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Banco Mundial prevê mobilizar 23 mil milhões de dólares em capital privado para África até 2030

Banco Mundial prevê mobilizar 23 mil milhões de dólares em capital privado para África até 2030

O director executivo do Banco Mundial, Harold Tavares, anunciou, esta Segunda-feira, 26, na Ilha do Sal, Cabo Verde, uma meta de mobilização de 23 mil milhões de dólares em capital privado para o continente africano nos próximos quatro anos, no quadro dos esforços para ampliar o financiamento ao desenvolvimento, às infra-estruturas e à criação de emprego.
Falando na cerimónia de abertura do Fórum de Investimento da África Lusófona, Harold Tavares avançou que o grupo pretende mais do que duplicar as garantias concedidas em África, elevando-as para 6,4 mil milhões de dólares por ano até 2030, com o objectivo de reduzir os riscos associados aos investimentos e facilitar a entrada de capital privado em mercados que enfrentam desafios cambiais, políticos e regulatórios.
Harold Tavares defendeu que estes instrumentos devem beneficiar não apenas as maiores economias africanas, mas também os países e mercados que apresentam maiores dificuldades na atracção de financiamento. Para o responsável, o reforço das garantias e dos mecanismos de mitigação de riscos constitui uma via para estimular a participação dos investidores privados em projectos estratégicos.
No espaço africano de língua portuguesa, o director executivo destacou os investimentos e a mobilização de recursos destinados às empresas, às infra-estruturas e à criação de emprego.
Na sua intervenção, referiu um volume de cerca de 1,5 mil milhões de dólares associado aos países africanos lusófonos, embora a transcrição não permita determinar com precisão o período e a natureza exacta deste montante.
O responsável considerou que os resultados alcançados devem ser reconhecidos, mas salientou que a mobilização de novos recursos depende igualmente da capacidade dos governos para criar condições favoráveis à actividade empresarial e à confiança dos investidores.
Confiança, reformas e projectos estruturados
Para Harold Tavares, o capital privado não chega aos mercados apenas através de convites ou da apresentação de oportunidades, sendo necessário construir confiança por meio de regras estáveis, cumprimento dos contratos, processos de licenciamento mais rápidos, instituições públicas sólidas e projectos devidamente estruturados.
O responsável reconheceu que vários países da região já implementaram reformas económicas difíceis, defendendo que a continuidade dessas medidas poderá contribuir para reduzir o prémio de risco exigido pelos investidores e, consequentemente, diminuir os custos de financiamento.
Na sua perspectiva, a previsibilidade regulatória e a preparação técnica dos projectos são factores determinantes para transformar oportunidades de investimento em iniciativas concretas, capazes de gerar actividade económica e emprego.
Mercado lusófono como plataforma de investimento
O director executivo defendeu também uma maior integração económica entre os países africanos de língua portuguesa, considerando que a partilha da língua, de referências históricas e de interesses económicos pode constituir uma vantagem competitiva na atracção de capital.
Harold Tavares observou que, quando analisados individualmente, alguns destes mercados podem parecer pequenos e apresentar riscos elevados. Contudo, uma abordagem conjunta permite identificar afinidades jurídicas e culturais, bem como cadeias de valor complementares, capazes de ampliar as oportunidades para empresas e investidores.
Neste contexto, apelou à cooperação entre governos, sector privado e instituições financeiras para reforçar a conectividade, aumentar a previsibilidade dos negócios e desenvolver projectos com dimensão suficiente para atrair investimento internacional.
Corredores económicos e criação de um centro de investimentos
Entre as prioridades apresentadas, Harold Tavares destacou o potencial dos corredores económicos e logísticos, com referência ao Corredor do Lobito, como exemplo de que o investimento articulado em infra-estruturas pode aproximar mercados, facilitar o comércio e abrir espaço a novas oportunidades empresariais.
O responsável propôs igualmente a criação de um corredor atlântico de integração, destinado a ligar portos, empresas e redes digitais dos países africanos de língua portuguesa, articulando sectores como turismo, comércio, energia e investimento, com uma ligação à costa do Índico, em Moçambique.

Outra proposta central foi a criação de um hub dedicado aos países africanos lusófonos, que reúna capacidades institucionais e financeiras para promover investimentos privados, estruturar projectos, desenvolver parcerias e apoiar o crescimento do sector privado.

Na visão apresentada, esta plataforma poderia aproximar os países africanos de língua portuguesa de Portugal, do Brasil, da Europa e de outros mercados internacionais, transformando a língua comum num instrumento de cooperação económica e de captação de investimento.
Harold Tavares manifestou o desejo de que, na próxima edição do Fórum de Investimento da África Lusófona, a iniciativa já esteja em funcionamento ou, pelo menos, exista uma decisão concreta sobre a sua implementação.
Língua portuguesa como activo económico
Ao abordar o potencial da comunidade lusófona, o responsável sublinhou que a língua portuguesa, falada por mais de 300 milhões de pessoas em quatro continentes, representa não apenas um património cultural, mas também um activo económico com capacidade para aproximar mercados e facilitar parcerias.
Defendeu, por isso, que os países não devem ser vistos apenas como economias isoladas, mas como parte de uma comunidade com potencial para desenvolver um mercado mais integrado, capaz de atrair investimentos e gerar oportunidades para os jovens.
Na parte final da intervenção, Harold Tavares reiterou a importância das instituições multilaterais na resposta a desafios globais, como as alterações climáticas, a segurança alimentar e o acesso à energia, salientando que nenhum país consegue enfrentar sozinho todos estes problemas.
O responsável terminou com uma mensagem de confiança no potencial de cooperação entre os países africanos de língua portuguesa, defendendo que a conjugação de esforços, a integração económica e a mobilização de capital podem contribuir para acelerar o desenvolvimento e melhorar as perspectivas de emprego na região.
 

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