Mercados preparam-se para sessão marcada por acordo EUA-Rússia sobre diesel e escalada no Médio Oriente
Os mercados entram na semana com o suporte do acordo sobre o diesel, entre os Estados Unidos e a Rússia, com potencial alívio nos preços dos combustíveis, e com a aproximação dos resultados empresariais, que deverão confirmar (ou não) a força dos lucros das cotadas num ambiente de taxas elevadas e custos energéticos altos. Com as obrigações fechadas na segunda-feira, o volume em Wall Street pode ser mais baixo, mas a abertura normal das ações permite aos investidores posicionarem-se para a semana de dados e earnings.
Os mercados financeiros globais estarão assim, esta segunda-feira, a reagir ao impacto de desenvolvimentos contrastantes: o acordo EUA-Rússia para fornecimento de diesel (com suspensão temporária de sanções até abril de 2027), o anúncio de um “cessar-fogo energético” entre Ucrânia e Rússia feito por Donald Trump no domingo, a resposta de Volodymyr Zelensky a esse anúncio e à pressão para eleições, e o ataque com míssil ao Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade.
Apesar do feriado federal norte-americano do Dia de Colombo, também conhecido como Indigenous Peoples’ Day, as bolsas de Nova Iorque e o Nasdaq operam em horário normal nesta segunda-feira, 12 de outubro. O mercado de obrigações permanece fechado, o que tende a reduzir a liquidez.
Na sexta-feira, Wall Street fechou em alta, com o Dow Jones a avançar 0,83% para 51.654,95 pontos, o S&P 500 a subir 0,59% para 7.811,54 e o Nasdaq Composite a ganhar cerca de 0,64%. Os índices terminaram a semana em terreno positivo, próximos de máximos históricos, num contexto de yields elevadas e preços de energia ainda pressionados.
Na Europa, a sessão de sexta-feira foi igualmente positiva. O DAX alemão subiu 1,13% para 25.087,27 pontos, o CAC 40 francês avançou 0,95% para 7.803,33 e o FTSE 100 britânico ganhou 1,06% para 10.552,05. O Stoxx Europe 600 registou ganhos acima de 1%.
A agenda macroeconómica europeia desta semana é relativamente ligeira, com foco nos dados finais de inflação da zona euro, que se espera confirme uma aceleração para cerca de 3,8% em setembro, e com os números de produção industrial.
A temporada de resultados do terceiro trimestre arranca em força esta semana, com os principais bancos norte-americanos — incluindo JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup, Wells Fargo, Bank of America e Morgan Stanley — a reportarem resultados na terça e quarta-feira. Os investidores vão escrutinar margens de juros, qualidade do crédito e dados sobre os clientes.
No calendário macroeconómico norte-americano, a agenda de segunda-feira é ligeira. Na terça-feira saem as vendas de casas existentes referentes a setembro. Na quarta-feira é divulgado o CPI de setembro, com expectativas de uma subida mensal de cerca de 0,6% no índice principal, impulsionada pelos custos energéticos. Seguem-se o PPI e as vendas a retalho na quinta-feira.
As yields do Treasury a 10 anos fecharam sexta-feira em cerca de 5,24%. Com o mercado de obrigações encerrado na segunda-feira, a atenção dos investidores concentrar-se-á nas ações e nos desenvolvimentos geopolíticos.
Cessar-fogo energético e resposta de Zelensky
A marcar o fim de semana esteve não só o acordo para o fornecimento de diesel, com a suspensão das sanções à Rússia até abril de 2027, como a resposta do Presidente dos Estados Unidos às críticas de Zelensky, que consistiu numa sugestão para que os ucranianos “encontrem um novo líder que possa fechar um acordo” para acabar com a guerra no país. “Por uma razão ou outra, Zelensky não quer chegar a um acordo”, afirmou Trump aos jornalistas.
