IA pode transformar eficiência em sustentabilidade e gerar até 600 mil milhões de dólares por ano
O tema da sustentabilidade tem estado no centro do debate, a inteligência artificial (IA) pode ser uma das soluções para este tema. Um estudo da BCG revela que a IA está-se a afirmar como um motor de criação de valor nos setores do clima e sustentabilidade, tendo o potencial de desbloquear, globalmente, entre 580 e 615 mil milhões de dólares por ano até 2028.
A IA tem vindo a aumentar a eficiência de sistemas complexos e tem gerado retorno económico e impacto ambiental ou social mensurável. De acordo com o estudo, a grande oportunidade económica da utilização desta tecnologia encontra-se na eficiência industrial, com um potencial estimado de 300 mil milhões de dólares por ano.
O relatório aponta que a aplicação da IA em manutenção preditiva, otimização de processos, gestão energética, controlo de qualidade e segurança laboral “pode reduzir custos, emissões e desperdício, de forma simultânea, reforçando a produtividade e a resiliência operacional em setores intensivos em recursos”.
Já a segunda maior oportunidade identificada no uso desta tecnologia está na melhor avaliação dos riscos associados às alterações climáticas, principalmentne nos seguros, infraestruturas, energia e logística, tendo potencial para gerar cerca de 75 mil milhões de dólares por ano, até 2028.
Esta tecnologia também influencia a transição energética, com o estudo a estimar que a gestão inteligente de redes elétricas, armazenamento e flexibilidade do sistema poderá gerar cerca de 32 mil milhões de dólares anuais. Assim a IA pode permitir otimizar o despacho de baterias, melhorar a monitorização de ativos, reduzir congestionamentos e integrar mais renováveis na rede.
Carlos Elavai, managing director & partner da BCG em Lisboa, afirma que “o valor da IA aplicada à sustentabilidade vem da sua utilização em problemas muito concretos: eficiência industrial, redução de custos e de desperdício, avaliação do risco climático, otimização de redes elétricas e armazenamento, descoberta de materiais e educação inclusiva”.
“A grande mudança é que, com a IA, sustentabilidade e performance empresarial deixam de ser agendas separadas: passam a reforçar-se mutuamente. As empresas que conseguirem combinar dados proprietários, conhecimento operacional e execução disciplinada estarão melhor posicionadas para capturar esta oportunidade e acelerar impacto positivo em escala”, declara.
O uso desta tecnologia permite reduzir o desperdício de energia, de materiais ou tempo em sistemas complexos, quando tal acontece os resultados financeiros e de sustentabilidade tendem a evoluir na mesma direção.
“O relatório sublinha igualmente que esta oportunidade se estende a todo o universo do capital privado. As empresas nativamente orientadas para a IA poderão atrair investimento de capital de risco e growth equity, enquanto as organizações que integrem a IA nas suas operações, produtos ou ativos físicos poderão tornar-se alvos particularmente relevantes para estratégias de aquisição com recurso a capital privado”, lê-se em comunicado.
Esta tecnologia tem aberto novas oportunidades de investimento sustentável, o que se traduz numa “nova forma de responder a desafios de eficiência, risco e produtividade, com benefícios financeiros e de sustentabilidade ao mesmo tempo”, refere o comunicado.
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