Economias desenvolvidas travam crescimento do setor da construção em 2026
O setor global da construção deverá crescer apenas 1,4% em 2026, estagnando face ao ano anterior devido ao fraco desempenho das economias desenvolvidas, que não deverão ir além dos 0,8%, segundo um estudo da seguradora Crédito y Caución esta terça-feira divulgado.
De acordo com o relatório, o aumento do preço da energia — agravado pelo conflito no Médio Oriente, incluindo no Golfo e pelo bloqueio do estreito de Ormuz —, a escalada da inflação e a subida das taxas de juro estão a afetar a confiança das empresas, o investimento em grandes projetos e o poder de compra das famílias, travando a procura de habitação.
O desempenho no mundo desenvolvido contrasta com o dos mercados emergentes, onde o crescimento do setor ascenderá a 2,8%, impulsionado pela crescente urbanização. A Índia destaca-se como o principal motor desse dinamismo, com uma expansão prevista de 6,5% este ano.
Na Europa e no Reino Unido, o cenário é particularmente desfavorável, projetando-se um crescimento residual de 0,5%. A região continua pressionada por políticas fiscais mais restritivas, custos elevados de materiais e escassez de mão de obra.
Segundo a Crédito y Caución, a combinação entre forte concorrência, margens reduzidas e atrasos nos pagamentos por parte de entidades públicas coloca a construção entre os setores com maior proporção de falências no continente europeu.
Além do choque energético, o setor enfrenta constrangimentos estruturais como a falta de trabalhadores qualificados e o agravamento dos custos laborais. Esta situação afeta as margens operacionais e provoca atrasos na entrega das obras, com maior impacto nos contratos celebrados a preços fixos, que impedem a repercussão de custos adicionais aos clientes.
Para 2027, a seguradora antecipa uma recuperação da atividade global do setor para 3,0%, suportada pela retoma do investimento e pelo aumento da atividade na Europa e na América do Norte.
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