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Empresas portuguesas aceleram investimento em Inteligência Artificial sem regras internas definidas

Empresas portuguesas aceleram investimento em Inteligência Artificial sem regras internas definidas

As empresas portuguesas estão a reforçar o investimento em Inteligência Artificial (IA), apesar de a maioria ainda não dispor de políticas internas claras para regular a utilização destas tecnologias. A conclusão resulta do estudo Leading the Future Economy, desenvolvido pela consultora QSP – Marketing Management & Research, que analisou as perceções de 290 profissionais ativos em Portugal, incluindo quadros médios e superiores de diversos setores de atividade.
Realizado através de um inquérito online (metodologia CAWI), o estudo recolheu respostas entre 16 de abril e 8 de maio de 2026 e procurou identificar as principais tendências, riscos e prioridades que deverão marcar a economia e as organizações nos próximos anos.
De acordo com os resultados, a Inteligência Artificial surge como a principal prioridade de investimento para os próximos 12 meses, indicada por 43,1% dos inquiridos. Seguem-se a tecnologia e transformação digital (34,1%) e a cibersegurança (26,2%).
Contudo, apenas 21,2% dos participantes afirmam que a sua organização já possui orientações claras e formalizadas para a utilização de IA. Outros 30,5% referem que essas regras estão ainda em desenvolvimento, enquanto 19,3% admitem que não existe qualquer orientação interna sobre o tema.
Entre os principais obstáculos à adoção da Inteligência Artificial destacam-se a resistência à mudança (33,1%) e a falta de conhecimento interno (31%). As preocupações relacionadas com privacidade e segurança (26,6%) e os custos elevados de implementação (24,1%) também surgem entre as barreiras mais referidas.
“Os resultados mostram um desfasamento entre a velocidade de adoção da IA e a capacidade das organizações para criarem políticas internas, prepararem equipas e integrarem estas ferramentas de forma consistente. A transformação tecnológica está a avançar mais depressa do que a adaptação das próprias organizações”, afirma Rosa Carvalho, Market Research & Project Lead da QSP e responsável pelo estudo.
Economia mais imprevisível do que digital
A investigação revela igualmente uma crescente perceção de incerteza quanto ao futuro da economia. Quando questionados sobre a principal característica da economia dos próximos anos, 42,1% dos profissionais consideram que será sobretudo “mais imprevisível”, enquanto 29,7% acreditam que será “mais digital”.
As expectativas para os próximos 12 meses refletem esta visão cautelosa. Cerca de 34,8% dos inquiridos antecipam uma desaceleração económica, 19,3% apontam para um cenário de estagnação e 15,2% admitem mesmo uma recessão. Em contraste, apenas 9% acreditam num contexto de crescimento económico forte.
A influência da geopolítica internacional é também apontada como um fator de risco crescente, com aproximadamente 76% dos participantes a considerarem que será uma fonte significativa de incerteza económica. Mais de 70% defendem ainda que as regras tradicionais da economia já não são suficientes para responder aos desafios do futuro.
Quanto à preparação das organizações para este novo contexto, apenas 20% dos inquiridos acreditam que as empresas estão claramente preparadas para competir num ambiente mais global, tecnológico e imprevisível.
Inteligência Artificial deverá transformar funções existentes
No mercado de trabalho, a maioria dos profissionais acredita que a Inteligência Artificial terá um impacto transformador, mais do que disruptivo. Para 32,8% dos participantes, a IA irá sobretudo transformar funções já existentes. Por outro lado, 24,7% antecipam a eliminação de alguns postos de trabalho, enquanto 15,8% preveem a criação de novas funções.
Segundo Rui Ribeiro, CEO do QSP SUMMIT, os desafios atuais vão muito além da componente tecnológica. “O estudo mostra que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas tecnológico. A pressão económica, a imprevisibilidade geopolítica e a necessidade de adaptação contínua estão a obrigar empresas e lideranças a rever prioridades estratégicas, modelos de decisão e competências críticas para competir”, refere.
Estudo enquadra próxima edição do QSP SUMMIT
O estudo Leading the Future Economy foi desenvolvido no âmbito da 19.ª edição do QSP SUMMIT, um dos principais eventos europeus dedicados à gestão, marketing e estratégia empresarial, que decorrerá entre 30 de junho e 2 de julho de 2026, no Porto e em Matosinhos. Os resultados pretendem contribuir para a reflexão sobre os desafios que empresas e líderes enfrentam num contexto marcado pela aceleração tecnológica, pela volatilidade económica e pela crescente incerteza geopolítica.
Mais informações sobre o evento e sobre a atividade da consultora podem ser consultadas em www.qspsummit.pt e www.qspmarketing.pt.
 
 
Este artigo foi produzido em parceria com a QSP Summit.

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