Os festivais que geram milhões no interior do país
A Herdade da Granja, em Idanha-a-Nova, foi comprada há dez anos pela empresa IdanhaCulta para envolver de forma constante e duradoura a comunidade no interior do país. Através do Boom Festival, que se realiza de dois em dois anos, o concelho recebe 40 mil visitantes de 170 países (em 2027 celebra 30 anos).
Já o Being Gathering, que decorre entre 1 de 5 de julho, irá atrair cinco mil pessoas. Ao mesmo tempo, está em desenvolvimento uma visão de longo prazo para afirmar este território como uma referência internacional na área do bem-estar até 2030. O objetivo passa por transformar o anfiteatro e a infraestrutura cultural já instalada num espaço de utilização permanente, com programação ao longo de todo o ano, acesso à arte pública (de artistas consagrados mundialmente) e atividades abertas à comunidade.
A dimensão económica do projeto constitui igualmente um tema relevante. Segundo um estudo de 2018 da consultora EY, coordena do pelo economista Augusto Mateus, o festival (que não tem patrocínios) tem um impacto económico de 55,3 milhões de euros e contributos significativos para a economia local e regional, com efeitos diretos e indiretos no emprego, turismo, alojamento, restauração e serviços.
“O festival apresenta uma capa cidade singular de atrair turistas para Portugal, funcionando como evento âncora de uma viagem que se prolonga sobretudo para os turistas não residentes, grupo esse que se renova a cada edição (65% foi ao festival pela primeira vez)”, lê-se no documento. O estudo será atualizado em breve e conclui um impacto significativamente maior.
O número de participantes no Boom Festival cresceu de forma exponencial desde a sua primeira edição, em 1997, até 2018. “Em 1997, os participantes no festival foram cerca de 3500, enquanto em 2018 foram 41.766. Desde 2014 que o número de participantes do festival estabilizou em cerca de 40 mil, devido a uma opção estratégica da organização”, refere o documento.
Com uma programação multidisciplinar guiada pelo mote “Remembering Our Ancestry”, o Being Gathering 2026 apresenta uma reflexão sobre identidade, memória e pertença. De acordo com um estudo de 2024 do ISEG, o impacto total deste festival é de 5,6 milhões de euros na produção nacional, 2,4 milhões de Valor Acrescentado Bruto (VAB) e criador de 72 empregos.
Os participantes encontram neste local um espaço de contacto com a natureza, descanso e recuperação física. Ao longo dos cinco dias, serão apresentadas 180 horas de programação distribuídas por sete áreas temáticas, reunindo 102 facilitadores e artistas internacionais e 35 terapeutas. A programação decorrerá diariamente entre as 09h00 e as 24h00, num reforço da experiência contínua e imersiva do festival.
Entre os principais destaques musicais estão Curawaka, com um concerto inspirado em tradições indígenas e espiritualidade contemporânea; El Búho, referência global na fusão entre música eletrónica e sonoridades orgânicas; e Liquid Soul, um dos nomes mais reconhecidos da música eletrónica internacional.
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