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Portugal eleito membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU para 2027-2028

Portugal eleito membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU para 2027-2028

Portugal foi eleito hoje como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, liderando a votação do grupo Europa Ocidental e Outros Estados, com 134 votos, a par da Áustria, enquanto a Alemanha teve uma derrota inédita.
Com este resultado, Portugal ficou acima dos 127 votos necessários para a eleição, correspondendo a dois terços dos votantes.
O anúncio foi celebrado no local pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que se levantou e abraçou o representante permanente de Portugal junto da ONU, Rui Vinhas, enquanto se ouviam fortes aplausos.
No mesmo grupo concorriam Áustria, que foi eleita com 131 votos, e a Alemanha, que recebeu 104 votos, sendo derrotada pela primeira vez desde que concorre a este lugar.
A votação decorreu durante a 80.ª Assembleia-Geral, composta por 193 membros, na sede da ONU em Nova Iorque.
O Presidente da República, António José Seguro, saudou a eleição como uma vitória da diplomacia e da estabilidade da política externa portuguesa.
Numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, António José Seguro afirma que esta eleição “é uma conquista que enaltece todo o povo português” e que reconhece o seu “apego a valores universais”.
“É também o reconhecimento do compromisso do nosso país com o multilateralismo e, em particular, com as Nações Unidas. Reflete a credibilidade, a confiança e o respeito de Portugal na comunidade internacional. É também uma vitória da diplomacia portuguesa e da coerência e estabilidade da nossa política externa”, considera o chefe de Estado.
O Presidente da República felicita “todos os envolvidos nesta eleição desde a apresentação da candidatura, em janeiro de 2013, e todos os governos que deram continuidade a este objetivo, e muito em particular o ministro dos Negócios Estrangeiros [Paulo Rangel], os seus enviados especiais e toda a nossa diplomacia”.
Já o primeiro-ministro classificou como “ocasião histórica” a eleição de Portugal como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dizendo que esta vitória “dignifica Portugal” e projeta o país no mundo.
Em declarações aos jornalistas na residência oficial, em São Bento, Luís Montenegro salientou que a eleição à primeira volta é um “resultado inédito” e agradeceu, de forma particular, ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, aos dois Presidentes da República que acompanharam o processo – o anterior, Marcelo Rebelo de Sousa e o atual, António José Seguro – e a toda a rede diplomática portuguesa.
“Esta vitória dignifica Portugal e projeta-nos no mundo. Portugal é um país credível, é um país respeitado, é um país que tem intervenção e participação ao nível internacional e entendemos este mandato como mais uma demonstração precisamente desse nosso histórico”, afirmou, salientando que Portugal “tem no plano internacional uma força muito superior à dimensão económica ou demográfica”.
O mandato de Portugal e dos restantes Estados-membros eleitos hoje tem início em 01 de janeiro de 2027 e prolonga-se por dois anos.
Portugal, que concorreu sob o lema “Prevenção, Parceria, Proteção”, já foi membro do Conselho de Segurança nos biénios 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012. Sempre que se candidatou, Portugal foi eleito.
No grupo América Latina e Caraíbas (um assento), Trinidad e Tobago foi eleito com uma votação esmagadora, de 181 votos, contra Guiana (um voto).
Já no grupo África (um lugar), Zimbabué não tinha opositores e foi eleito com 182 votos de um total de 190.
Para o grupo Ásia-Pacífico, o lugar foi atribuído ao Quirguistão (142), que derrotou as Filipinas (49), mas só após três rondas adicionais de votação, porque nas anteriores nenhum dos Estados alcançou o mínimo de dois terços dos votos.
A votação teve início pouco depois das 10:00 locais (15:00 em Lisboa) e prolongou-se por três horas, tendo os resultados sido anunciados pela presidente da Assembleia-Geral, Analenna Baerbock.
“Felicito os Estados eleitos para o Conselho de Segurança”, disse a responsável.
O Conselho de Segurança é composto por 15 membros, dos quais cinco permanentes, com direito de veto – Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França. Os restantes 10 membros não-permanentes cumprem mandatos de dois anos, sendo cinco eleitos anualmente e de acordo com a repartição geográfica.
O Conselho de Segurança é um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas.

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