Dois museus, um estudo e pouco tédio
Historicamente, o tédio está associado à fadiga de museu, um termo cunhado originalmente por Benjamin Ives Gilman em 1916. Mas não vamos recuar à primeira década do século XX. Apenas uns dias, até 27 de outubro de 2026, data em que a “Scientific Reports” publicou as conclusões do estudo da Universidade de Viena, focado na frequência de dois museus da capital austríaca, o Kunsthistorisches Museum e o Museu Sigmund Freud.
Apesar dos cortes orçamentais, das ameaças à segurança e da queda do número de visitantes, a conclusão do estudo acaba por ser animadora para os museus em causa, uma vez que, numa escala de 1 a 5, o tédio obteve uma pontuação de 1,74 pontos, num universo de 1.269 inquiridos, com idades entre os 18 e os 91 anos.
Os participantes preencheram um questionário que pretendia medir 11 parâmetros emocionais positivos ou negativos, incluindo alegria, admiração, raiva e tédio, e responderam também a um teste de conhecimento relacionado com as coleções dos museus. A equipa de psicólogos envolvida no estudo fez uma entrevista qualitativa a 5% dos inquiridos para avaliar o porquê de se entediarem no museu.
O estudo quantificou esse sentimento e concluiu que, numa escala de 1 (nada entediado) a 5 (muito entediado), os visitantes pontuam uma média de 1,74, demonstrando que os museus são, no geral, vistos como locais inspiradores. No entanto, quando o tédio ataca, ele prejudica diretamente a retenção de conhecimento e a qualidade da visita. Outro detalhe. A alegria e a curiosidade foram os sentimentos positivos mais invocados, enquanto as respostas negativas apontaram especialmente ao tédio.
Nos últimos 15 anos, a investigação sobre o tédio em contextos educativos tem aumentado de uma forma significativa, na medida em que os níveis de tédio podem ter consequências negativas na saúde, na alimentação e no desempenho. O mesmo se aplica aos museus, uma vez que têm uma forte componente pedagógica.
Diversos estudos apontam duas principais causas do tédio nos museus. A subestimulação (falta de desafio). Ocorre em salas muito vazias, com pouca informação ou quando o conteúdo não tem relevância para o visitante. E a situação contrária, i.e., a sobrecarga (excesso de desafio), muitas vezes associada a espaços sobrelotados, salas abafadas e, acima de tudo, a legendas ou painéis de texto longos e densos que, ao gerarem cansaço mental, rapidamente poderão evoluir para um sentimento de tédio e frustração.
O estudo faz algumas sugestões para baixar os níveis de tédio dos visitantes. O ideal é alargar a diversidade de visitantes através de diferentes tipos de informação, i.e., de níveis de detalhe à escolha, para que o visitante escolha entre informação mais detalhada ou mais genérica; utilizar realidade aumentada, códigos QR ou visitas ‘cirúrgicas’. O smartphone pode, igualmente, ser utilizado para consultar informação adicional.
Importa ter presente que os museus proporcionam oportunidades de aprendizagem que dificilmente se podem encontrar nos espaços formais de educação. A decisão de entrar num museu corresponde à disponibilidade para aceder a um conjunto de informação e vivenciar uma experiência lúdica que até pode conduzir na descoberta de novas temáticas.
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