Reforma da Lei Laboral. “Até pode partir das confederações patronais, mas as negociações têm de voltar”, diz presidente da CTP
Francisco Calheiros quer ver retomadas as negociações em relação à revisão da legislação laboral. O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) defendeu que o processo pode ser retomado noutros moldes, “até pode partir das confederações patronais, mas as negociações têm de voltar”, afirmou no seu discurso de abertura da VII Cimeira do Turismo Português que decorreu na segunda-feira, 28 de setembro.
O país precisa de uma legislação laboral mais moderna e mais adaptada aos novos tempos. Não podemos é cair no mesmo erro. Houve e há demasiado radicalismo e foi este radicalismo que matou a revisão da lei laboral que estava em curso”, sublinhou.
O presidente da CTP salientou que estes não são pedidos de um setor, mas sim condições para que Portugal continue a crescer. “E um país que já sabe disto, porque lho dissemos, ano após ano, não tem desculpa para continuar a adiá-lo”, referiu.
Naquela que foi a sua última cimeira enquanto presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros considera que nos próximos anos, o trabalho da CTP terá de responder a três transformações que já estão em curso: a inteligência artificial, que está a mudar a forma como se descobre, se reserva e se vive um destino turístico, e para a qual as nossas empresas, sobretudo as mais pequenas, precisam de apoio real de capacitação, não apenas de discursos sobre o tema; a sustentabilidade, que deixou de ser um argumento de marketing para passar a ser uma condição de acesso aos mercados mais exigentes e às gerações mais jovens de viajantes e a qualificação das pessoas, porque nenhuma tecnologia substitui a hospitalidade genuína que sempre distinguiu Portugal, e que só se garante com trabalhadores bem formados, bem pagos e orgulhosos da profissão que escolheram.
“O crescimento do turismo não depende somente de ter mais turistas, por isso, a CTP mantém-se naturalmente atenta às variáveis que podem ter impacto na atividade turística e acompanha as preocupações dos agentes do turismo”, realçou.
Sobre os atuais constrangimentos vividos no aeroporto de Lisboa, o presidente da CTP espera que não seja preciso explicar aos investidores daqui por 10 anos porque é que Lisboa não tem capacidade aeroportuária. Se tal acontecer “não terá sido a geografia a falhar-nos. Terá sido a decisão. E disso, meus senhores, já ninguém no Turismo português se poderá esquecer”, salientou.
O líder da CTP não quis “reabrir feridas antigas”, mas no seu último ano de mandato, assumiu que o legado de exigência do setor permite-lhe ter o direito de “reclamar ao país”, seja qual for o Governo assuntos que estão pendentes.
“Espero que o atual Governo não se desmobilize em relação aos dossiers cruciais a nível do transporte aéreo. Que a privatização da TAP termine em porto seguro, permitindo um bom encaixe financeiro ao país; a integração da nossa companhia aérea num dos grandes grupos internacionais de aviação, permitindo-lhe sinergias indispensáveis para fazer face a custos cada vez mais elevados e, claro, a garantia do hub de Lisboa e da ligação às ilhas e aos países de língua portuguesa”, afirmou.
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