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Capital de risco: ativos sob gestão ultrapassam os 10 mil milhões

Capital de risco: ativos sob gestão ultrapassam os 10 mil milhões

Com ativos sob gestão próximos dos 10,3 mil milhões de euros no final de 2025 – que comparam com cerca de 9,3 mil milhões no ano anterior, mais 7,5% – o capital de risco assume-se como uma ferramenta para o impulso do desenvolvimento das empresas, não apenas alternativo ao capital alheio e aos seus custos, mas também indutor de uma gestão equilibrada. Um estudo da responsabilidade da APCRI e do ISCTE confirma que “o capital de risco tem um impacto significativo na criação de emprego e na resiliência das empresas em Portugal, especialmente em contextos adversos e inesperados, como foi o caso da pandemia (2020–2021)”.
As empresas financiadas por capital de risco “empregam, em média, um número significativamente superior de trabalhadores e demonstram uma maior capacidade de geração de novos postos de trabalho, em comparação com a média nacional. Estas empresas registam também volumes de negócios substancialmente mais elevados, posicionando-se como motores de crescimento empresarial e competitividade económica”.
Adicionalmente, “cerca de metade do volume de negócios das empresas participadas por sociedades de capital de risco corresponde a vendas internacionais, contribuindo de forma expressiva para o processo de internacionalização da economia portuguesa. As empresas financiadas apresentam ainda maior eficiência operacional e rendibilidade dos ativos, bem como níveis superiores de autonomia financeira e maior intensidade de investimento de longo prazo”.
Estes resultados sugerem que o capital de risco constitui um instrumento fundamental para a sustentabilidade financeira, a criação de valor e a transformação estrutural do tecido produtivo nacional. Contudo, apesar do expressivo crescimento do volume de capital mobilizado pelas sociedades de capital de risco — o que reflete a crescente importância desse mecanismo — “o nível de investimento em capital de risco em Portugal continua significativamente abaixo da média europeia. Uma das possíveis explicações para esse subaproveitamento é o facto de o acesso das SCR a capital privado em Portugal ser ainda limitado, especialmente quando comparado com outros países europeus”.
Assim, o estudo recomenda o fortalecimento de políticas públicas que incentivem e viabilizem o investimento em capital de risco, especialmente em setores com alto potencial de inovação e crescimento.
Contexto de apoio ativo
Neste contexto, são essenciais as seguintes medidas: desenho de políticas de incentivos à participação de investidores institucionais privados na classe de ativos; desenho da oferta pública de capital de um fundo de fundos em condições compatíveis com o mercado privado, em linha com o que é praticado em vários países europeus (por exemplo, o Instituto de Crédito Oficial em Espanha, o Bpifrance em França, o KfW na Alemanha, e British Patient Capital no Reino Unido); fomento à internacionalização das empresas financiadas por capital de risco, abrindo novos mercados e oportunidades; e o fortalecimento de programas de apoio ao empreendedorismo e inovação através da ampliação da oferta e da eficácia dos programas destinados ao desenvolvimento do empreendedorismo e à promoção da inovação. Finalmente, o estudo recomenda o investimento em literacia financeira e capacitação, priorizando a formação em literacia financeira, o desenvolvimento de talento empreendedor e a capacitação de gestores e profissionais do setor.
“A adoção dessas medidas tem o potencial de amplificar o impacto positivo do capital de risco na economia portuguesa, promovendo um crescimento mais sustentável, competitivo e resiliente, num contexto global cada vez mais desafiante”.
O Estudo recolheu dados através de um questionário enviado a 60 Sociedades de Capital de Risco (SCR), das quais 16 responderam, disponibilizando informação correspondente a um total de 4,46 mil milhões de euros de capital angariado junto de investidores. Tendo por base os dados divulgados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários — e excluindo as Sociedades Gestoras de Organismos de Investimento Coletivo — a amostra equivale a 26,7% das empresas do setor, representando 48,2% do total de ativos geridos. Em termos médios, cada SCR que respondeu ao inquérito angariou cerca de 279 milhões de euros, o que representa um crescimento de 133,5% face ao valor reportado no estudo anterior com dados de 2019. Segundo dados do mercado, o total de ativos sob gestão no ecossistema de capital de risco em Portugal situa-se na fasquia dos 9 mil milhões de euros.
Instrumento essencial
Stephan de Moraes, presidente da Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI) e Managing General Partner da Indico Capital Partners, considera o capital de risco essencial para promover a reindustrialização da Europa, que ganhou o estatuto de prioridade do bloco dos 27. “Não tenho a menor dúvida que, com a quantidade de fundos que existem hoje na Europa, tanto Private Equity como Venture Capital, muitos destes fundos vão ser direcionados precisamente para investir na reindustrialização da Europa. Às vezes na parte de software, às vezes na parte de hardware, às vezes na parte de imobiliário (data centers, por exemplo)”. Para aquele responsável, entrevistado pelo JE, há uma consciência clara na Europa de que temos de voltar a ganhar essa soberania em termos de independência, de sermos autossuficientes em muitas indústrias”.

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