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Portugal coloca 1.262 milhões de dívida a 10 anos com juros de 3,439% e a 16 anos com juros de 3,883%

Portugal coloca 1.262 milhões de dívida a 10 anos com juros de 3,439% e a 16 anos com juros de 3,883%

Portugal colocou hoje um montante global de 1.262 milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a 10 e 16 anos, registando uma ligeira descida do juro na maturidade mais curta e uma subida na linha mais longa, segundo dados do mercado.
Na linha a 10 anos, com vencimento em junho de 2036, o Estado colocou 703 milhões de euros com uma taxa de juro (yield) de 3,439%, o que representa uma ligeira descida face aos 3,452% registados no leilão anterior, em junho. A procura superou a oferta em 2,38 vezes.
Já no prazo mais longo, a 16 anos (vencimento em abril de 2042), o montante colocado fixou-se em 559 milhões de euros, com a taxa de juro a subir para os 3,883%, valor que compara com os 3,637% observados no leilão comparável de setembro de 2025. Neste prazo, a procura foi de 2,01 vezes a oferta.
O diretor de investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, sublinhou que o resultado no prazo a 10 anos reflete “alguma estabilização no segmento intermédio da curva e uma procura ainda sólida por dívida portuguesa”.
Em contrapartida, a subida dos juros na linha a 16 anos é justificada com o facto de as taxas longas continuarem “a incorporar um nível mais elevado de incerteza quanto à evolução da inflação, ao impacto dos preços da energia e à trajetória futura da política monetária dos principais bancos centrais”.
Filipe Silva recordou que, apesar de o Banco Central Europeu (BCE) já ter iniciado um novo ciclo de subida de taxas, o mercado “continua a procurar avaliar até que ponto as pressões inflacionistas poderão persistir”.
O analista apontou ainda a instabilidade geopolítica como um fator que “tem contribuído para um aumento da volatilidade nos mercados de dívida, levando os investidores a exigir uma compensação adicional para deter obrigações com maturidades mais longas”.
Ainda assim, o diretor de investimentos do Banco Carregosa desvalorizou o agravamento do juro a 16 anos, defendendo que este “não traduz necessariamente uma deterioração específica do risco de crédito de Portugal”.
Trata-se, pelo contrário, de “um ajustamento ao enquadramento global de taxas mais elevadas, maior incerteza macroeconómica e maior exigência de prémio de prazo”, concluiu, destacando que a procura confortável em ambas as linhas sinaliza que “o apetite por dívida pública portuguesa permanece sólido, embora a níveis de remuneração mais exigentes”.

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