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BlackRock identifica segurança energética como tema de investimento duradouro

BlackRock identifica segurança energética como tema de investimento duradouro

A BlackRock identificou esta terça-feira, no seu comentário semanal, a segurança energética como um tema de investimento duradouro.
“A pressão combinada da vulnerabilidade do abastecimento de energia e da crescente procura de energia torna a segurança energética um tema de investimento duradouro, favorecendo, na nossa opinião, as infraestruturas e os estrangulamentos críticos”, referiu a gestora de ativos, liderada por Larry Fink.
A gestora sublinha que o sector energético tem sido um dos que teve melhor desempenho este ano, “impulsionado pelas revisões em alta das projeções de lucros e pelas preocupações com a segurança do abastecimento”.
Mas mesmo neste contexto a BlackRock diz não acreditar que a “melhor forma de explorar esta oportunidade” seja através de uma alocação sectorial alargada. “Embora as recentes perturbações tenham destacado o valor dos fornecedores de energia fora dos principais estrangulamentos, vemos oportunidades mais duradouras na infraestrutura que sustenta a segurança energética e a crescente procura de energia”, adianta.
“Isto reforça a nossa preferência por uma abordagem seletiva e ativa, focada nos estrangulamentos e na segurança do abastecimento, em vez dos produtores de energia em geral. Regionalmente, priorizamos as cadeias de abastecimento e os ativos de infraestruturas nos mercados desenvolvidos, posicionados para beneficiar de investimentos em segurança energética, enquanto nos mantemos mais seletivos nos mercados emergentes, onde as oportunidades são cada vez mais diferenciadas pelas estruturas políticas e pela exposição às cadeias globais de abastecimento de energia”, acrescenta a gestora.
A BlackRock assinalou que há muito que defende que se vive num mundo moldado pela oferta, onde o acesso à energia, às infraestruturas e a outros recursos críticos “determina cada vez mais” os resultados económicos e de mercado. “As empresas posicionadas para beneficiar do aumento da procura de eletricidade têm apresentado um desempenho superior, desde fabricantes de turbinas a gás e produtores de cobre até empresas de energia limpa que ajudam a expandir os sistemas de energia para inteligência artificial e eletrificação”, disse.
“Mais recentemente, as preocupações com o Estreito de Ormuz dirigiram a atenção para a segurança do abastecimento de combustível, aumentando o apelo relativo dos fornecedores de energia menos dependentes de rotas de transporte vulneráveis ​​(ver a linha de exportadores de gás natural liquefeito (GNL) fora do Estreito de Ormuz). Em conjunto, estes movimentos sugerem um reconhecimento crescente de ambos os lados do desafio energético: garantir o abastecimento de combustível hoje e, ao mesmo tempo, construir capacidade de geração de energia suficiente para o futuro”, descreveu a gestora.
A gestora lembrou que apesar de os preços do petróleo recuaram para mínimos de março “o desafio mais vasto” da segurança e resiliência energéticas mantém-se. “Como devem os governos, as empresas e os investidores responder da melhor forma?”, questionou.
A gestora de ativos vê na resposta em dois horizontes. O primeiro é a “necessidade imediata” de garantir o abastecimento, melhorar a flexibilidade e reduzir a dependência de rotas e infraestruturas vulneráveis. “Isto está a criar oportunidades para os exportadores de combustíveis e de mercadorias fora do Estreito de Ormuz, bem como para as infraestruturas de transporte, armazenamento e distribuição de combustíveis, o que poderá ajudar a diversificar o fornecimento e a reduzir a exposição a importantes estrangulamentos. Os fornecedores que conseguem entregar combustível e energia de forma fiável fora dos estrangulamentos existentes têm muito a ganhar”, refere.
O outro horizonte é o de longo prazo, “onde não se trata simplesmente de produzir mais energia, mas sim de satisfazer a procura crescente, equilibrando a segurança energética, a acessibilidade, a resiliência e os objetivos de descarbonização”.
A BlackRock disse que embora a inteligência artificial (IA) e os centros de dados contribuam para o aumento da procura de eletricidade, são apenas um dos fatores, juntamente com a eletrificação, as crescentes necessidades de refrigeração e o crescimento económico. “Mas os países estão a responder de formas diferentes, com base nos seus recursos, infraestruturas e prioridades políticas. Para as economias importadoras de combustíveis, os choques repetidos estão a reforçar os incentivos para investir na eletrificação, nas redes elétricas, no armazenamento e nos sistemas energéticos domésticos. Para os exportadores de energia, a oportunidade reside geralmente na expansão e modernização da infraestrutura necessária para continuar a fornecer energia e, ao mesmo tempo, satisfazer a crescente procura interna”, salienta.
No seu comentário semanal a BlackRock salientou que o índice norte-americano S&P 500 subiu 1% e as yields dos títulos do Tesouro norte-americano aumentaram na semana passada, após a primeira reunião de Kevin Warsh como presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed). “A primeira reunião de Warsh pareceu ter como principal objetivo criar flexibilidade. Independentemente das perspetivas do FOMC [comité que define a política monetária norte-americana] neste momento, as cinco task forces que criou têm o potencial de redefinir a base de todas estas projeções. Isto poderá resultar numa maior volatilidade das taxas de juro no futuro – o que não é necessariamente mau, se refletir a incerteza macroeconómica em vez da incerteza da função de reação da Fed“, disse.
“Esta semana, a inflação PCE subjacente dos Estados Unidos (EUA) estará em foco, à medida que os mercados avaliam se os custos mais elevados da energia estão a alimentar as pressões inflacionistas subjacentes. No Japão, os dados do PPI e do IPC dos serviços fornecerão uma atualização sobre as tendências da inflação, enquanto os PMI preliminares das principais economias e o índice de confiança do consumidor dos EUA oferecerão uma leitura do ritmo da economia”, acrescentou a gestora.

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