Bankinter Portugal concedeu 800 milhões em novo crédito à habitação no primeiro semestre
O Bankinter concedeu 800 milhões de euros em novo crédito à habitação em Portugal no primeiro semestre, revelou esta quinta-feira a presidente executiva do banco, Gloria Ortiz, indicando que a procura no mercado português continua robusta apesar da descida das taxas de juro.
O montante foi revelado durante a sessão de perguntas e respostas com os jornalistas, depois de o relatório semestral apresentar em conjunto os dados de Portugal e da Irlanda. Questionada sobre a produção hipotecária da operação portuguesa, Gloria Ortiz respondeu que o banco concedeu 800 milhões de euros em novos empréstimos à habitação em Portugal entre janeiro e junho.
Durante a conferência de apresentação dos resultados semestrais, Glória Ortiz fez também referência a Portugal ao comentar as medidas macroprudenciais para o crédito à habitação. Na sua opinião, a abordagem seguida pelo Banco de Portugal faz mais sentido do que impor novos limites às políticas de concessão de crédito. A CEO destacou que o regulador português permitiu alargar a maturidade dos empréstimos hipotecários para facilitar o acesso dos jovens à habitação, ao mesmo tempo que reduziu a taxa de esforço máxima para 45%, medida que considera mais adequada para controlar o risco.
Segundo Glória Ortiz, o esforço financeiro dos mutuários é um indicador mais relevante do risco do que a duração do empréstimo, defendendo igualmente mecanismos públicos de garantia para ajudar os jovens na entrada para a compra de casa.
A operação portuguesa do Bankinter registou um desempenho robusto no primeiro semestre de 2026, evidenciado por um crescimento sustentado em todos os principais indicadores de negócio. O volume de crédito concedido atingiu os 11,5 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 8% face ao período homólogo, com particular dinamismo na banca comercial, que cresceu 11% até aos 7,9 mil milhões, enquanto a banca de empresas avançou 2% para os 3,6 mil milhões. Paralelamente, os recursos de clientes totalizaram 15 mil milhões de euros, com uma variação positiva de 12%, e os valores custodiados dispararam 29%, fixando-se nos 6 mil milhões.
Do ponto de vista dos resultados financeiros, a margem de juros subiu 10% para 156 milhões de euros e as comissões líquidas cresceram 14% para 44 milhões, impulsionando a margem bruta para os 196 milhões (+10%). Apesar de um aumento de 7% nos custos operacionais (para 63 milhões), estes cresceram abaixo da receita, o que permitiu melhorar o rácio de eficiência em 0,8 pontos percentuais, atingindo uns expressivos 32%.
A margem de exploração alcançou os 133 milhões (+11%) e, mesmo após um incremento de 28% nas provisões (para 19 milhões), o resultado antes de impostos somou 114 milhões de euros, traduzindo um crescimento anual de 9%.
A qualidade do ativo continua a ser um dos grandes diferenciais competitivos do banco em território português, já que o rácio de malparado (NPL) situou-se em 1,3% no segundo trimestre de 2026, estável face ao período anterior e significativamente abaixo da média do setor bancário nacional, que se fixa nos 2,1% — uma vantagem de 0,8 pontos percentuais que reforça a sua gestão de risco superior.
Este desempenho atual é fruto de um percurso estratégico iniciado há uma década, com a aquisição em 2016 e, mais tarde, a joint-venture com a Sonae em 2021, iniciativas de alto potencial que amadureceram ao longo do tempo e que hoje consolidam Portugal como uma geografia chave para a criação de valor do grupo.
O banco espanhol Bankinter anunciou em junho a aquisição da totalidade do capital da Tulp Group, uma plataforma holandesa especializada em intermediação e financiamento hipotecário, numa operação que marca a entrada do grupo no mercado dos Países Baixos, o seu quinto país de presença internacional.
A este propósito a banqueira reconheceu que “há uma grande fragmentação de mercados na União Europeia e cada mercado é absolutamente diferente”.
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