Recanto de luxo português de nove mil milhões
Há uma faixa com 45 quilómetros de comprimento e um máximo de 10 de largura na costa alentejana, entre a Comporta e Melides, onde se concentram projetos turísticos e residenciais de grande dimensão, atraindo investidores nacionais e internacionais, que é definida por palavras específicas: luxo, premium, valor acrescentado.
Os grandes projetos turísticos e imobiliários lançados desde 2020 representam mais de cinco mil milhões de euros de investimento, que podem chegar aos nove mil milhões se forem concretizados integralmente os planos de desenvolvimento de longo prazo. Até chegar mais além, por causa de vários empreendimentos cujo investimento não é conhecido.
Uma procura insistentemente forte
Um dos maiores investimentos pertence à VIC Properties. O CEO, João Cabaça, garante ao Jornal Económico (JE) que todos os projetos em desenvolvimento na Comporta estão a avançar.
Destaca-se o Pinheirinho, com cerca de 400 hectares e dois quilómetros de frente marítima, que inclui um campo de golfe, uma área comercial, várias marcas hoteleiras e moradias, num investimento de 1,7 mil milhões de euros, dos quais 300 milhões são destinados ao projeto Six Senses, com 70 quartos e 58 branded residences.
As residências encontram-se já em comercialização, com preços a partir de 2,76 milhões de euros. “Está tudo a andar. Temos imensa construção”, garante.
Outro projeto em curso é o Terras da Comporta, da Vanguard Properties, que, aquando do seu anúncio, em 2022, apontou para um investimento de 2,3 mil milhões de euros, mas com perspetivas de poder atingir um potencial de seis mil milhões de euros.
O empreendimento engloba os loteamentos Torre, no município de Alcácer do Sal, e Dunas, em Grândola, num total de 1.367 hectares. Contudo, em 2025, a promotora colocou no mercado parte dos lotes turísticos e hoteleiros destes dois loteamentos.
Nota também para o Costa Terra, cujo projeto original, anunciado em 2007, apontava para 500 milhões de euros de investimento.
A dimensão do mercado imobiliário é igualmente visível na carteira da JLL Portugal. Maria Empis, co-head of Residential da consultora, revela que a empresa tem atualmente cerca de oito projetos em comercialização entre a Comporta e Melides.
Se a área for alargada até Alcácer do Sal, o número sobe para 11 projetos. O valor total de comercialização dos projetos atualmente em carteira ronda os 350 milhões de euros.
“A experiência tem-nos mostrado que, para todo o projeto aprovado e com construção iniciada, o mercado reage positivamente”, afirma Maria Empis, considerando este comportamento “um claro sinal do potencial de crescimento da procura nesta região”.
Portugueses são metade dos compradores
Segundo Maria Empis, os portugueses representam cerca de 50% do total dos compradores. A outra metade corresponde à procura internacional, com compradores europeus a representarem aproximadamente 40% e norte-americanos e sul-americanos cerca de 10%.
“O investidor português foi historicamente o primeiro a reconhecer o potencial da região e continua a ter um papel relevante, tanto como comprador como enquanto investidor”, refere.
João Cabaça assume que existe uma procura global muito forte, mas a grande maioria são portugueses, tanto ao nível do Six Senses como de outros produtos que a VIC tem no mercado. “Quando se fala que são os internacionais e norte-americanos, isso não é verdade”, diz.
Comporta é uma marca internacional
A região projeta-se fora de portas. Isso é um facto. Nuno Durão, managing partner da Fine & Country Portugal, considera que a Comporta já não precisa de afirmação internacional.
“A Comporta é uma marca bem vendida. Não precisa de mais prémios. É como Cascais ou a Avenida da Liberdade. Internacionalmente, a Comporta é um hotspot”, realça. Distingue, contudo, diferentes zonas e projetos dentro do destino. Melides, Pego, Carvalhal e Tróia constituem diferentes polos, enquanto projetos como o Costa Terra e o Pinheirinho deverão levar vários anos a consolidar-se devido à sua dimensão.
“São projetos grandes e hão de ser bons, como a Quinta do Lago e Vale do Lobo, que nós vemos hoje, mas que demoraram 30 anos a ser feitos”, salienta.
A baixa densidade e as barreiras naturais continuam a proteger esta faixa banhada pelo Atlântico, por isso, rejeita a comparação entre a evolução da Comporta e a elevada densidade turística do Algarve. Mas existe um problema mais imediato: o acesso às praias. “Não podem vir dizer que estão a transformar a praia da Comporta em praia privada”, afirma Durão, defendendo a abertura de novas concessões e espaços públicos e criticando a falta de acessos laterais às praias junto dos resorts.
João Cabaça partilha a preocupação. Segundo o CEO da VIC Properties, entre Tróia e Melides existem 22 praias, mas apenas cinco estão ativas, devido, entre outros fatores, à falta de passadiços e acessos.
“Tem havido uma frustração enorme por parte da população, não só local, mas também de quem vem de fora e dos promotores”, refere.
Por sua vez, José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, considera que há uma massa crítica empresarial de excelência que está a investir em todo o Alentejo, mas salienta que “a Comporta tem obviamente um posicionamento de mercado muito diferenciador”.
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