Hoteleiros pessimistas com ocupação no verão e “quebra significativa” do mercado interno
O setor da hotelaria revela um sentimento de pessimismo em relação às taxas de ocupação para o período do verão de 2026. De acordo com os resultados do inquérito ‘Balanço Páscoa e Perspetivas Verão 2026’, da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) divulgado esta terça-feira, metade dos inquiridos assumem que nesse capítulo, este verão vai ser pior do que em 2025, sendo que 40% demonstram esse pessismo com os proveitos totais e 41% em relação à estada média.
Os clientes portugueses continuam a ser vistos como o principal mercado por 68% inquiridos, valor que representou uma quebra de 10 pontos percentuais face ao período homólogo de 2025. “As pessoas estão a guardar-se para o último momento. Ainda é cedo para concluir que não vai ser um mercado importante para o verão”, afirmou Cristina Siza Veira, presidente da AHP, na apresentação do inquérito.
Uma descida que é vista pela responsável com uma “relativa preocupação”, pelo facto do mercado nacional ter sido sempre apontado como o principal cliente, por mais de 80% dos inquiridos. “Sinalizamos a perspetiva de perceber o que se passa com o mercado interno. Existe um maior pessimismo na confiança do turismo nacional”, referiu, recordando os dados do inquérito feito em janeiro.
Contrariando esta tendência nacional, surge em segundo lugar o turista do Reino Unido com uma subida de 53% para 58% e Espanha, que verifica uma ligeira descida de 43% para 42%. Destaque ainda para o mercado germânico, que observou um aumento de 28% para 35% e para quebra expressiva do turista brasileiro, dos 28% para 12%.
No que diz respeito às reservas para o mês de junho, a Região Autónoma da Madeira conta com uma média de 83%, seguida pela Região Autónoma dos Açores (79%) e o Algarve (64%). Ainda acima dos 50% encontram-se a Grande Lisboa (57%) e o Norte (52%).
De resto, as regiões autónomas são as únicas que já contam com reservas superiores a 50% durante o período de junho a setembro, sendo que no mês de agosto as reservas no Alentejo, Península de Setúbal, Grande Lisboa, Oeste e Vale do Tejo, Centro e Norte encontram-se abaixo dos 30%.
Sobre os principais constrangimentos que impactam o mercado, Cristina Siza Vieira coloca no topo da lista as filas nos aeroportos, que “têm sido uma desgraça”, sendo apontados por 37% dos inquiridos como um dos principais riscos para a hotelaria no verão, ficando apenas do aumento dos custos operacionais (38%) e da instabilidade económica e geopolítica (71%).
Questionados sobre se o atual choque energético provocado pelos impactos geopolíticos está a impactar a política de preços, 46% dos inquiridos assume que não existiram alterações, enquanto 36% dizem ter reduzido os preços e 18% aumentaram.
Este inquérito foi realizado entre 27 de abril e 17 de maio, junto de 328 empreendimentos de hotelaria.
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