Drone atingiu navio-tanque dos EUA em porto egípcio
Um drone ainda não identificado – e de propriedade ainda não reivindicada – atingiu um navio-tanque de transporte de gás natural pertencente a uma empresa norte-americana e que estava estacionado num porto egípcio do Mar Mediterrâneo. É a mais recente evidência de que a guerra no Irão pode estar a ser transferida para outras paragens, depois de semanas em que o regime de Teerão atacou instalações em diversos países do Golfo Pérsico, os houthis passaram a exercer pressão sobre o Mar Vermelho, a Ucrânia atacou um navio iraniano no Mar Cáspio e forças norte-americanas e sauditas atacaram posições de milícias pró-iranianas no Iraque.
O ataque desta quarta-feira ocorreu no porto egípcio de Damietta e provocou um incêndio. O fogo começou no navio norte-americano e alastrou para outra embarcação próxima.
Entretanto, fontes de serviços de segurança revelaram esta quarta-feira que o Irão deverá receber nas próximas semanas um lote de até 400 sistemas de mísseis antiaéreos portáteis (MANPADS) de fabrico chinesa. O governo da China negou oficialmente a informação, classificando os relatos como “completamente infundados”.
Segundo as mesmas fontes, o contrato, avaliado entre 60 e 70 milhões de dólares, prevê a compra de 300 a 400 lançadores equipados com mísseis chineses QW-12 e FN-16. O acordo teria sido intermediado pela empresa de Hong Kong Zhongqing Baoshang International Investment.
A compra faz parte do esforço de Teerão para reconstruir as suas defesas depois de os ataques dos Estados Unidos e de Israel terem atingido instalações de mísseis, drones e sistemas de defesa aérea, expondo vulnerabilidades na proteção de bases militares e infraestruturas estratégicas.
Especialistas militares citados pela agência Reuters afirmaram que sistemas portáteis de defesa aérea são importantes porque podem ser rapidamente distribuídos, operados por pequenas equipas e deslocados com facilidade, tornando-se menos vulneráveis do que as baterias antiaéreas fixas.
Em resposta à Reuters, um porta-voz do governo chinês afirmou que a notícia é “completamente infundada” e reiterou que Pequim tem desempenhado um papel consistente na promoção da paz e na procura de uma solução política para os conflitos internacionais.
Mesmo assim, as mesmas fontes afirmam que os primeiros carregamentos deverão seguir por via aérea a partir de Urumqi, no oeste da China, passando pelo Paquistão antes de chegarem ao Irão. Teerão estará a estudar rotas terrestres para reduzir o risco de interceção das remessas militares.
Também o exército paquistanês negou qualquer participação na operação, classificando como falsas as especulações sobre o uso do seu território para o transporte de armamento chines destinados ao Irão.
Os sistemas QW-12 e FN-16 são mísseis guiados por sistema de infravermelhos, lançados do ombro e projetados para atingirem aeronaves a baixa altitude, helicópteros e drones.
Entretanto, no Iraque
Os ataques conjuntos entre EUA e Arábia Saudita contra milícias apoiadas pelo Irão no Iraque levaram a região a um “território desconhecido”, alertam vários analistas. O alvo foi as Forças de Mobilização Popular (PMF) do Iraque, que viu pelo menos 20 dos seus combatentes mortos.
Em Bagdad, a presidência iraquiana classificou os ataques aéreos contra as PMF, também conhecidas como al-Hashd al-Shaabi – uma aliança armada que inclui poderosas fações pró-Irão – como “uma violação flagrante da soberania do Iraque, visando as suas instituições oficiais”. As PMF são uma rede de fações de maioria xiita criada em 2014 para combater o grupo Estado Islâmico – tendo sido supervisionados pelo general iraniano Qassem Suleimani, depois morto por um ataque de míssil dos Estados Unidos em Bagdad durante o primeiro mandato de Trump.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, que recentemente se encontrou com Trump, cancelou uma reunião planeaada com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, em Jeddah, na quinta-feira.
O grupo Harakat Hezbollah al-Nujaba, do Iraque, mais uma milícia apoiada pelo Irão, disse que os interesses e a segurança de Washington e Riad sofreriam consequências.
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