CONFAGRI acusa Governo de ignorar agricultores no Plano de Restauro da Natureza
A CONFAGRI enviou uma carta ao Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, para manifestar uma profunda preocupação com o facto de o Plano Nacional de Restauro da Natureza ter sido preparado e apresentado sem qualquer diálogo prévio com as organizações agrícolas.
A Confederação considera incompreensível que uma iniciativa com forte impacto na atividade agrícola, no rendimento dos produtores e na gestão do território tenha avançado para consulta pública sem ouvir os setores afetados. Segundo a organização, esta postura do Governo contraria os princípios da transparência democrática e demonstra uma visão puramente ambientalista que ignora a realidade produtiva do país.
O principal foco de inquietação centra-se nas explorações localizadas em áreas da Rede Natura 2000, onde as medidas propostas podem comprometer seriamente a produtividade e a viabilidade económica dos agricultores.
O Secretário-Geral da CONFAGRI, Nuno Serra, classificou como inaceitável a tomada de decisões sem estudos de impacto ou avaliações socioeconómicas fundamentadas. A Confederação criticou ainda a aplicação de regras aos ecossistemas agrícolas e florestais sem evidência científica robusta ou sistemas eficazes de monitorização de dados.
A CONFAGRI classificou ainda como contraditório o facto de a execução do plano ser financiada por verbas da Política Agrícola Comum, sem que os destinatários desses fundos tenham sido envolvidos no processo. A estrutura associativa reiterou a sua total disponibilidade para colaborar em políticas de conservação da natureza, mas avisou que a proteção ambiental falhará se for feita contra os agricultores em vez de ser construída com eles.
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