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Conselho de Estabilidade Financeira alerta G20 para crescente volatilidade dos títulos soberanos

Conselho de Estabilidade Financeira alerta G20 para crescente volatilidade dos títulos soberanos

O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (Financial Stability Board, FSB), Andrew Bailey, alertou hoje os países do G20 para a crescente volatilidade nos mercados dos títulos soberanos.
Bailey, que é governador do Banco da Inglaterra, disse numa carta aos países do G20 que também existem outros riscos para o sistema financeiro mundial neste momento relacionados com os mercados de crédito privado e os da inteligência artificial (IA).
A carta é dirigida aos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20, tendo em vista a reunião de 15 de outubro em Banguecoque (Tailândia).
Bailey apresenta o relatório sobre a implementação responsável da inteligência artificial que incorpora as observações de uma consulta pública.
O supervisor aponta que a implementação segura da IA no sistema financeiro terá um lugar muito destacado na sua agenda do próximo ano devido ao rápido ritmo de desenvolvimento.
A carta é acompanhada de uma nota sobre as criptomoedas estáveis num momento de elevada volatilidade nos mercados de títulos soberanos.
O supervisor recomenda ao G20 reforçar a vigilância das transações transfronteiriças com criptomoedas estáveis e a troca de informações.
As criptomoedas estáveis têm um alcance e uma utilização que transcendem múltiplas jurisdições e, por isso, poderiam ter implicações importantes para todo o sistema financeiro.
A utilização de criptomoedas em vários países pode “limitar a capacidade de uma única jurisdição para avaliar ou abordar plenamente” os problemas que podem surgir em vários países, segundo o supervisor.
Em meados de 2026, o valor total de mercado das criptomoedas estáveis rondava 300.000 milhões de dólares, sem variação em relação ao ano anterior, e 99% deste valor está vinculado ao dólar, segundo dados do Conselho de Estabilidade Financeira.
Um dos problemas que o supervisor menciona é que um emissor de criptomoedas estáveis desconhece quem possui as suas moedas, onde têm o seu domicílio ou onde se materializará o pedido de reembolso.
Por isso, os passivos de um emissor de criptomoedas estáveis são internacionalmente móveis e podem tornar-se impossíveis de rastrear.
Em situações de tensão, o acesso ininterrupto e a velocidade de negociação nos mercados secundários podem aumentar a rapidez e a magnitude das vendas, pressionando o ativo ao qual estão ancoradas, por exemplo o dólar, e as reservas, por exemplo os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Uma perda de confiança e venda maciça de uma criptomoeda estável pode espalhar-se para o sistema financeiro tradicional através da venda das reservas e da retirada de depósitos bancários para financiar as trocas, adverte o supervisor.
O efeito também dependerá da maneira como a criptomoeda estável for usada para pagar na economia real e do seu emprego nos mercados de câmbio.
Quando vários emissores colaboram para criar e respaldar uma criptomoeda estável, os emissores mantêm reservas separadas e o reequilíbrio das mesmas pode ser colocado em perigo em situações de tensão, algo para o qual já advertiu o Banco Central Europeu (BCE).
Quando uma mesma criptomoeda estável é emitida por entidades da União Europeia (UE) e de fora da mesma, os investidores tentarão obter os reembolsos na UE, mas as reservas mantidas na UE podem não ser suficientes para satisfazer a procura numa situação de solicitação massiva numa crise.
O Conselho de Estabilidade Financeira, cuja sede está na cidade suíça de Basileia, foi criado no G20 de Londres em 2009, depois da crise financeira mundial, para coordenar a nível internacional as autoridades financeiras e assegurar a estabilidade.

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