso térreo, com conclusão estimada para 2029.
Em janeiro deste ano, a Cushman & Wakefield e a JLL concluíram a venda do edifício histórico situado no Largo do Calhariz. O ativo, com cerca de 20 mil metros quadrados, é composto por dois palácios do século XVIII — o Palácio Calhariz-Palmela e o Palácio Sobral — ambos situados entre o Bairro Alto e o Chiado.
O financiamento da aquisição e da reabilitação foi, na altura, assegurado pela Cheyne Capital, através de um empréstimo sénior de 135,7 milhões de euros.
A gestão do ativo imobiliário ficou a cargo da Savills Investment Management, enquanto o desenvolvimento do projeto está a ser assegurado pela Quest Capital. Segundo as nossas fontes, é, aliás, a Quest Capital, liderada por Carlos Vasconcellos Cruz, que está envolvida na escolha da marca que ficará responsável pela exploração do hotel em Lisboa.
O acordo surge numa altura em que o grupo Hyatt se prepara para abrir o seu primeiro hotel da luxuosa marca Andaz, este ano, na Rua do Comércio, no antigo quarteirão do BPI.
Quem é a Hyatt Hotels?
Em Portugal, a presença da Hyatt está em forte expansão, com o grupo a triplicar o seu portefólio no país através de aberturas recentes e planeadas.
No que toca aos hotéis já em funcionamento, destaca-se o Hyatt Regency Lisbon, em Belém, inaugurado em 2022. Este foi o primeiro hotel da marca em Portugal. Trata-se de uma unidade de cinco estrelas localizada junto ao rio Tejo, com 204 quartos, um spa de 1.000 metros quadrados (Serenity) e o Icon Rooftop Bar.
O grupo Hyatt Hotels Corporation conta também com o Dreams Madeira Resort Spa & Marina, na Madeira, integrado na Inclusive Collection do grupo. Trata-se de um resort de luxo focado no conceito de “tudo incluído”.
O grupo tem ainda o Hyatt Regency Vilamoura Algarve, que abriu portas no início de 2026 e resultou da reconversão do antigo hotel Dom Pedro Vilamoura. A unidade dispõe de mais de 250 quartos e suites, junto à famosa marina e aos campos de golfe.
Por fim, destaque para o “Masana Algarve, Destination by Hyatt”, em Albufeira. Inaugurado recentemente, em março de 2026, marcou a estreia da marca “Destination by Hyatt” no país. Está situado em Olhos de Água e oferece um conceito residencial de luxo.
Próximas aberturas
No que toca às próximas aberturas confirmadas para este ano, a marca lifestyle da Hyatt vai reforçar a sua presença na capital portuguesa com dois hotéis muito aguardados na zona histórica.
Um deles é o Andaz Lisbon, na Baixa Pombalina, com abertura prevista para o primeiro semestre de 2026. Será o primeiro hotel de luxo lifestyle da marca Andaz no país, ocupando cinco edifícios históricos remodelados perto da Praça do Comércio. Terá 170 quartos e um restaurante no terraço, o Luzzi.
Já o The Standard, Lisbon, em Alfama, está também previsto para 2026 e vai nascer no histórico Palácio de Santa Clara, atualmente em reabilitação. O hotel contará com 197 quartos, terraço na cobertura, spa e jardins com vistas sobre o bairro de Alfama.
O grupo Hyatt Hotels Corporation conta atualmente com mais de 1.450 hotéis e propriedades all-inclusive no seu portefólio global.
A cadeia hoteleira norte-americana está presente em mais de 80 países, distribuídos por seis continentes.
As grandes cadeias hoteleiras internacionais continuam a olhar para Lisboa como um destino estratégico de topo, apostando em projetos de luxo e marcas boutique.
A guerra no Médio Oriente veio reforçar o papel dos países do sul da Europa como destinos-refúgio, sobretudo devido à paz e à distância em relação aos conflitos.
O termo “safe haven” (porto seguro) é agora frequentemente utilizado entre os operadores turísticos quando se fala de Portugal como alternativa ao Médio Oriente.
António Lopes de Almeida, professor-adjunto do Instituto Superior de Administração e Gestão – European Business School e especialista na área do turismo, afirmou, em março deste ano, ao Jornal de Notícias, que “estamos a assistir a uma reconversão clara dos fluxos turísticos, o que tem implicado o reposicionamento de Portugal, que passou a afirmar-se como um destino de abrigo devido à sua segurança”.
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