Meta acusada de “ocultar a verdade” sobre impacto do Instagram nos menores
A Meta nega ter levado a cabo uma estratégia para criar dependência em crianças e adolescentes relativamente a plataformas como o Facebook ou o Instagram. Os advogados da empresa rejeitaram as acusações apresentadas por 29 estados norte-americanos, segundo o “El Economista”.
A empresa é também acusada de violar a legislação federal ao recolher e utilizar indevidamente dados pessoais de utilizadores menores de idade.
Durante a audiência, o advogado da Meta, Paul Schmidt, rejeitou categoricamente as acusações e pediu ao júri que mantenha “a mente aberta” durante o desenvolvimento do processo.
A defesa destacou as medidas adotadas pela empresa para melhorar o bem-estar dos utilizadores jovens. Neste sentido, a Meta defendeu os esforços que tem desenvolvido para impedir o acesso de menores de 13 anos às suas plataformas. Só nos últimos três meses, a empresa eliminou cerca de 600 mil contas associadas a utilizadores que não cumpriam os requisitos de idade.
A procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, falou em nome dos autores da ação e acusou a empresa fundada por Mark Zuckerberg de ter “ocultado a verdade”. “Quando teve de escolher entre a segurança dos menores ou a proteção dos seus lucros, optou repetidamente pela segunda”, afirmou.
Entre os testemunhos mais relevantes da sessão esteve o de Arturo Bejar, antigo funcionário da empresa, que afirmou ter alertado a administração para os danos associados ao design do Instagram e para a possibilidade de os mitigar.
À porta do tribunal, o julgamento contou ainda com a presença de pais que acusam a empresa pelos danos sofridos pelos filhos, aumentando a pressão mediática sobre um processo que deverá prolongar-se entre quatro e seis semanas. Durante este período, está previsto que sejam ouvidos o próprio Mark Zuckerberg e o responsável pelo Instagram, Adam Mosseri.
No entanto, os Estados Unidos não são o único território onde a Meta enfrenta acusações relacionadas com o design das suas plataformas. Em julho, Bruxelas voltou também a apontar o dedo à empresa devido ao alegado caráter aditivo do Facebook e do Instagram.
A Comissão Europeia acusa a Meta de violar as regras europeias previstas no Regulamento dos Serviços Digitais e poderá igualmente aplicar multas caso a tecnológica não adote medidas para alterar a situação.
Bruxelas pretende, assim, que a empresa introduza alterações no design do Instagram e do Facebook, desativando funcionalidades que podem incentivar comportamentos aditivos, como a reprodução automática e o scroll infinito, ou implementando pausas durante a utilização do ecrã.
A Comissão Europeia pretende ainda que a Meta adapte o seu sistema de recomendações para que este esteja menos orientado para maximizar a participação dos utilizadores.
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