Já neste domingo, o presidente Donald Trump anunciou na rede Truth Social que a Ucrânia e a Rússia tinham alcançado um “Energy Ceasefire” (cessar-fogo energético) na guerra, com efeito imediato: “Both parties have agreed. Do not break it!” O anúncio surgiu após dias de tensão sobre o acordo de diesel e críticas de Trump aos ataques ucranianos a refinarias russas. Não houve confirmação imediata de Kyiv nem de Moscovo, e Trump não detalhou a duração, a verificação ou o âmbito.
Zelensky reagiu dizendo que o anúncio “foi notícia para mim”. Afirmou, no entanto, que se a Rússia concordar com um cessar-fogo energético, a Ucrânia também concordará: “Se o presidente Trump negociou isto com Putin — por favor digam-nos quando começa o cessar-fogo — estamos prontos e vamos aceitá-lo”.
Em resposta às críticas de Trump (que no sábado sugeriu que a Ucrânia “encontrasse um novo líder” capaz de fechar um acordo, o presidente ucraniano propôs, em entrevista à ABC News, um cessar-fogo total de 60 dias para permitir eleições: “Please tell Putin, give us two months, 60 days of total ceasefire, 60 days, and we will organise elections”. Isto apesar de insistir que a escolha do líder cabe ao povo ucraniano e que eleições sob lei marcial são complexas por razões de segurança e constitucionais.
Médio Oriente e energia
Os riscos geopolíticos no Médio Oriente, com o ataque ao aeroporto de Riade, e a volatilidade em torno do cessar-fogo energético (ainda sem confirmação plena das partes) mantêm um elemento de incerteza para a abertura desta semana.
O petróleo mantém-se elevado, com o WTI a negociar perto de 91,85 dólares por barril e o Brent em torno de 104,72 dólares, sustentados pelas tensões no Médio Oriente, incluindo preocupações com o Estreito de Ormuz. O ataque de sábado ao aeroporto de Riade, atribuído pelos sauditas e pela coligação liderada pelo reino aos rebeldes houthis apoiados pelo Irão, aumentou a perceção de risco.
O fim de semana foi marcado pelo ataque contra o aeroporto internacional de Riade, capital da Arábia Saudita, este sábado, fez, pelo menos, 12 mortos e 309 feridos. Este ataque foi o mais mortífero em qualquer país árabe do Golfo desde o início da guerra no Irão. O ataque foi atribuído aos Houthis, grupo aliado do Irão, embora estes ainda não se tenham pronunciado.
Foi o terceiro ataque ao principal aeroporto da capital saudita esta semana e o mais mortal no reino em mais de uma década. Quatro cidadãos sauditas, dois bangladeshis e um cidadão de cada um dos seguintes países — Estados Unidos, Egito, Jordânia, Síria, Palestina e Sudão — estão entre os mortos. As operações no aeroporto foram suspensas e voos foram desviados ou cancelados. A coligação saudita classificou o ataque como “crime de guerra” e prometeu uma resposta “decisiva”.
Analistas de risco geopolítico alertam que a intensificação dos ataques a infraestruturas civis sauditas, num momento de fricção regional mais ampla, representa uma escalada perigosa que pode pressionar ainda mais os preços da energia e afetar o sentimento de risco nos mercados.
Em contraste, o presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira, após conversa telefónica com Vladimir Putin, um acordo pelo qual a Rússia se comprometeu a fornecer mais de 300 mil toneladas de diesel imediatamente aos mercados dos EUA e globais, seguidas de 500 mil toneladas em novembro, um milhão de toneladas pouco depois e potencialmente mais volumes num prazo curto.
O Tesouro norte-americano emitiu uma licença temporária que suspende sanções sobre o diesel russo até 7 de abril de 2027. A medida visa combater preços elevados do combustível, que se aproximavam de máximos, antes das eleições intercalares de novembro. Zelensky tinha acusado o gesto de “fraqueza”; Trump respondeu criticando os ataques ucranianos a refinarias russas e sugerindo mudança de liderança em Kyiv. “Está na hora de a Ucrânia ter um novo presidente”, disse Trump.
Os riscos geopolíticos no Médio Oriente e a volatilidade em torno do cessar-fogo energético (ainda sem confirmação plena das partes) mantêm um elemento de incerteza para a abertura desta semana.
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