Abanca com lucros no 1º semestre a caírem 9,6% para 386 milhões mas em Portugal lucros sobem 12%
O Abanca obteve um resultado líquido (atribuível) de 386 milhões de euros no primeiro semestre, o que traduz uma descida de 9,6% face ao período homólogo, quando os lucros eram de 427,1 milhões.
Apesar desta queda, o banco liderado por Juan Carlos Escotet e Francisco Botas (CEO), aumentou o resultado antes de impostos para 500,7 milhões de euros no primeiro semestre, uma subida de 3,7% face ao período homólogo, apoiado pelo crescimento da atividade comercial, anunciou esta segunda-feira o banco em Santiago de Compostela.
A rendibilidade dos capitais próprios tangíveis (ROTE) se fixou em 12,2%, nível que, segundo o banco supera claramente o custo do capital.
A margem financeira recuou 1,2% para 792,8 milhões de euros, refletindo o contexto de descida das taxas de juro. Em contrapartida as receitas de comissões aumentaram 16,1% para 211,7 milhões de euros.
“O banco retomou o crescimento trimestral da margem financeira, que aumentou 4,0% face ao primeiro trimestre de 2026 e 2,1% em comparação com o segundo trimestre de 2025. A boa dinâmica comercial e a gestão da política de preços permitem ao Banco antecipar uma evolução positiva da margem financeira nos próximos trimestres”, explica a instituição.
Os resultados de operações financeiras quase duplicou para 55,1 milhões.
Do lado dos custos, o Abanca reportou um aumento de 3,3% para 574,3 milhões de euros.
As provisões e imparidades caíram 8,3% para 47,4 milhões, embora as provisões para crédito tenham aumentado 26,8% para 74,2 milhões, refletindo, segundo o banco, uma política prudente de constituição de provisões e controlo do risco.
O banco destacou ainda o crescimento do negócio, cujo volume ultrapassou os 145 mil milhões de euros, mais 8,4% do que um ano antes. Durante o semestre, captou mais de 77 mil novos clientes e concedeu 10 mil milhões de euros em novo financiamento a famílias e empresas.
Do total de volume de negócios, 51% está concentrado na Galiza, 32% no restante território espanhol e 17% em Portugal.
“O Abanca registou um crescimento expressivo em todas as áreas de negócio, com especial destaque para a gestão da poupança. Os recursos de clientes aumentaram 7,2%, para 87.249 milhões de euros, destacando-se a evolução dos fundos de investimento, segmento em que o Banco alcançou uma quota de subscrições de 9,6%”, explicou a instituição.
O banco refere ainda que “canalizou um total de 10.000 milhões de euros de novo financiamento para particulares e empresas, com crescimentos das novas operações de 14,4% e 7,8%, respetivamente, permitindo que o crédito ao setor privado aumentasse 3,8%”.
Segundo o Abanca, 71% dos novos clientes foram captados em mercados onde o grupo não é líder.
Ao nível da solvabilidade, o rácio de capital total situou-se em 18,4% e o rácio CET1 em 13,8%, nível que, segundo o banco, excede os requisitos regulamentares de capital em cerca de 2,1 mil milhões de euros.
O perfil de liquidez manteve-se sólido, com um rácio de crédito sobre depósitos de 89,2%.
Na qualidade dos ativos, o Abanca reportou uma taxa de incumprimento de 1,9%, um rácio Texas de 18,2% e uma cobertura dos ativos em incumprimento de 85,4%.
O banco afirmou que os resultados refletem “o crescimento eficiente do negócio e uma gestão prudente do balanço”, destacando a evolução da rentabilidade e a aceleração da captação de clientes em toda a Península Ibérica.
O Abanca superou o mercado nas principais áreas de negócio, com aumentos da quota de mercado de 8 pontos base no crédito, 3 pontos base na captação de recursos de clientes, 7 pontos base nos planos de pensões, 2 pontos base nos seguros de poupança e 12 pontos base nos seguros não vida.
O B100, a proposta 100% digital do Abanca, continua a crescer multiplicando por 1,6 o seu volume de negócio e duplicando o número de clientes, revelou a administração.
Abanca Portugal lucra 41,6 milhões de euros até junho e aumenta 11,9% face a junho de 2025
O Abanca Portugal lucra 41,6 milhões até junho e aumenta 11,9% face a junho de 2025. Em Portugal o resultado antes de impostos aumentou 25,7% para 62,6 milhões de euros.
O banco fechou o primeiro semestre com melhoria da rentabilidade, suportada pela subida das receitas de serviços e pela redução dos custos operacionais. O ROTE (rentabilidade dos capitais próprios tangíveis) do Abanca Portugal em junho é de 10,3%.
A margem financeira desceu 1,4% em termos homólogos, para 123,9 milhões de euros, mas as receitas por comissões aumentaram 12,4%, para 36 milhões de euros. Com isso, a margem bruta subiu 6,5%, para 169,8 milhões de euros.
Os custos operacionais baixaram 7,1%, para 97,6 milhões de euros, o que ajudou a margem antes de provisões a crescer 32,7%, para 72,2 milhões de euros. O benefício atribuído avançou para 41,6 milhões de euros, acima dos 37,2 milhões registados em junho de 2025.
O crédito a clientes totalizou 8.905 milhões de euros e os depósitos de clientes atingiram 8.975 milhões de euros. Os recursos fora do balanço somaram 3.145 milhões de euros e o volume de negócios chegou a 21.025 milhões de euros.
O CEO do Abanca, Francisco Botas explicou na conferência de imprensa dos resultados que “dos 10.000 milhões de euros de novo financiamento para particulares e empresas, no primeiro semestre, Portugal representa 32%, mais de 3 mil milhões”. O presidente do Abanca, Juan Carlos Escotet refere que o ritmo do crescimento em Portugal supera o de Espanha. “Ambos são muito bons, mas o de Portugal é muito melhor”, disse o banqueiro.
Em termos de qualidade de ativos e capital, o rácio NPL do Abanca Portugal fixou-se em 2,1% e a cobertura NPL em 88,9%.
Em termos de solvabilidade o rácio de capital CET1 fixou-se em 19,0%. O banco indicou ainda um rácio LTD retalho de 99,2%.
*A jornalista viajou a convite do Abanca
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