Portugal lidera em peso da economia digital, mas afasta-se da média europeia na adoção de IA
A economia digital em Portugal já representa 40,4% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) nacional, gerando cerca de 102 mil milhões de euros, mas o país continua a perder terreno face à média da União Europeia na adoção de tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial (IA).
Os dados constam do “Estudo Anual da Economia Digital em Portugal 2026”, publicado pela Associação da Economia Digital em Portugal (ACEPI) e pela GoingNext, em colaboração com a Porto Business School.
Segundo o relatório, o VAB associado ao setor digital registou um forte crescimento de 71% entre 2019 e 2024 — o dobro do ritmo de expansão da economia nacional (35%) —, sustentando atualmente mais de 3,4 milhões de postos de trabalho. O impacto abrange 240,9 mil milhões de euros em produção e 34,6 mil milhões de euros em receitas fiscais.
No entanto, a velocidade de adoção tecnológica no tecido empresarial contrasta com este dinamismo económico.
Apesar de Portugal apresentar infraestruturas de conectividade acima da média comunitária — com a cobertura 5G a atingir 99% dos lares e as ligações fixas de alta velocidade (1 Gbps) a chegarem a 29% —, a utilização de IA por empresas portuguesas fixou-se em apenas 11,5% em 2025, comparada com cerca de 20% no conjunto da União Europeia. A diferença em relação ao bloco europeu aumentou de cinco para oito pontos percentuais num único ano.
A distância é igualmente visível nos serviços avançados de computação em nuvem (cloud), adotados por 34% das empresas nacionais contra 47% no bloco europeu, e na presença na web, onde 63% das empresas nacionais têm website, face a 79% na UE.
O estudo sinaliza um desfasamento entre o investimento e o retorno financeiro direto das tecnologias de IA: embora 73,4% das organizações inquiridas declarem ganhos de produtividade com a IA, apenas 9,4% reportam um aumento efetivo de receitas. Além disso, apenas 25,9% dispõem de uma estratégia formal de IA com orçamento próprio.
A escassez de competências especializadas (apontada por 50,4% das organizações), preocupações com a segurança dos dados (48,2%) e os custos de investimento (43,9%) permanecem como os principais entraves ao avanço tecnológico. Apenas 32% da população portuguesa possui competências digitais avançadas.
Apesar dos obstáculos, 69% das empresas inquiridas pretendem reforçar os seus investimentos em transformação digital até 2027, colocando a IA, analytics e cibersegurança no topo das prioridades estratégicas para os próximos anos.
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