China: crescimento acima do esperado no terceiro trimestre reduz probabilidade de estímulos
A economia chinesa desafiou as projeções no terceiro trimestre e cresceu 4,5% em termos homólogos, acelerando em relação ao trimestre anterior e afastando as vozes que vinham pedindo uma intervenção mais musculada do Governo para estimular a atividade. O objetivo de crescimento anual definido por Pequim está mais do que ao alcance, isto apesar de a procura interna continuar deprimida.
A segunda maior economia do mundo cresceu 4,5% em termos homólogos no terceiro trimestre do ano, acelerando em relação aos 4,3% do trimestre anterior e superando marginalmente as projeções de um avanço de 4,4%. A produção industrial deu um forte impulso ao indicador, crescendo 5,5% em setembro depois de um mínimo de 4,1% em abril.
Pressionada pelo choque energético global decorrente da guerra no Golfo Pérsico, a economia chinesa parece ter atravessado já o pior capítulo nesta vertente. A produção das refinarias em setembro ficou apenas 5% abaixo do nível registado antes da guerra, com os stocks de reserva a ajudarem a limitar o impacto das perturbações em Ormuz.
Mas a grande história de destaque vai para as exportações. Setembro registou uma aceleração das vendas ao exterior de 18,6% em agosto para 29,6% em termos homólogos, com o setor tecnológico a assumir a liderança desta expansão à boleia do crescimento da inteligência artificial (IA).
“Esta leitura decente do PIB significa que não há uma urgência imediata que obrigue o Governo a mudar de política”, lê-se numa nota da Gavekal. “Mas também provavelmente significará pouco ânimo com a procura interna, com o consumo doméstico e o imobiliário ainda fracos”.
Analisando o ano até ao momento, as exportações chinesas estão a crescer mais de 16%, segundo os dados oficiais, lideradas pelos semicondutores. A produção industrial cresceu 5,3% nos primeiros três trimestres do ano, enquanto as vendas a retalho subiram apenas 2,6%, sublinhando as dificuldades no mercado interno que a segunda maior economia do mundo tem vindo a registar.
A poupança continua a crescer, sugerindo alguma desconfiança quanto ao futuro numa altura em que o mercado laboral chinês mostra algum abrandamento, enquanto o consumo das famílias abrandou para um crescimento homólogo de 3,3% em setembro. A mais recente fonte de preocupações é o mercado automóvel, que começa a dar sinais de fraqueza.
Outro foco de preocupação continuada é o segmento imobiliário, que vem vivendo uma depressão há alguns anos. O investimento em ativos fixos está a cair 7,2% nos primeiros nove meses deste ano e, apesar das medidas públicas quanto à habitação nas cidades de nível 1 (recorde-se que existe na China um ranking não oficial que define uma hierarquia no tipo de cidades do país), os preços a nível nacional continuam a cair.
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