Mercados sob o signo da guerra económica dos EUA ao Irão. Petróleo recua e yields aliviam
O mercado acionista norte-americano terminou a sessão de segunda-feira, 24 de agosto de 2026, em terreno misto, com o Dow Jones a registar ligeiros ganhos enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite cederam, pressionados pela fraqueza tecnológica.
O S&P 500 caiu 0,28% para 7.652,86 pontos, o Nasdaq Composite recuou 0,76% para 25.980,19 pontos e o Dow Jones subiu 0,26%, para 53.417,16 pontos.
A sessão decorreu num clima de cautela, com rotação para valores blue-chip e setoriais mais defensivos (como financeiros e comunicação), enquanto os semicondutores e a tecnologia pesaram, antecipando os resultados da Nvidia na quarta-feira e o simposium de Jackson Hole, onde o presidente da Fed, Kevin Warsh, intervirá na sexta-feira. A incerteza geopolítica e a dinâmica do mercado obrigacionista continuaram a ditar o tom.
O principal catalisador do dia foi a conferência de imprensa do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que anunciou a “Operation Economic Outcast” — descrita como uma campanha sem precedentes de isolamento económico do Irão, ou “Dia D económico”.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou esta segunda-feira que os Estados Unidos vão lançar a “Operation Economic Outcast“, que descreveu como “uma campanha sem precedentes contra a República Islâmica do Irão e todos os seus apoiantes”.
“Estamos a lançar um ataque económico contra as conexões financeiras do Irão em todo o mundo. O objetivo é cortar todos os laços económicos que sustentam o regime tirânico até que Teerão fique sozinho“, disse o secretário do Tesouro, durante uma conferência de imprensa.
“Qualquer entidade que facilite a lavagem de dinheiro iraniano será removida do sistema de dólares norte-americano. O relógio começou a contar. Os EUA irão bloquear todas as fontes de receitas para Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. Todos os países e entidades devem saber que vão ser alvo de sanções se continuarem a negociar com o Irão. Ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA“, sublinhou Bessent.
Bessent afirmou que o objetivo é “cortar todas as linhas de vida económica que sustentam este regime tirânico até Teerão ficar sozinho”. As medidas incluem a ampliação de sanções secundárias a setores-chave explorados pelo Irão (ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e shipping); sanções a mais de 60 entidades, indivíduos e navios ligados a petróleo ilícito, tecnologia nuclear/míssil e operações cibernéticas; e um aviso claro de que qualquer entidade que facilite negócios com o regime arrisca ser excluída do sistema do dólar.
O Tesouro deu um período de “cura” a países e empresas para cortarem laços, mas sublinhou que a paciência é limitada e que “ninguém está acima do alcance das sanções americanas” (incluindo instituições chinesas que compram a maior parte do petróleo iraniano). A ação surge no contexto de um conflito com o Irão que se aproxima dos seis meses, com tensões no Estreito de Ormuz e falhanço de tentativas de diálogo.
França e a Arábia Saudita apelaram hoje para uma solução negociada para o conflito entre os Estados Unidos e o Irão e instaram Teerão a retomar plena cooperação com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).
O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu hoje um cessar-fogo abrangente e uma solução diplomática para o conflito no Médio Oriente, durante um encontro em Pequim com o rei Abdullah II da Jordânia.
Os preços do petróleo recuaram após duas semanas de fortes subidas (mais de 5%), apesar do anúncio das sanções. O WTI negociava perto dos 85 dólares por barril (queda de cerca 2,4%) e o Brent em torno dos 92 dólares (queda de 2,6%). Os traders interpretaram o movimento como consolidação e não como alívio estrutural dos riscos de oferta, mantendo-se o prémio geopolítico elevado.
No mercado de obrigações, as yields aliviaram ligeiramente. A yield dos Treasuries a 10 anos estava nos 4,70% (-3,68 pontos base), depois de ter pressionado os mercados na semana anterior (com a de 30 anos a ultrapassar os 5,3%). O Tesouro sinalizou possível reforço de recompras de dívida usando a conta geral, o que ajudou a acalmar a ponta longa da curva. A combinação de yields elevadas, dívida pública e inflação continua a ser um fator de atenção, especialmente com o PCE de julho a ser divulgado esta semana.
A criptomoeda Bitcoin subiu quase 3% e aproximou-se dos 80.000 dólares (68.509 euros), acumulando uma valorização de 22,9% desde quarta-feira.
Os índices europeus fecharam de forma desigual, refletindo a mesma mistura de cautela geopolítica e antecipação dos eventos americanos.
O Stoxx 600 e o Euro Stoxx 50 oscilaram perto da neutralidade. A Europa acompanhou de perto o anúncio de Bessent e o comportamento do petróleo, com o setor energético a sentir a pressão da queda dos preços do crude.
O FTSE 100 subiu +0,35% para 10.854,23 pontos; o CAC 40 caiu -0,37% para 8.453 pontos; o DAX recuou -0,11% para 26.106,6 pontos; o FTSE MIB cedeu -0,24% para 52.542,2 pontos; o IBEX pelo contrário, avançou +0,69% para 20.098,5 pontos; e o PSI subiu +0,40% para 9.392 pontos.
A volatilidade deverá manter-se elevada, com os mercados a oscilar entre o prémio de risco geopolítico e a procura de estabilidade nos ativos de qualidade.
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