Cariocas da Gol entram na luta pelas rotas aéreas entre o Brasil e Portugal
A Gol é a mais recente companhia aérea brasileira a entrar na luta pela rota aérea entre o Brasil e Portugal.
Depois da Latam e da Azul, a empresa sediada no Rio de Janeiro arranca com quatro voos semanais entre Lisboa e a ‘Cidade Maravilhosa’ e outros quatro voos no sentido contrário. Até ao final do ano, o objetivo é chegar aos cinco voos semanais entre Portugal e o Brasil, num total de dez nos dois sentidos.
“Eu digo sempre: precisamos de encurtar o oceano Atlântico”, disse o vice-presidente comercial da empresa Mateus Pongeluppi, sublinhando que a companhia concentra os voos internacionais no aeroporto Rio Galeão – Tom Jobim, com as restantes focadas nos aeroportos de São Paulo.
“Portugal permite-nos um bom alcance da Europa. Do lado do Brasil, temos boas ligações para a Argentina, Paraguai e Uruguai”, sublinhou o gestor (na fotograia ao centro) num encontro com jornalistas em Lisboa na terça-feira, 15 de setembro.
Habituada a operar com Boeings 737, a companhia vai passar a usar Airbus A330 neo para voar para a Europa, com dois corredores, permitindo transportar 300 passageiros.
A companhia ambiciona ter voos diários a partir de Lisboa para o Rio de Janeiro, mas reconhece as “dificuldades, limitações, do aeroporto de Lisboa. Os horários de voo, por exemplo não foram os horários que pedimos, foram os horários que conseguimos. Mas qual é a beleza de eu ter 70% do aeroporto do Rio de Janeiro? Consigo mudar a minha malha para acomodar” novos voos.
A Gol conta com uma parceria com a Air France-KLM para levar os passageiros da companhia europeia a todo o Brasil. Questionado se a Gol está a apoiar a empresa franco-neerlandesa na corrida, o vice-presidente responde: “A Gol está apoiar a TAP neste processo. É bem verdade que temos uma relação muito sólida com a Air France há mais de 10 anos, transportamos 90% dos passageiros deles que chegam ao Brasil, com voos de ligação. É uma relação muito boa. mas tomámos a decisão de fortalecer a nossa relação comercial com a TAP, não tem nada a ver com investimento”.
A TAP é “muito importante para o Brasil”, afirmou, apontando os passageiros que transporta para o Brasil. “Em vez de ficarmos a olhar e dizer: será que a TAP ganha mais do que a Gol? Podemos olhar e dizer: vamos fazer isto juntos, vamos fazer o mercado crescer e dar mais oportunidades para os nossos cliente em conjunto”.
A ideia da Gol é cooperar de forma mais próxima com a TAP, sabendo que a companhia portuguesa também coopera com a Latam e com Azul.
Sobre a entrada no aeroporto de Lisboa, destaca que o maior problema é o estacionamento da aeronave pela falta de lugares neste momento de obras, com o avião da companhia a permanecer por agora duas horas no Humberto Delgado antes de descolar.
“Quando acabarem as obras, vai haver mais espaço. Agora conseguimos entrar porque somos estreantes, e entrámos na regra de nova empresa, mas é super difícil”, explicou.
Sobre se a companhia pretende ter preços mais competitivos face à TAP, o gestor garante que essa não vai ser a principal estratégia, apesar de admitir que os bilhetes irão “estar mais baratos em algumas ocasiões”, não querendo “criar expetativas nas pessoas que vai estar mais barato sempre que procurar a Gol”.
“Sabe por que o brasileiro gosta tanto da TAP? Porque a TAP representa uma oportunidade estável de viajar para a Europa. A minha mãe voaria na Lufthansa ou na Air France-KLM porque não a tem certeza que alguém [da tripulação] vai falar português”, sublinha Mateus Pongeluppi.
A Gol explicou a sua oferta de voos “A nossa operação no Galeão é muito extensa. Temos quase 70% da oferta. E há uma vasta possibilidade de voar para dentro do Brasil com ligações diretas para o Nordeste, Centro-Oeste, Sul. E pode-se também voar para países vizinhos, como a Argentina”, afirmou, por sua vez, Danillo Barbizan, diretor de vendas (na fotografia à direita).
“O brasileiro, quando vem para a Europa, usa Portugal, como porta de entrada. Portugal já passou a França desde o ano passado, como primeiro destino do brasileiro. Existe a ligação cultural, a ligação do idioma. O primeiro destino internacional para o brasileiro é a Argentina. Quando cruza o oceano, esse destino é Portugal”, acrescentou.
A Gol transporta mais de 30 milhões de passageiros por ano, contando com 16 mil trabalhadores, e 146 aviões Boeing 737.
A companhia carioca destaca que Portugal recebeu mais de um milhão de turistas brasileiros em 2025, com o Brasil a receber quase 275 mil portugueses, um recorde nos últimos 18 anos.
A empresa voa para 66 destinos no Brasil 21 destinos internacionais entre as Américas e a Europa.
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