Ações europeias resilientes à vaga tecnológica nos EUA. PSI sobe
A bolsa portuguesa encerrou a sessão desta sexta-feira, 16 de outubro, em alta, com o PSI a avançar 1,01% para os 9.468,47 pontos, impulsionado pelo desempenho positivo das principais cotadas e acompanhando o sentimento otimista dos restantes mercados europeus, que ignoraram a pressão sobre o setor tecnológico norte-americano. O índice português somou um ganho semanal de 2,17%, o mais robusto desde a semana terminada a 1 de maio.
Apenas uma cotada do PSI encerrou em território negativo: a Mota-Engil recuou 1,19% para 4,654 euros.
Na liderança dos ganhos destacaram-se a EDP Renováveis, que subiu 2,70% para 12,54 euros, e a Jerónimo Martins, com uma valorização de 1,96% para 18,18 euros.
A casa-mãe da EDP avançou 1,84% para 4,92 euros, enquanto a Galp Energia terminou inalterada nos 22,65 euros e o BCP valorizou 0,09% para 1,1205 euros. Isto no dia em que a entidade reguladora (ERSE) propôs um aumento de 3,7% nas tarifas reguladas de venda de eletricidade em Baixa Tensão Normal para 2027, face à média de 2026, abrangendo famílias e pequenos negócios.
Esta atualização resulta da subida do custo da energia, atenuada por uma redução de 13,7% nas tarifas de acesso às redes, sendo a decisão final tomada até 15 de dezembro. Além disso, prevê-se que os proveitos regulados da E-Redes alcancem 1,224 mil milhões de euros em 2027 — um acréscimo de 12 milhões de euros em relação ao ano anterior, excluindo o impacto de 40 milhões de euros da cessação de pagamentos atuariais —, enquanto o défice tarifário do sistema elétrico deverá cair cerca de 50%, fixando-se nos 552 milhões
No resto da Europa, o índice pan-europeu Euro Stoxx 50 fechou em alta de 0,57%, nos 6.203,16 pontos, enquanto o Stoxx 600, de referência mais ampla, subiu 0,67%. O FTSE 100 britânico avançou 0,38% para 10.881,90 pontos, o CAC 40 francês ganhou 0,28% para 7.956,70 pontos e o DAX alemão registou a maior subida entre as principais praças, com um ganho de 0,95% para 25.622,61 pontos. Em Itália, o FTSE MIB encerrou com uma valorização de 0,93% nos 49.857,18 pontos, e em Espanha o IBEX 35 avançou 0,72% para 19.314,99 pontos.
No mercado do petróleo, o barril de Brent (referência europeia) para entrega em dezembro cotava a 106,35 dólares, uma subida de 0,41%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) norte-americano se fixava nos 98,10 dólares, um ganho de 0,13%.
A incerteza em torno do fornecimento no Médio Oriente e os ataques a infraestruturas energéticas na Rússia continuaram a sustentar os preços, apesar das tentativas de Washington de aliviar pressões sobre o diesel russo.
No mercado obrigacionista, a yield da dívida alemã a 10 anos — ativo de referência da zona euro — situava-se em 3,42%, uma subida de 0,93 pontos base. Em Portugal, a taxa das obrigações do Tesouro a 10 anos recuava ligeiramente para 3,865%, contra 3,879% na véspera. A França negociava a 10 anos com uma yield de 4,794%, mantendo um spread próximo dos 140 pontos base face à Alemanha, num contexto de pressão orçamental que tem levado os investidores a exigir prémios mais elevados. Nos Estados Unidos, a taxa da dívida a 10 anos situava-se em 5,10%, com uma variação de +3,36 pontos base.
O Millennium Investment Banking, no seu comentário diário, destacou que o dia foi marcado por ganhos nas bolsas europeias, com o PSI na frente das valorizações. Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium, sublinhou o contributo positivo do setor tecnológico ligado à indústria de semicondutores, depois de a ASML ter elevado o seu outlook, e o alívio nas yields da dívida soberana, que conferiu tranquilidade aos investidores. No plano macroeconómico, o analista notou a escalada dos preços no produtor da China em setembro e o desempenho surpreendente da balança comercial chinesa.
O contexto geopolítico continua a condicionar o sentimento dos mercados. As tensões no Médio Oriente, com os recentes ataques a navios na região do estreito de Ormuz e os confrontos entre a Arábia Saudita e as forças Houthi no Iémen, mantêm o prémio de risco nos preços da energia. Em paralelo, a incerteza em torno da política comercial dos EUA, com a estagnação das negociações do acordo tarifário com o México, e a preocupação do G20 com as pressões inflacionistas globais continuam a limitar a confiança dos investidores.
Nos Estados Unidos o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, demonstrou otimismo nesta sexta-feira com a força da economia dos EUA, aliviando as expectativas de subida dos juros.
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